Sisu 2026 abre inscrições para 274 mil vagas em todo o país
O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2026 abre nesta segunda-feira (19) as inscrições para ingresso em universidades e institutos federais. Candidatos de todo o país podem se inscrever gratuitamente até 23 de janeiro para disputar mais de 274 mil vagas em cursos superiores públicos.
Janela decisiva para acesso ao ensino superior público
O começo do período de inscrições transforma a semana em uma espécie de vestibular silencioso, mediado apenas pela tela do computador ou do celular. Em vez de filas e provas em papel, o que define o futuro dos candidatos é a inscrição on-line no sistema oficial do Sisu, que concentra vagas de instituições públicas em 587 municípios brasileiros.
A edição de 2026 oferece mais de 274 mil vagas distribuídas em 7,3 mil cursos superiores, em universidades e institutos federais e estaduais. A inscrição é gratuita, o que reduz barreiras para estudantes de baixa renda e reforça o caráter de política pública de acesso à universidade. Quem planeja disputar uma vaga precisa acompanhar de perto as notas de corte diárias, que costumam redesenhar estratégias até os minutos finais do prazo.
Disputa acirrada e efeito sobre a trajetória dos jovens
O Sisu se consolida, desde sua criação em 2010, como o principal caminho de entrada em universidades públicas sem a realização de vestibulares próprios. Na prática, concentra expectativas de milhares de jovens que veem na graduação gratuita a chance concreta de mobilidade social. O volume de vagas em 2026 amplia o alcance do programa, ao espalhar oportunidades por cidades grandes e médias, do interior aos grandes centros.
A escolha do curso e da instituição, porém, continua sendo um momento de tensão. Mudanças na nota de corte ao longo dos dias podem derrubar a segurança do candidato e forçá-lo a recalcular sua aposta. Quem mira carreiras mais disputadas, como Medicina, Direito ou Engenharia, precisa lidar com uma disputa acirrada, marcada por diferenças de décimos na classificação final. Em cursos de alta demanda, uma alteração de poucos pontos na nota de corte pode significar a perda de um ano inteiro de preparação.
Em escolas públicas e cursinhos populares, o início das inscrições mobiliza orientadores e professores. É comum que instituições de ensino montem plantões de dúvida para orientar alunos na navegação pelo sistema, na leitura das notas parciais e na comparação entre cursos em diferentes estados. O processo on-line, apresentado como simples, ainda representa uma barreira para quem tem acesso limitado à internet ou não domina o jargão educacional.
Especialistas em educação destacam que o calendário apertado, de apenas cinco dias, exige preparo prévio. Planejamento de curso, turno, cidade e possibilidade de mudança de estado precisa estar definido antes da abertura do sistema, sob risco de decisões impulsivas. A disputa por vagas em 587 municípios também escancara desigualdades regionais: em algumas regiões do país, há poucas opções de cursos em áreas específicas, o que empurra estudantes para deslocamentos longos ou para o ensino privado.
Impacto na inclusão social e no sistema público de ensino
O desenho do Sisu 2026 reforça o papel do exame como porta de entrada para políticas de inclusão, como as reservas de vagas para estudantes de escola pública, pessoas de baixa renda, pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência. Ao concentrar mais de 274 mil vagas em 7,3 mil cursos, o sistema cria um grande painel nacional de oportunidades, mas também evidencia que o acesso não é homogêneo entre regiões e grupos sociais.
A oferta espalhada por 587 municípios demonstra a capilaridade da rede pública de ensino superior, formada por universidades federais, institutos federais e instituições estaduais que aderem ao sistema. Em localidades onde o campus de uma universidade é a principal estrutura de ensino superior, a abertura de vagas impacta não apenas estudantes, mas também a economia local, o mercado de trabalho e a dinâmica cultural.
As inscrições gratuitas funcionam como um fator de democratização relevante. Ao eliminar a cobrança de taxas, o Sisu reduz o custo de tentativa e permite que candidatos de baixa renda concentrem recursos em transporte, alimentação e materiais de estudo. A possibilidade de se candidatar a cursos em outros estados sem sair de casa, por meio da plataforma digital, amplia o leque de escolhas, ainda que nem todos consigam arcar com uma eventual mudança.
A cada edição, o sistema alimenta também um debate sobre qualidade e permanência. Conseguir a vaga é apenas o primeiro passo. A permanência no curso ainda depende de políticas de assistência estudantil, como bolsas de auxílio, moradia universitária e restaurantes a preços reduzidos, fundamentais para manter na universidade os alunos que ingressam pelo Sisu. Sem esse suporte, parte do potencial de inclusão social se perde ao longo do caminho.
O que observar até o fim do prazo e o que vem depois
Ao longo dos dias de inscrição, o comportamento das notas de corte deve orientar ajustes de estratégia dos candidatos. Quem acompanha o sistema diariamente avalia se permanece na mesma opção de curso ou se migra para uma alternativa com disputa menor. A decisão envolve não apenas a vontade pessoal, mas também uma leitura fria das chances reais de aprovação, em um jogo de cálculo que se estende até a noite de 23 de janeiro.
Encerrado o prazo, o Ministério da Educação divulga o resultado da chamada regular e as instituições iniciam suas rotinas próprias de matrícula. Vagas ociosas tendem a ser preenchidas por meio de listas de espera, o que prolonga a expectativa para quem fica a poucos pontos da nota de corte. A experiência dos últimos anos indica que o debate sobre o Sisu não termina com a publicação das listas: volta à cena sempre que se discute financiamento universitário, redução de desigualdades e papel do ensino superior público no desenvolvimento do país. A edição de 2026, com sua oferta de mais de 274 mil vagas em 587 municípios, recoloca uma pergunta central: quem consegue, de fato, transformar essa oportunidade em diploma e mudança de vida?
