Tempestade de inverno cancela 11 mil voos e paralisa 12 Estados nos EUA
Uma tempestade de inverno de grande escala cancela mais de 11 mil voos e atinge cerca de 140 milhões de pessoas nos Estados Unidos neste sábado (24). Governadores de 12 Estados decretam emergência, enquanto o frio extremo e o gelo derrubam a energia e paralisam estradas e aeroportos.
Neve, gelo e apagões em sequência
O sistema de frio cruza o país do Novo México à Nova Inglaterra e transforma o fim de semana em um teste de resistência para quase metade da população americana. Em poucas horas, nevascas intensas, chuva congelante e ventos fortes fecham rodovias, derrubam cabos de energia e forçam o cancelamento em massa de voos, num colapso que se espalha pela malha aérea nacional.
O Serviço Nacional de Meteorologia emite alertas de tempestade de inverno para uma faixa contínua de Estados, do leste do Texas à Carolina do Norte, com previsão de neve generalizada e formação de gelo considerada “catastrófica”. Na prática, o aviso significa ruas escorregadias, carros abandonados em acostamentos e cidades inteiras em ritmo de feriado forçado.
O aeroporto internacional Will Rogers, em Oklahoma City, interrompe todas as operações neste sábado. As partidas da manhã de domingo (25) também já são suspensas, numa tentativa de evitar aeronaves presas em pistas congeladas e passageiros bloqueados sem perspectiva de embarque. As autoridades locais planejam retomar parte das atividades apenas na tarde de domingo, se as condições permitirem.
Às 10h (horário da Costa Leste), o site de rastreamento FlightAware registra mais de 3.800 voos cancelados no dia. Outros 7 mil, programados para domingo, sofrem o mesmo destino. O número total de cancelamentos no fim de semana ultrapassa 11 mil, deixando aeroportos em grandes centros como Nova York, Washington e Boston com filas em guichês de remarcação e salões lotados de passageiros à espera de informação.
Danos comparados a furacão e risco para a população
As autoridades tratam a tempestade como um evento extremo, com potencial de dano semelhante ao de um furacão. Meteorologistas destacam a combinação de frio intenso, ventos fortes e gelo acumulado em árvores, fios e estruturas. “Temperaturas perigosamente baixas e sensação térmica extremamente baixa estão se espalhando pela região e permanecerão assim até segunda-feira”, alerta a Agência de Gerenciamento de Emergências do Mississippi.
A sensação térmica chega a -24°C em várias áreas, enquanto o termômetro marca até -34°C em partes do norte do Estado de Nova York, como o condado rural de Lewis, após dias de neve contínua. Nesses níveis, a exposição ao ar livre por poucos minutos pode causar congelamento de extremidades e tornar qualquer pane de carro ou queda de energia um risco imediato à saúde.
Mais de 95 mil interrupções no fornecimento de energia são registradas na manhã de sábado em todo o país, segundo empresas locais. O Texas concentra cerca de 36 mil desligamentos, e a Virgínia, outras 10 mil ocorrências. Famílias acordam com o aquecimento desligado, recorrem a cobertores extras, lareiras e pequenos geradores, enquanto equipes de manutenção tentam religar redes sob vento cortante e estradas cobertas de gelo.
Governadores de pelo menos 12 Estados declaram estado de emergência ou emitem recomendações formais para que moradores fiquem em casa. Em várias cidades, escolas, repartições públicas e eventos esportivos são suspensos. O apelo é direto: reduzir deslocamentos, evitar acidentes e aliviar a pressão sobre serviços de resgate e hospitais, que já lidam com ocorrências por quedas, colisões e mal súbito causado pelo frio.
Depois de atingir com força o Sul, a tempestade avança em direção ao Nordeste. A previsão indica até 30 centímetros de neve em áreas densamente povoadas entre Washington, Nova York e Boston, um corredor urbano que concentra milhões de pessoas e boa parte da atividade econômica do país. Cada centímetro a mais de neve adiciona peso sobre redes elétricas envelhecidas e aumenta o tempo necessário para limpeza de ruas e rodovias.
Transporte em colapso e incerteza nos próximos dias
O impacto imediato recai sobre o transporte. Companhias aéreas cancelam rotas inteiras com antecedência para evitar aviões e tripulações fora de posição, numa operação de guerra que se estende de hubs como Nova York, Chicago e Dallas a aeroportos regionais. Passageiros enfrentam longas filas para remarcação, hospedagens improvisadas em hotéis do entorno e a incerteza sobre quando conseguirão chegar ao destino.
Rodovias cobertas de gelo também sofrem bloqueios, acidentes em cadeia e restrições a veículos pesados. Caminhoneiros estacionam em postos de gasolina lotados, à espera de uma janela de segurança para seguir viagem. A cadeia de abastecimento sente o baque, com entregas atrasadas e estoques sob pressão em supermercados e centros de distribuição, especialmente em cidades menores, mais dependentes de poucas rotas de acesso.
O frio extremo pressiona ainda mais as redes de energia. Em Estados que já enfrentaram crises recentes, como o apagão texano de 2021, a lembrança de falhas no aquecimento em pleno inverno aumenta o temor da população. Governos locais reforçam pedidos de uso moderado de eletricidade e aquecimento para evitar sobrecarga do sistema, enquanto ampliam abrigos aquecidos para moradores em situação de vulnerabilidade.
Equipes de emergência trabalham em regime de plantão reforçado para desobstruir vias, socorrer motoristas encalhados e atender ocorrências médicas ligadas ao frio. Hospitais reforçam suas escalas e preparam alas para receber pacientes com hipotermia e problemas respiratórios agravados pelo ar gelado. A recomendação para quem pode é clara: permanecer em casa, manter reservas de água e mantimentos e acompanhar a evolução dos alertas oficiais.
O avanço da tempestade até o início da próxima semana vai definir a extensão real dos danos. A expectativa é de que, passado o pico do mau tempo, o foco se volte para a recuperação da rede elétrica, o desbloqueio de rodovias e a normalização gradual do transporte aéreo. A dimensão do prejuízo econômico ainda não está clara, mas o episódio reacende o debate sobre a preparação da infraestrutura americana para eventos climáticos extremos, que se repetem com mais frequência e obrigam governos e empresas a rever planos de emergência.
