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Sem Neymar e Gabigol, ataque do Santos patina e vive contagem regressiva

O Santos empata por 1 a 1 com o Guarani neste domingo (18), volta a desperdiçar chances claras e escancara a dependência de Neymar e Gabigol em pleno início de 2026. A direção corre para ter o retorno dos dois atacantes e ainda tenta a contratação de Michael para reanimar o setor ofensivo nas próximas semanas.

Ano começa com gol perdido e impaciência na arquibancada

A noite na Vila Belmiro começa promissora. O Santos abre o placar, controla o Guarani, empilha oportunidades e parece perto da segunda vitória no Paulistão. O roteiro muda nos acréscimos, com o empate por 1 a 1 no último lance e uma sensação conhecida para o torcedor: o time cria, mas não mata o jogo.

Barreal perde pelo menos duas chances cara a cara com o goleiro. Lautaro Díaz falha na conclusão logo depois do gol santista. As oportunidades se acumulam e, junto com elas, cresce a percepção de que falta peso no ataque. Sem Neymar em campo e com Gabigol fora da lista de relacionados, a equipe de Juan Pablo Vojvoda produz, mas esbarra na finalização.

O resultado mantém o Santos em situação ainda administrável no grupo, mas acende alerta para uma temporada que promete ser de reconstrução. Em três rodadas de Paulistão, o time já sente a ausência dos protagonistas que deveriam conduzir o projeto de 2026. A paciência das arquibancadas, depois de um 2025 irregular, não é ilimitada.

Dependência dos astros expõe fragilidade do elenco

Gabigol vive um cenário menos grave. O camisa 9 sente desconforto muscular, fica apenas no banco na derrota por 1 a 0 para o Palmeiras e, contra o Guarani, nem é relacionado. O planejamento do departamento médico e da comissão técnica é claro: preservar agora para evitar um problema maior no calendário que se afunila em fevereiro.

A expectativa interna é de que o atacante volte já nesta quinta-feira (22), às 19h30, na Vila Belmiro, diante do Corinthians. A partida ganha contornos de termômetro para o ambiente do clube. Com gols escassos e pontos desperdiçados, o retorno de Gabigol representa mais do que reforço técnico. É um recado de que o time mais badalado do país volta a ter sua referência em campo.

Neymar encara um caminho mais longo. Submetido a artroscopia no menisco medial do joelho esquerdo no fim de 2025, o camisa 10 ainda não treina com o elenco. O cronograma atual projeta a estreia de 2026 para a sequência de duelos contra o São Paulo, no fim de janeiro e início de fevereiro, primeiro pelo Paulistão, no dia 31, depois pelo Brasileirão, em 4 de fevereiro.

A comissão técnica trabalha com um retorno gradual, com minutos controlados, antes de qualquer sequência como titular. O departamento médico busca evitar recaídas em um ano que, para o Santos, tem peso simbólico. O clube tenta se recolocar entre os protagonistas nacionais após temporadas em que flertou mais com o drama do que com o protagonismo.

A previsão interna é que Neymar e Gabigol iniciem uma partida juntos apenas em meados de fevereiro, se não houver novo contratempo físico. O desenho é de um Santos com sua dupla de estrelas em ritmo competitivo na reta decisiva do estadual e na largada do Brasileirão. Até lá, Vojvoda administra um time que se equilibra entre posse de bola e nervosismo na hora de concluir.

Mercado aquecido e pressão por respostas rápidas

A dificuldade recente para transformar volume de jogo em gols não se explica apenas pelas lesões. O Santos perde, ao fim de 2025, o artilheiro Guilherme, responsável por boa parte da produção ofensiva na temporada passada. A saída abre um buraco num setor que já chegava pressionado pela expectativa em torno de Neymar e Gabigol.

Diante do cenário, a diretoria corre no mercado. O alvo mais adiantado é Michael, atacante em processo de saída do Flamengo. Entre o jogador e o Santos, o acerto é dado como encaminhado, restando o entendimento final entre os clubes. A chegada do ponta, veloz e acostumado a atuar em times dominantes, é vista como antídoto imediato para a falta de profundidade no elenco.

A leitura interna é de que o trio Neymar, Gabigol e Michael pode reconstruir parte da aura ofensiva que o clube exibe em outras eras, dos Meninos da Vila aos ciclos mais recentes de times propositivos. A diferença agora está na urgência. O Paulistão de 2026 funciona como laboratório, mas também como vitrine. Uma campanha irregular nos primeiros meses cobra preço alto na confiança, na bilheteria e na relação com a torcida.

Juan Pablo Vojvoda tenta encontrar soluções de curto prazo enquanto espera pelos reforços. Ajusta posicionamento, mexe na forma de pressionar e aposta em volume ofensivo para compensar a falta de precisão. O empate com o Guarani, depois de tantas chances desperdiçadas, expõe o limite desse plano: sem definidores em forma, a margem de erro é pequena.

Contagem regressiva e teste de paciência para 2026

Os próximos dias concentram decisões que podem redesenhar a temporada santista. A volta de Gabigol contra o Corinthians, marcada para quinta-feira, é o primeiro passo para aliviar a pressão sobre o ataque. Um gol em clássico, diante de um rival direto, tem potencial para mudar o clima em 90 minutos.

O retorno de Neymar, previsto para o fim de janeiro e início de fevereiro, projeta outro tipo de impacto. Não se trata apenas da presença do principal nome do futebol brasileiro recente. A estreia em 2026, possivelmente contra o São Paulo, simboliza o início de um ciclo em que o Santos se propõe a ser protagonista e não apenas coadjuvante em seus próprios campeonatos.

A contratação de Michael, se confirmada nos próximos dias, fecha o desenho de um ataque capaz de entregar números e espetáculo. A questão passa a ser quanto tempo o torcedor está disposto a esperar até ver esse trio em campo em alta rotação. O Paulistão de 2026 começa com gols perdidos e ansiedade nas arquibancadas. O calendário aponta fevereiro como o mês em que o ataque santista enfim terá a chance de provar se está à altura da expectativa.

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