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STJD suspende Abel Ferreira por oito jogos no Brasileirão

O técnico Abel Ferreira é suspenso por oito jogos pelo STJD em decisão comunicada nesta sexta-feira (10), por condutas antiéticas em partidas do Brasileirão. O Palmeiras considera a pena desproporcional e prepara recurso para tentar liberar o treinador já nas próximas rodadas.

Gancho pesado às vésperas de clássico

A punição atinge o treinador em um momento sensível da temporada. Em abril de 2026, o Palmeiras disputa a parte inicial do Campeonato Brasileiro, tenta consolidar desempenho após início irregular e se prepara para o clássico contra o Corinthians. Sem o português à beira do campo, a comissão técnica precisa se reorganizar às pressas e rever rotinas de preparação e tomada de decisão durante os jogos.

A decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva reúne dois episódios recentes. Abel recebe seis jogos de suspensão pelo cartão vermelho no clássico contra o São Paulo, em 21 de março, pela oitava rodada, e mais duas partidas de gancho pela expulsão contra o Fluminense, em 25 de fevereiro, pela quarta rodada. A soma leva o treinador ao limite do artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que prevê pena de um a seis jogos para quem adota “conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva”.

Expulsões, súmulas e reação do Palmeiras

No duelo contra o Fluminense, Abel é expulso por falar de forma acintosa com a equipe de arbitragem comandada por Felipe Fernandes de Lima. A súmula registra reclamações insistentes e tom considerado desrespeitoso. Menos de um mês depois, o clássico contra o São Paulo amplia a tensão. O árbitro Anderson Daronco relata ter sido chamado de “cagão” pelo técnico palmeirense. Ao deixar o gramado, Abel chuta uma das bolas de reposição à beira do campo, gesto anotado pelo árbitro e usado como agravante no processo disciplinar.

A sucessão de expulsões leva o caso ao STJD, que analisa as duas partidas em conjunto. O tribunal entende que há reincidência em comportamento agressivo com a arbitragem e decide pelo gancho de oito jogos. A pena, porém, não começa do zero. Abel já cumpre suspensão automática nas rodadas seguintes a cada expulsão e fica fora de dois jogos. Esses compromissos já estão no passado recente, o que reduz o saldo efetivo ainda a cumprir. O clube, no entanto, vê espaço para reduzir a punição com um efeito suspensivo e tenta devolver o treinador ao comando de campo o quanto antes.

Impacto no Brasileiro e no vestiário alviverde

O afastamento de Abel muda a rotina do Palmeiras no Brasileirão. O português é protagonista na beira do gramado, participa ativamente das decisões durante a partida, cobra intensidade, redesenha o time de acordo com o rival e conversa o tempo todo com os jogadores. Sem ele no banco, assistentes assumem a condução técnica, mas a ausência do chefe altera a dinâmica de pressão sobre a arbitragem, o comportamento do elenco e até a relação com a torcida em jogos em casa.

A sequência de oito jogos inclui duelos diretos na parte alta da tabela e o clássico contra o Corinthians, que ganha contornos ainda mais tensos. O Palmeiras já lida com problemas no elenco. O clube perde mais um titular para o Derby e tenta administrar o retorno de Vitor Roque e Paulinho, que ainda recuperam ritmo. Em um cenário de incerteza física de peças importantes, a saída do comandante da área técnica adiciona uma camada extra de risco esportivo. Uma série ruim nesse período pode custar posições na classificação e alterar a projeção de título em 2026.

Recurso, debate disciplinar e próximos capítulos

O departamento jurídico do Palmeiras trabalha para protocolar recurso ainda nesta semana e vai pedir efeito suspensivo da decisão. A estratégia é clara: reduzir a pena ou ao menos permitir a presença de Abel até o julgamento definitivo. Internamente, dirigentes classificam a punição como “totalmente inadequada e desproporcional” em relação aos fatos relatados nas súmulas. O clube sustenta que, embora reconheça excessos, o treinador não agride fisicamente ninguém e já cumpre suspensão automática, o que deveria ser levado em conta com mais peso.

O caso reacende um debate antigo sobre a relação entre técnicos e arbitragem no futebol brasileiro. A repetição de xingamentos à beira do campo e a pressão constante sobre juízes e auxiliares vira alvo de tribunais esportivos, que buscam impor limites mais claros ao comportamento de treinadores. Uma possível redução da pena de Abel pode ser lida como recuo no endurecimento disciplinar. A manutenção do gancho, ao contrário, tende a servir de recado a outros técnicos e dirigentes, às vésperas de um Brasileirão que já começa sob clima de tensão. O tribunal, o clube e o próprio treinador agora escrevem os próximos capítulos de um caso que vai além de um único clube e ajuda a desenhar os contornos de autoridade no futebol nacional.

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