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STJD mantém punição ao Athletico com jogo só para mulheres, crianças e idosos

O Pleno do STJD mantém nesta sexta-feira (data do julgamento) a punição ao Athletico Paranaense por briga generalizada de torcedores no clássico com o Coritiba. O clube perde o mando de campo por um jogo da Série A, paga multa de R$ 15 mil e precisa converter a pena em ação social. A partida da punição tende a ser o duelo com o Corinthians, em 19 de fevereiro, mas o Furacão ainda aguarda definição oficial.

Jogo com público limitado e pressão por segurança

A decisão confirma o que a 6ª Comissão Disciplinar já havia imposto em dezembro: na partida em que cumprirá a pena, o Athletico só poderá receber mulheres, crianças e idosos na Arena da Baixada. O formato, repetido em outros casos recentes do futebol brasileiro, tenta punir a violência sem esvaziar totalmente o estádio e ainda reforça o caráter pedagógico da sanção.

A Confederação Brasileira de Futebol marca para 19 de fevereiro, uma quinta-feira, às 19h30, o jogo contra o Corinthians, pela 2ª rodada do Brasileirão, em Curitiba. O Athletico, porém, evita cravar que será essa a partida de cumprimento da pena. Em nota sucinta, o clube afirma que “assim que houver confirmação em qual partida ocorrerá o cumprimento da pena, o clube informará em seus canais oficiais”. Até lá, a direção concentra atenções no duelo com o Santos, pela 3ª rodada, previsto para o dia 12, também na Arena.

Briga na arquibancada e caminho até a condenação

O caso nasce em uma noite que deveria ficar restrita ao drama esportivo da Série B de 2025. No clássico da 33ª rodada, no Couto Pereira, Athletico e Coritiba empatam por 0 a 0, mas quem chama atenção é a torcida visitante. Nos minutos finais, dezenas de rubro-negros se voltam uns contra os outros no setor destinado ao clube. A pancadaria se espalha pelas cadeiras, com socos, pontapés e torcedores caídos, sob gritos de espanto de quem tenta se afastar.

Vídeos exibidos nas redes registram um homem cercado por agressores e alvo de vários chutes, enquanto a bola ainda rola em campo. A confusão dura vários minutos até a chegada da Polícia Militar ao setor. Ninguém é detido, mas as imagens circulam com força, alimentam o inquérito desportivo e embasam a denúncia no STJD por desordem e briga entre os próprios torcedores do Athletico.

Em dezembro, a 6ª Comissão Disciplinar julga o clube e aplica a perda de mando de campo por um jogo, a restrição de público e a multa de R$ 15 mil, além da obrigação de converter a pena em ação social. O Athletico recorre ao Pleno, última instância da Justiça Desportiva, na tentativa de reduzir ou derrubar a punição. O recurso é analisado nesta sexta-feira e a maioria dos auditores decide manter integralmente a decisão de primeira instância.

Na prática, a conversão da pena em ação social obriga o clube a promover iniciativas concretas, como campanhas educativas, programas com torcedores cadastrados ou projetos voltados à prevenção da violência. O STJD passa a cobrar relatórios e comprovações, e pode endurecer em caso de descumprimento. O gesto também sinaliza ao ambiente político do futebol que a punição não se resume ao resultado de um jogo isolado.

Impacto esportivo, financeiro e simbólico

O Athletico sente a decisão em diferentes frentes. No campo, o time perde o apoio de boa parte de sua torcida em uma partida de Série A, potencialmente contra um rival de grande apelo nacional como o Corinthians. A Arena da Baixada fica limitada à presença de mulheres, crianças e idosos, o que altera o perfil habitual do público e a pressão sonora sobre o adversário. No caixa, a receita com bilheteria diminui e a multa de R$ 15 mil pesa menos que o prejuízo indireto da restrição de ingressos.

O clube também precisa lidar com o desgaste de imagem. Um dos principais símbolos da modernização do futebol paranaense, o Athletico convive com cenas de barbárie produzidas por sua própria torcida organizada. A decisão do STJD joga holofotes sobre o controle de acesso, a identificação de envolvidos e as ações internas de prevenção. A tendência é de que a diretoria intensifique o cruzamento de dados de sócios, câmeras de monitoramento e cadastro de torcedores, em sintonia com o Ministério Público e forças de segurança.

O caso reforça ainda o movimento de endurecimento da Justiça Desportiva em relação à violência nos estádios. Punições que combinam restrição de público com exigência de ações sociais já aparecem como modelo para outros tribunais regionais e para a própria CBF, que costura protocolos de segurança mais rígidos para 2025. Dirigentes enxergam na decisão um recado claro: episódios de briga interna, mesmo sem confronto com rivais, entram no mesmo patamar de gravidade.

Precedentes e próximos capítulos

A manutenção da pena cria um precedente relevante para o futebol brasileiro. Outros clubes que enfrentam problemas com torcidas organizadas passam a olhar para o caso Athletico como termômetro do que podem enfrentar em julgamentos futuros. A combinação entre multa, perda parcial de mando, limitação de público e ação social tende a ser replicada toda vez que houver provas claras de tumulto nas arquibancadas.

O próximo passo é a definição formal de qual partida terá a Arena da Baixada com portões abertos apenas para mulheres, crianças e idosos. Enquanto aguarda a confirmação, o Athletico corre contra o tempo para planejar a logística desse jogo, ajustar a venda de ingressos e comunicar o torcedor. A resposta do clube, dentro e fora de campo, ajuda a medir se a punição será só um episódio na tabela do Brasileirão ou o ponto de partida para uma mudança duradoura na relação entre arquibancada e segurança.

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