Temporal alaga Mariana e Congonhas e deixa moradores ilhados em MG
Um temporal de forte intensidade alaga ruas, provoca deslizamentos e deixa moradores ilhados em Mariana e Congonhas, na Região Central de Minas, na tarde deste sábado (24/1/2026). Em menos de 30 minutos, a chuva atinge 27 milímetros e exige resgates do Corpo de Bombeiros e ações emergenciais das prefeituras.
Ruas viram rios em Mariana e carros são arrastados
Em Mariana, a chuva começa por volta das 15h e muda a rotina de bairros inteiros em poucos minutos. No Centro Histórico, ruas de pedra se transformam em canais marrons, onde a enxurrada desce com violência e encobre meio-fio, calçadas e rodas de carros. Vídeos feitos por moradores mostram veículos parcialmente submersos e sendo arrastados ladeira abaixo, enquanto moradores buscam abrigo em pontos mais altos.
O Corpo de Bombeiros é acionado às 16h20 para resgatar cinco pessoas ilhadas dentro de um imóvel, cercado pela água. Os militares entram no imóvel com equipamentos de salvamento e retiram os moradores em segurança. Até o início da noite, não há registro de feridos ou mortes, mas o rastro de destruição é visível em diversas ruas, com lama, entulho e móveis danificados.
Os bairros Centro, Barro Preto, Catete e Colina sentem os efeitos mais diretos da tempestade. Em menos de uma hora, o volume de chuva sobrecarrega bueiros, faz córregos transbordarem e invade casas em áreas baixas. Em vídeos que circulam nas redes sociais, é possível ver a água batendo na altura das janelas de carros estacionados e moradores caminhando com água na cintura.
Um som de alarme contínuo chama a atenção de quem acompanha a cena da janela. Moradores relatam uma sirene que ecoa pelas ruas durante o temporal, mas ainda não está claro se o ruído vem de sistemas de alerta da Defesa Civil ou de alarmes de veículos disparados pela inundação. A incerteza alimenta o clima de apreensão em uma cidade que vive sob alerta de chuva forte há dias.
Mariana já está sob aviso de perigo emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O estado enfrenta um período crítico: relatório divulgado na sexta-feira (23/1) mostra que, entre as dez cidades com maior volume acumulado de chuva no país em 24 horas, oito ficam em Minas Gerais. A previsão indica que a instabilidade continua pelo menos até o fim de semana, mantendo em alerta moradores e autoridades locais.
Famílias deixam casas e Congonhas corre para conter riscos
A prefeitura de Mariana reage em campo. Equipes da administração municipal se concentram na Travessa Monsenhor Rafael Coelho, no Barro Preto, um dos pontos mais atingidos. Técnicos e agentes públicos entram de casa em casa para convencer moradores a sair de áreas de risco e para ajudar na limpeza de imóveis tomados pela água.
Em vídeo publicado no Instagram, uma porta-voz da prefeitura pede cautela. “Pedimos a todos que permaneçam atentos, mantenham a calma e, principalmente quem mora em áreas de risco, que saiam de casa, levantem os móveis, e em qualquer situação acionem a Defesa Civil. A prefeitura se compromete em continuar trabalhando para minimizar os impactos da chuva e proteger a nossa população. Atenção principalmente dos moradores dos distritos de Mainart, Bandeirantes e Monsenhor Horta”, afirma.
As cenas se repetem em diferentes pontos da cidade. Móveis são empilhados em varandas, colchões aparecem escorados em muros, enquanto caminhões da prefeitura recolhem entulho. O avanço da água também acende um alerta para deslizamentos de encostas, especialmente em áreas ocupadas de forma desordenada ao longo das encostas que cercam o centro urbano.
Em Congonhas, a cerca de 60 quilômetros de Mariana, a preocupação é semelhante, embora os danos registrados até o momento sejam menores. A prefeitura monta uma força-tarefa e desloca equipes técnicas para monitorar pontos considerados estratégicos. A orientação é intervir rapidamente onde o solo mostra sinais de instabilidade ou onde há risco de queda de barreira.
Um dos registros ocorre no centro da cidade, na Rua Hematita, onde a chuva provoca queda de material rochoso em um barranco. A via passa por limpeza e o tráfego é restabelecido ainda durante a tarde. Em outro ponto, na Vila São Vicente, o colapso parcial de um muro residencial próximo ao Rio Maranhão exige avaliação estrutural e orientações diretas às famílias vizinhas.
Mesmo com a chuva intensa, a Defesa Civil informa que os principais cursos d’água de Congonhas, incluindo o Rio Maranhão, não apresentam risco imediato de transbordamento. O trecho entre os bairros Praia e Cristo Rei, historicamente sujeito a alagamentos, tem o tráfego normalizado após a drenagem da água acumulada. As autoridades, porém, reforçam que a situação pode mudar caso o volume de chuva se mantenha nas próximas horas.
Cidades históricas sob pressão e incerteza com novas chuvas
O temporal deste sábado reforça a vulnerabilidade de cidades históricas de Minas a eventos climáticos extremos. Ruas estreitas, encostas íngremes, ocupações em áreas de risco e redes de drenagem antigas se combinam com volumes intensos de chuva em curto período, como os 27 milímetros registrados em menos de 30 minutos em Mariana. O resultado é um cenário de alagamentos recorrentes, deslizamentos pontuais e moradores que vivem em estado permanente de atenção.
As Defesas Civis municipais recomendam que a população observe sinais de instabilidade no terreno, como rachaduras em paredes, portas que deixam de fechar, estalos no solo, além de postes e árvores inclinados. Qualquer alteração deve ser comunicada imediatamente às autoridades locais. A orientação é evitar permanecer em porões, áreas baixas e imóveis próximos a encostas durante temporais.
O governo municipal de Congonhas informa que o monitoramento seguirá de forma ininterrupta nas próximas horas, diante da perspectiva de continuidade das chuvas em toda a Região Central. Em Mariana, a prefeitura mantém equipes em plantão, com atenção especial a bairros já alagados e distritos mais vulneráveis. As duas cidades miram a previsão do tempo antes de planejar o retorno à normalidade.
O histórico recente de enchentes e deslizamentos em Minas Gerais pesa sobre essas decisões. A cada novo aviso de chuva intensa, cresce a pressão por obras de drenagem mais robustas, reforço de encostas, remoção gradual de famílias de áreas críticas e sistemas de alerta mais claros. Enquanto essas medidas avançam em ritmo desigual, moradores aprendem a conviver com sirenes, cheias repentinas e a incerteza sobre o que a próxima nuvem carregada pode trazer.
As próximas horas e os próximos dias devem mostrar se o temporal deste sábado será um episódio isolado ou o primeiro de uma sucessão de eventos extremos neste verão. A resposta depende do comportamento das nuvens que seguem sobre Minas e da capacidade de as cidades se adaptarem, com rapidez, a uma rotina em que a chuva deixa de ser apenas parte do calendário e passa a ser um teste recorrente para a segurança de quem vive ali.
