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Sorteio da Champions define caminho até final de 2026 em Londres

A Uefa define nesta sexta-feira (27), em Nyon, os confrontos das oitavas de final da Champions League 2025/26 e o caminho até a decisão de 30 de maio. O sorteio organiza o mata-mata, fixa mandos de campo e redesenha as chances de título para as principais potências do futebol europeu.

Sorteio em Nyon abre fase decisiva do torneio

No auditório da sede da Uefa, na pequena Nyon, às margens do Lago Léman, dirigentes, técnicos e jogadores assistem ao momento que muda a temporada. O sorteio das oitavas não apenas define adversários; ele estabelece a trilha completa até a final, com projeção de possíveis confrontos nas quartas e nas semifinais, sempre com atenção ao mando de campo.

As oitavas estão marcadas para o período entre 10 e 18 de março, em jogos de ida e volta, seguidas pelas quartas entre 7 e 15 de abril e pelas semifinais em 26 de abril e 6 de maio. A final, em partida única, ocorre em 30 de maio de 2026, mais uma vez transformando a Champions no centro do calendário europeu em pouco mais de dois meses de mata-mata intenso.

Os clubes que terminaram a fase de liga como cabeças de chave carregam uma vantagem imediata: decidem em casa nas oitavas. A regra parece simples, mas tem efeito cascata. Se um desses times cai logo na estreia do mata-mata, o adversário que o elimina herda sua posição e também passa a ter o mando de campo nas fases seguintes, sempre que o emparelhamento permitir.

Esse desenho dá peso extra aos jogos de março. Uma vitória fora de casa significa mais do que apenas avanço esportivo. Significa também assumir o posto de favorito estrutural, com estádio cheio e receita reforçada em jogos decisivos, ao longo de abril e início de maio.

Mandos de campo, finanças e pressão esportiva

A lógica dos mandos ajuda a explicar o interesse dos clubes na fase de liga, que substitui o antigo formato de grupos. Quem termina à frente ganha, na prática, uma espécie de escudo competitivo. “Decidir em casa num mata-mata desse nível vale muito mais do que se imagina. Pesa no psicológico, pesa no bolso e pesa na arbitragem”, costuma dizer um dirigente ouvido com frequência em sorteios anteriores.

Em média, um jogo de Champions em casa rende milhões de euros em bilheteria, hospitalidade e consumo em dias de partida, sem contar o impacto na valorização de marcas e transmissão. O avanço às quartas e às semifinais, com mando mantido, pode significar duas ou três datas extras de casa cheia em um intervalo de pouco mais de 30 dias.

Para os atletas, o sorteio desta sexta-feira também redefine metas individuais. Vinicius Jr., hoje um dos principais rostos da competição, entra no mata-mata às portas de marcas históricas. O brasileiro já se torna o maior artilheiro do país em fases eliminatórias da Champions e passa a disputar espaço em listas ao lado de ídolos como Kaká, Ronaldinho e Rivaldo.

As atenções se voltam ao desempenho de jogadores decisivos em noites de Champions, mas o entorno também pesa. O caso recente envolvendo o argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, e denúncias de ofensa racista a Vinicius Jr., negadas pelo clube português, paira sobre o torneio e reforça o debate sobre racismo nos estádios europeus. A Uefa é pressionada a responder não apenas em campo, mas também fora dele, com protocolos mais claros e punições efetivas.

Os confrontos definidos em Nyon têm potencial para produzir reencontros pessoais e esportivos. Técnicos como José Mourinho, adversário histórico de Vinicius Jr. em duelos anteriores, voltam ao radar de torcedores quando o chaveamento sugere um cruzamento possível em quartas ou semifinais. A Champions vive desses enredos paralelos, que se desenham hoje no tablado do sorteio antes de ganharem grama, luz e barulho de estádio.

Calendário apertado e corrida até 30 de maio

O calendário traçado pela Uefa deixa pouco espaço para respiro. Entre 10 de março, data inicial das oitavas, e 30 de maio, dia da final, o torneio comprime até sete jogos decisivos em cerca de 80 dias. Clubes que também disputam ligas nacionais e copas domésticas sabem que qualquer lesão ou suspensão pode deslocar o eixo da temporada.

Com a tabela definida, comissões técnicas ajustam viagens, treinamentos e minutagem de elenco. A estratégia passa a ser quase cirúrgica. Jogadores são poupados em rodadas locais para chegarem inteiros aos dias 10 ou 18 de março. As quartas, entre 7 e 15 de abril, impõem outro pico físico. As semifinais, em 26 de abril e 6 de maio, costumam decidir prêmios, renovação de contrato e até demissões de treinadores.

O sorteio desta sexta-feira, em aparência burocrática, funciona como ponto de partida para tudo isso. Torcedores calculam possíveis rivais rodada a rodada, clubes revisam projeções de receita, patrocinadores ajustam planos de ativação global. A audiência mundial da Champions cresce a cada fase, e a clareza do caminho até 30 de maio ajuda a transformar o mata-mata em produto ainda mais previsível para o mercado e imprevisível para quem entra em campo.

A partir de agora, cada gol marcado ou sofrido entre 10 de março e 6 de maio carrega o peso do que foi decidido em alguns minutos de sorteio em Nyon. Para Vinicius Jr. e outros protagonistas da temporada, a manhã de 27 de fevereiro de 2026 desenha o roteiro possível de feitos inéditos ou frustrações profundas.

A Champions entra em sua fase em que detalhes decidem fortunas esportivas e financeiras. O resto da Europa observa, calcula e se ajusta. A única certeza, neste momento em que as bolinhas ainda esfriam sobre a mesa da Uefa, é que o caminho até 30 de maio está traçado; o que falta descobrir é quem vai conseguir percorrê-lo até o fim.

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