Ciencia e Tecnologia

Square Enix mantém Unreal Engine 4 no último Final Fantasy VII Remake

A Square Enix decide manter a Unreal Engine 4 no terceiro e último jogo da trilogia Final Fantasy VII Remake. O anúncio é feito em janeiro de 2026, em entrevista oficial do diretor Naoki Hamaguchi, e encerra meses de expectativa sobre uma possível migração para a Unreal Engine 5.

Decisão privilegia eficiência e continuidade

Naoki Hamaguchi confirma que o encerramento da trilogia seguirá com o mesmo motor gráfico usado em Final Fantasy VII Remake, de 2020, e em Rebirth, lançado em 2024. A avaliação interna sobre a troca de tecnologia se arrasta por pelo menos dois anos e envolve comparações detalhadas entre a Unreal Engine 4 e a versão mais recente, a Unreal Engine 5, hoje referência técnica na indústria.

O diretor explica que o estúdio chega a considerar a mudança, mas decide privilegiar a familiaridade da equipe e o histórico de ajustes feitos no motor atual. “Temos usado a Unreal Engine 4, mas fizemos muitas modificações para atender às nossas necessidades”, afirma Hamaguchi, em entrevista divulgada pela Square Enix. “É mais vantajoso trabalhar com algo que já conhecemos bem e que foi personalizado para o nosso uso.”

A opção por manter a mesma base tecnológica oferece um caminho mais previsível para o fim da trilogia, que reconta um dos jogos mais emblemáticos da história do RPG japonês, lançado originalmente em 1997 para o primeiro PlayStation. Para um projeto de grande orçamento, com dezenas de estúdios parceiros e centenas de desenvolvedores espalhados por diferentes regiões, qualquer migração de motor gráfico implica meses adicionais de ajustes, testes e correções.

Hamaguchi admite que a Unreal Engine 4 já está tecnicamente atrás da Unreal Engine 5, que traz melhorias em iluminação, detalhes de cenário e ferramentas internas de produção. O peso da decisão, porém, recai sobre a capacidade de entregar o capítulo final em um prazo considerado aceitável pelo estúdio e pelo público. Em 2024, o diretor já tinha deixado claro o objetivo: entregar a conclusão da história o mais rápido possível, sem abrir mão da qualidade visual alcançada nos dois primeiros capítulos.

Impacto no cronograma, no visual e no Switch 2

Ao manter a Unreal Engine 4, a Square Enix reduz o risco de atrasos longos e custos extras associados à adoção de uma nova tecnologia. Um salto para a Unreal Engine 5 exigiria reescrever sistemas internos, readequar ferramentas e treinar equipes, um processo que costuma consumir de 12 a 18 meses em produções desse porte. Com a base atual já testada em dois jogos completos, o estúdio aposta em um desenvolvimento mais ágil e previsível.

A decisão também reforça a consistência estética da trilogia. Os dois primeiros capítulos estabelecem um padrão visual reconhecível de personagens, cenários e efeitos, apoiado em anos de refinamento do mesmo motor gráfico. Manter essa base reduz o risco de diferenças bruscas entre um jogo e outro, algo sensível em uma história dividida em três partes interligadas.

No campo comercial, a confirmação da Unreal Engine 4 dialoga diretamente com a estratégia da Square Enix para o sucessor do Nintendo Switch, chamado informalmente de Switch 2. Final Fantasy VII Remake chega ao novo console na semana passada, abrindo espaço para a chegada de Rebirth e, depois, do terceiro jogo. Um motor já adaptado a hardware menos potente facilita essa transição, reduz o custo de portas e amplia o alcance potencial da trilogia.

Hamaguchi indica que todo o planejamento técnico já leva em conta o lançamento no Switch 2, inclusive para o capítulo final. A permanência na Unreal Engine 4, já ajustada para funcionar nesse ambiente, funciona como uma garantia extra de estabilidade. Em um cenário de jogos que ultrapassam 100 GB e exigem atualizações constantes, qualquer economia de tempo em otimização pesa no orçamento e no cronograma.

Trilogia se aproxima do fim e levanta nova expectativa

O diretor revela ainda que o título oficial do terceiro jogo está definido desde o fim de 2025. A escolha fica a cargo do diretor criativo Tetsuya Nomura, que conduz o projeto desde o anúncio do remake, em 2015. O estúdio chega à decisão final após reduzir as opções a dois nomes, em uma etapa que marca simbolicamente o avanço da produção para fases mais concretas.

A confirmação da estratégia técnica não encerra o debate entre jogadores. Parte da comunidade esperava que o último capítulo servisse como vitrine para a Unreal Engine 5, com ganhos visuais perceptíveis. A manutenção da Unreal Engine 4 tende a gerar reações divididas: de um lado, frustração de quem queria um salto gráfico imediato; de outro, alívio entre aqueles que priorizam estabilidade de desempenho e lançamento em prazo razoável.

Para o mercado, a escolha reforça uma postura mais conservadora da Square Enix em relação à adoção de tecnologias de ponta em projetos já em andamento. Em um momento em que grandes produções enfrentam atrasos recorrentes e orçamentos cada vez mais altos, a empresa sinaliza que prefere reduzir riscos no capítulo final de uma de suas marcas mais valiosas. A mensagem é clara para investidores: previsibilidade e controle de custos vêm antes da troca de motor no meio do caminho.

O fechamento da trilogia ainda não tem data oficial, mas o cenário se torna mais nítido. Com o título decidido, o motor gráfico definido e o Switch 2 no radar, a Square Enix entra na reta decisiva de um projeto que atravessa mais de uma década de produção, do anúncio em 2015 ao possível lançamento da parte final na segunda metade desta década. A pergunta que permanece é se a opção pela segurança técnica será suficiente para encerrar a história à altura das expectativas criadas desde 1997.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *