Esportes

Textor perde em apelação na Inglaterra e litígio de US$ 97 mi continua

John Textor sofre derrota na Corte de Apelação Inglesa e vê se alongar a disputa judicial com a Iconic Sports por US$ 97 milhões, nesta quarta-feira (21). A decisão mantém vivo o processo sobre a recompra de 15,7% da Eagle Football e empurra o caso para nova análise na Justiça britânica.

Caso avança em Londres e expõe pressão sobre Textor

O embate chega a um novo capítulo em 21 de janeiro de 2026, em Londres. A Corte de Apelação nega o pedido de Textor para encerrar de imediato a cobrança feita pela Iconic Sports, que exige judicialmente o pagamento pela recompra de 15,7% das ações da Eagle Football. O valor em disputa é de US$ 97 milhões, algo próximo de R$ 500 milhões na cotação atual.

A derrota no recurso impede um desfecho rápido para o empresário americano, acionista da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo e figura central no mercado esportivo. Em vez de arquivar a cobrança, os juízes de apelação determinam que a Alta Corte de Londres reexamine pontos preliminares do processo, antes de um futuro julgamento na Corte Comercial da Inglaterra, ainda sem data marcada.

A defesa de Textor tenta transformar o revés em sinal de avanço. Em declaração ao “GE”, um porta-voz do empresário afirma que os magistrados reconhecem erro da Alta Corte em decisão anterior e devolvem o caso para nova avaliação. Ele define o movimento como um “passo adiante significativo”, porque uma decisão favorável nessa reanálise poderia encerrar a disputa “inteiramente em nosso favor”.

O porta-voz reforça a confiança na estratégia jurídica. “Se a remessa não descartar o assunto, vamos levá-lo a julgamento com confiança. De qualquer forma, esperamos plenamente pelo sucesso (do caso)”, diz, ao comentar a decisão desta quarta-feira. A manifestação tenta conter a leitura de que Textor apenas acumula derrotas no litígio e busca mostrar que ainda vê espaço para virar o jogo nos tribunais ingleses.

Impacto milionário e reflexos no Botafogo

A cobrança da Iconic Sports mira o coração do conglomerado de futebol de Textor. A Eagle Football controla participações em clubes de diferentes países e funciona como guarda-chuva dos investimentos do empresário no esporte, incluindo o comando da SAF do Botafogo. Uma condenação em valor integral, próxima de US$ 97 milhões, afeta diretamente a estrutura financeira do grupo e a capacidade de alavancar novos aportes.

No Brasil, o caso aumenta a pressão sobre o dia a dia do Botafogo. A SAF depende de planejamento de médio e longo prazo, com injeções de capital e reorganização de dívidas históricas. Qualquer incerteza sobre o caixa da Eagle Football entra na conta de risco avaliada por credores, patrocinadores e parceiros comerciais. O prolongamento do litígio cria um ambiente mais tenso para decisões de investimento em elenco, infraestrutura e pagamento de obrigações.

O processo também reforça a percepção de vulnerabilidade das novas estruturas societárias no futebol. A figura da SAF, vendida como solução para clubes endividados, passa a conviver com disputas societárias internacionais, cláusulas complexas de recompra de ações e variações cambiais que ampliam cifras já elevadas. Em um cenário em que US$ 97 milhões podem moldar o futuro de um grupo inteiro, a incerteza jurídica pesa tanto quanto o desempenho em campo.

A Iconic, por sua vez, sustenta o direito de receber o valor acordado pela saída da sociedade na Eagle Football. A insistência na cobrança mostra que o fundo não está disposto a negociar a qualquer preço e espera que a Justiça inglesa confirme a obrigação de Textor. Um desfecho que legitime a tese da Iconic tende a incentivar credores e investidores a buscar tribunais para fazer valer contratos, em vez de aceitar renegociações prolongadas.

Próximos capítulos na Justiça inglesa

A decisão da Corte de Apelação, tomada em 21 de janeiro de 2026 e divulgada no início da tarde, às 14h34, com atualização às 15h16, redesenha o roteiro do caso. O processo volta agora à Alta Corte de Londres, que precisa reexaminar os chamados assuntos preliminares, pontos técnicos que podem definir o alcance e até a continuidade da ação. Advogados costumam traduzir esse movimento de retorno como “remessa”, etapa em que o tribunal corrige eventuais erros de avaliação anteriores.

Se a Alta Corte entender que não há motivo para encerrar a disputa em favor de Textor, o caso segue para a Corte Comercial da Inglaterra, responsável pelo julgamento de mérito. Essa fase envolve análise detalhada de contratos, prazos, cláusulas de recompra e eventuais quebras de acordo entre Iconic Sports e Eagle Football. A definição de uma data para esse julgamento ainda depende do andamento da remessa e da agenda da Justiça britânica.

Enquanto o calendário jurídico se estende, o ambiente ao redor do Botafogo e da Eagle Football continua sob observação. Investidores medem o impacto potencial de uma condenação bilionária em reais. Torcedores acompanham com desconfiança a sucessão de disputas que cercam o controlador da SAF. Dirigentes do futebol brasileiro assistem a mais um teste de estresse do modelo de clube-empresa que começa a se consolidar no país.

O caso que hoje gira em torno de US$ 97 milhões extrapola o balanço de Textor e da Iconic Sports. A forma como a Justiça inglesa equilibra contratos, risco e responsabilidade empresarial ajuda a desenhar o que será aceitável nas futuras negociações de SAFs, aqui e lá fora. A pergunta que permanece, enquanto Londres se prepara para novos capítulos da disputa, é até que ponto um litígio desse porte pode redesenhar o mapa de poder no futebol brasileiro.

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