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Tarcísio lidera disputa ao governo de SP em todos os cenários, diz pesquisa

Tarcísio de Freitas lidera com folga a disputa pelo governo de São Paulo em 2026, aponta pesquisa Realtime Big Data feita entre 6 e 7 de março. No principal cenário estimulado, o governador alcança 47% das intenções de voto e abre 16 pontos de vantagem sobre Fernando Haddad, que marca 31%.

Governador consolida vantagem e testa força contra rivais nacionais

O levantamento, divulgado nesta segunda-feira (9), coloca o atual chefe do Executivo paulista à frente em todos os cenários avaliados. A sondagem, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número SP-00705/2026, mede o humor do eleitorado a pouco mais de seis meses do início oficial da campanha e funciona como termômetro para partidos e pré-candidatos.

No quadro principal, que apresenta uma lista de nomes aos entrevistados, Tarcísio lidera com 47%. Haddad, ministro da Fazenda e principal nome do PT no estado, aparece em segundo lugar, com 31%. Kim Kataguiri, deputado federal pelo União Brasil, soma 8%, e Paulo Serra, do PSDB, registra 7%. Brancos e nulos chegam a 4%, enquanto 3% dizem não saber em quem votar ou preferem não responder.

Na modalidade espontânea, em que o instituto não apresenta opções de candidatos, o governador também aparece à frente. Ele é citado por 16% dos eleitores, enquanto Haddad é lembrado por 5%. A maioria, porém, ainda não tem um nome definido: 65% dos entrevistados afirmam não saber em quem pretendem votar para o governo estadual em 2026.

Os números reforçam a condição de Tarcísio como favorito à reeleição, mas expõem um cenário ainda em formação. O alto índice de indecisos indica espaço para movimentos de recuperação de adversários e para a entrada de novos atores na disputa, sobretudo no campo da oposição ao governador.

Vantagem cresce entre homens, mais velhos e eleitores de maior renda

A força de Tarcísio aparece de forma mais clara quando a pesquisa é fatiada por gênero, idade e renda. Entre homens, o governador chega a 50% das intenções de voto. Nesse grupo, o desempenho de seus adversários encolhe, o que amplia a distância em relação ao segundo colocado. Entre eleitores com mais de 60 anos, o índice de apoio ao chefe do Executivo paulista sobe para 55%.

A renda também se torna um divisor na disputa. Entre quem ganha mais de cinco salários mínimos, Tarcísio alcança 56% das preferências e abre larga vantagem sobre seus rivais. No outro extremo, Fernando Haddad aparece numericamente melhor entre os eleitores com renda de até dois salários mínimos. Nesse segmento, o petista marca 40%, contra 39% do governador, configurando um empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

Entre os mais jovens, de 16 a 34 anos, a corrida fica mais apertada. Tarcísio registra 42%, e Haddad aparece com 36%. A diferença menor nessa faixa etária revela um campo de disputa mais aberto, em que propostas, linguagem de campanha e presença nas redes sociais tendem a pesar mais. É também entre os jovens que Kim Kataguiri mostra seu melhor resultado, com 10%.

O desempenho do governador varia ainda conforme o tipo de adversário na simulação de confrontos diretos com figuras de projeção nacional. Em um cenário com Geraldo Alckmin, hoje vice-presidente da República pelo PSB, Tarcísio mantém a dianteira: chega a 48% entre homens e 41% entre mulheres, enquanto Alckmin oscila entre 28% e 38%.

Em uma disputa que exclui Haddad e Alckmin e coloca Simone Tebet, ministra do Planejamento e Orçamento pelo MDB, como principal adversária, o governador amplia ainda mais a vantagem. Ele alcança 51% entre homens e 47% entre mulheres. Tebet aparece com 16% e 26%, respectivamente. Contra Márcio França, ministro do Empreendedorismo, Tarcísio soma 50% entre os homens e 46% entre as mulheres, enquanto o ex-governador fica com 20% e 26%.

Cenário pressiona adversários e redesenha estratégias partidárias

Os resultados mexem com o tabuleiro político paulista e nacional. A vantagem de Tarcísio em praticamente todos os segmentos reforça a aposta do Republicanos em um projeto de reeleição robusto, com potencial de influenciar também alianças para a disputa presidencial. Aliados do governador veem nos números uma confirmação de que sua imagem de gestor e sua agenda de obras e concessões encontram eco em parte significativa do eleitorado.

Para o PT e seus aliados, o quadro exige recalibragem. Haddad aparece consolidado como principal adversário, mas ainda distante do atual governador. O bom desempenho entre eleitores de baixa renda e em faixas mais jovens indica onde o partido pode concentrar esforços. A definição de alianças, o discurso econômico e a capacidade de apresentar uma alternativa concreta à gestão Tarcísio se tornam pontos centrais da estratégia petista.

Siglas tradicionais em São Paulo, como o PSDB, encaram um desafio adicional. Com Paulo Serra na casa de um dígito, os tucanos veem reduzido o espaço que ocuparam por quase três décadas no comando do estado. O desempenho modesto reacende o debate interno sobre renovação de nomes e construção de uma nova narrativa para o eleitor paulista.

As simulações com Alckmin, Tebet e Márcio França também falam para Brasília. A dificuldade desses nomes em ameaçar a liderança de Tarcísio coloca em xeque a capacidade de transferência de prestígio nacional para a disputa estadual. A leitura entre analistas políticos é de que o governador, embora alinhado ao campo conservador, constrói uma base própria em São Paulo, menos dependente da oscilação do cenário federal.

Disputa segue aberta com alta indecisão e campanha por começar

A pesquisa do Realtime Big Data entrevista 2.000 eleitores em todo o estado, com margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. Os números oferecem um retrato de momento, ainda sujeito a mudanças à medida que a campanha se aproxima, as chapas se definem e o debate eleitoral ganha as ruas e as redes.

O índice de 65% de indecisos na pergunta espontânea mostra que boa parte do eleitorado ainda não entrou de fato na disputa. Esse contingente pode redefinir a correlação de forças, principalmente se a economia, a segurança pública e serviços como transporte e saúde sofrerem solavancos até 2026. A partir de agora, a corrida passa a ser não apenas pela preferência atual, mas pela capacidade de convencer quem ainda não escolheu em quem confiar o comando do maior estado do país.

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