Ciencia e Tecnologia

Sony fecha Bluepoint Games, estúdio de remakes como Demon’s Souls

A Sony encerra as atividades da Bluepoint Games em 19 de fevereiro de 2026, estúdio responsável por remakes de peso como Demon’s Souls e Shadow of the Colossus. A decisão surpreende o mercado e acende um alerta sobre o futuro dos remakes e da preservação de clássicos nos consoles PlayStation.

Estúdio referência em remakes sai de cena

A Bluepoint se torna conhecida justamente por fazer o que poucos estúdios conseguem: atualizar jogos antigos sem apagar o que os tornou especiais. Fundada em 2006, o estúdio ganha relevância com o remake de Shadow of the Colossus, lançado em 2018 para o PlayStation 4, e consolida o prestígio em 2020, com a nova versão de Demon’s Souls para o PlayStation 5. Em menos de dez anos, a empresa se transforma em um sinônimo de remakes de alto orçamento e respeito absoluto ao material original.

A Sony adquire a Bluepoint em 2021, integra o time ao grupo de estúdios PlayStation e a posiciona como peça-chave na estratégia de catálogo. O fechamento agora, pouco mais de quatro anos depois da compra, provoca estranhamento entre jogadores, desenvolvedores e analistas. A companhia não detalha motivos, não informa o número de funcionários afetados e tampouco indica qual projeto está em andamento até a decisão.

Impacto na estratégia da Sony e no mercado

O fim da Bluepoint abre uma lacuna imediata no ecossistema PlayStation. O estúdio é visto como guardião de clássicos que ajudaram a construir a identidade da marca ao longo de mais de 25 anos. Ao apostar em remakes de alto padrão, a Sony prolonga a vida comercial de jogos lançados originalmente em 2005, 2009 e outros períodos anteriores, atraindo tanto veteranos quanto novas gerações. Esse papel agora fica em aberto.

Analistas apontam que a decisão se encaixa em um movimento mais amplo de reestruturação na indústria de jogos, pressionada por custos crescentes e metas de crescimento agressivas. Produzir um remake de grande porte hoje pode custar centenas de milhões de dólares e exigir equipes de centenas de profissionais ao longo de três a quatro anos. A Sony não confirma cortes generalizados, mas o fechamento de um estúdio premiado indica um ajuste de rota que atinge não apenas empregados, mas também a estratégia de catálogo e a fidelização de fãs.

Especialistas em preservação alertam para um efeito colateral menos visível: a perda de um polo especializado em traduzir jogos de gerações antigas para o padrão técnico atual. “Remakes bem feitos não são apenas relançamentos com gráficos melhores, são pontes entre épocas diferentes do videogame”, avalia um pesquisador ouvido pela reportagem. Sem a Bluepoint, aumenta a incerteza sobre quais títulos receberão esse tratamento no futuro próximo.

Futuro dos remakes e próximos passos da Sony

A principal dúvida recai agora sobre o que a Sony pretende colocar no lugar da Bluepoint. A empresa pode optar por internalizar projetos de remakes em outros estúdios próprios, como Santa Monica Studio ou Naughty Dog, ou recorrer a terceirizadas especializadas. Cada escolha implica riscos. Equipes focadas em novas franquias podem se ver divididas entre criar jogos inéditos e revisitar títulos antigos, o que afeta cronogramas e encarece ainda mais o desenvolvimento.

Para o público, o impacto deve aparecer no médio prazo. Remakes de alto nível costumam levar de três a cinco anos para ficarem prontos, o que significa que projetos engatilhados agora só chegam à prateleira no final desta década. Se a Sony não apresentar, nos próximos meses, um plano claro para o legado do PlayStation, cresce o espaço para concorrentes e para plataformas que se apoiam em retrocompatibilidade ampla, como forma de preservação. A pergunta que fica é se o fechamento da Bluepoint representa apenas um ajuste pontual de estratégia ou o fim de uma era em que remakes de luxo são vistos como peça central no negócio de grandes fabricantes.

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