Sósia de Lula rouba a cena em evento do Minha Casa em Maceió
Um sósia de Luiz Inácio Lula da Silva chama atenção em evento do governo federal nesta sexta-feira (23), em Maceió (AL), e arranca risadas do presidente. Vestido com chapéu e camisa iguais às do petista, ele vira personagem inesperado de uma cerimônia criada para celebrar dois milhões de moradias contratadas pelo Minha Casa, Minha Vida.
Momento de humor em meio à agenda de governo
O homem, de aparência semelhante à de Lula, se destaca na plateia montada para o ato em Alagoas. A cena acontece durante discurso do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que interrompe a fala para apontar o sósia ao presidente. De microfone em punho, ele brinca: “Querido presidente Lula, não sei se o senhor viu ali, tem até o sósia do Lula de Alagoas. Veio com o mesmo chapéu e a camisa do senhor. Olhei ali, até estranhei”.
A referência provoca risos entre autoridades, convidados e militantes que acompanham o evento. Sentado ao lado do governador Paulo Dantas (MDB), Lula reage com bom humor e observa o homem no meio do público. O clima leve contrasta com a formalidade de uma cerimônia oficial, cercada de seguranças, assessores e transmissão ao vivo pelas redes do governo.
O episódio rapidamente ganha um lugar próprio dentro da agenda do dia. A presença do sósia vira assunto no palanque e rende comentários entre assessores e jornalistas. O gesto de Padilha, ao trazer a figura do “Lula de Alagoas” para o centro da cena, reforça o esforço do governo em aproximar o presidente do público, inclusive simbolicamente. A escolha da mesma camisa e do mesmo chapéu, itens que Lula costuma usar em viagens ao Nordeste, ajuda a construir essa imagem de identificação.
As imagens do momento, registradas em vídeo, começam a circular ainda durante o evento. Um trecho publicado nas redes do jornal O Globo mostra o ministro apontando para o sósia e o presidente caindo na risada. Em poucos minutos, o recorte é replicado em perfis de apoio e de crítica ao governo, em diferentes plataformas, transformando um detalhe lateral em um dos pontos mais comentados da passagem de Lula por Maceió.
Cerimônia marca 2 milhões de moradias contratadas
O episódio de humor acontece em um ato pensado para projetar números robustos da política habitacional do governo. Lula está em Maceió para celebrar o marco de dois milhões de moradias contratadas pelo Minha Casa, Minha Vida desde o início do mandato, em janeiro de 2023. No mesmo evento, são entregues 1.337 unidades habitacionais, voltadas principalmente a famílias de baixa renda.
O programa, criado em 2009 e reformulado em 2023, é tratado pelo Planalto como uma das vitrines do terceiro mandato. A marca de dois milhões de contratos, atingida em cerca de três anos, é usada pelo governo como resposta concreta a críticas sobre a velocidade da execução das obras. Ao escolher Maceió para a celebração, a equipe de Lula mira o Nordeste, região em que o presidente obteve alguns de seus melhores desempenhos eleitorais e onde o déficit habitacional ainda pressiona prefeituras e estados.
O clima descontraído provocado pelo sósia ajuda a suavizar a solenidade, mas não tira o peso político do ato. O governo busca associar números de contratação a rostos e histórias de famílias que recebem as chaves da casa própria. Cada unidade entregue é apresentada como símbolo de política pública em andamento, em um cenário em que juros altos, restrições orçamentárias e disputa por recursos pressionam programas sociais em todo o país.
A presença de ministros e de Paulo Dantas compõe a moldura política da visita. A cena do “Lula em dobro” serve também como imagem de campanha permanente, mesmo fora do período eleitoral. Ao rir de si mesmo e permitir que a comparação circule, o presidente reforça a ideia de proximidade com o eleitor comum, um traço que o acompanha desde o início da trajetória sindical.
Popularidade, redes sociais e próximos movimentos
O impacto mais imediato do episódio aparece nas redes sociais. O vídeo do sósia viraliza com rapidez, somando compartilhamentos e comentários que vão do humor ao uso político do registro. Perfis aliados destacam o bom humor do presidente e a “lulaização” do público, enquanto opositores tentam minimizar o alcance do Minha Casa, Minha Vida e questionam os resultados divulgados no ato.
O momento, no entanto, reforça um ativo que o governo tenta explorar com frequência: a construção de uma imagem acessível, de presidente disposto a interagir com a plateia e a rir de si mesmo. Em um ambiente de polarização intensa, cenas como essa funcionam como pausas de leveza em agendas carregadas de anúncios, disputas e recados para o Congresso. A figura do sósia, com a mesma roupa e o mesmo chapéu, cristaliza essa leitura de forma visual e facilmente compartilhável.
A tendência é que episódios semelhantes ganhem espaço em próximos compromissos oficiais, estimulados por militantes e simpatizantes que buscam se aproximar da estética do presidente. A comunicação do Planalto acompanha com atenção esse tipo de gesto, que ajuda a ampliar o alcance de cerimônias técnicas para públicos que dificilmente assistiriam a uma transmissão inteira. A viralização do “Lula em dobro” em Maceió indica um caminho para humanizar anúncios de políticas públicas, sem perder de vista os números e as metas exibidas no palanque.
Os próximos movimentos do governo na área habitacional, incluindo novas contratações e entregas regionais, devem manter esse formato híbrido, em que dados e símbolos caminham juntos. A pergunta que permanece é até que ponto momentos de espontaneidade, como o encontro do presidente com seu sósia alagoano, conseguem sustentar a narrativa de um governo próximo da população em um cenário de cobrança crescente por resultados concretos.
