Secretário dos EUA diz que Estreito de Ormuz “será reaberto”
O secretário dos Estados Unidos Chris Wright afirma nesta quinta-feira (12) que o Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, “precisa ser e será reaberto”. A declaração, dada ao programa “CNN News Central”, reforça que Washington vê o desbloqueio da rota como condição central para encerrar o conflito com o Irã.
Rota estratégica volta ao centro da guerra
Wright é questionado se os EUA poderiam declarar vitória caso a passagem marítima continuasse fechada. Ele não hesita. Diz que a reabertura do estreito segue como objetivo fundamental da campanha militar e diplomática liderada por Washington.
O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Em média, um quinto de todo o petróleo consumido no planeta passa por ali. Em alguns anos, a região concentra mais de 30% das exportações marítimas globais de petróleo e gás. Qualquer interrupção duradoura na rota pressiona preços, desorganiza cadeias de abastecimento e acende alertas em bancos centrais e investidores.
Wright vincula o atual impasse a uma disputa longa com Teerã. “As Forças Armadas americanas estão lá para resolver um problema de longo prazo: o Irã teve, por 47 anos, a capacidade de ameaçar o Estreito de Ormuz, e em breve o Irã terá armas nucleares e um programa de mísseis massivo em torno disso”, afirma.
O prazo de 47 anos citado pelo secretário remete ao período pós-Revolução Islâmica, em 1979, quando a guarda revolucionária iraniana passa a projetar poder sobre o Golfo. Desde então, exercícios navais, testes de mísseis e ataques a navios civis mantêm o estreito como um ponto permanente de tensão entre Teerã e Washington.
Pressão econômica e risco de desabastecimento
A fala do secretário ocorre em um momento de sensibilidade nos mercados. Investidores acompanham, dia a dia, o impacto da paralisação parcial do tráfego em Ormuz sobre os preços da energia. Analistas lembram que, em episódios anteriores de tensão na região, o barril de petróleo Brent salta mais de 10% em poucos dias, suficiente para encarecer combustível, transporte e alimentos em vários continentes.
Wright admite que a estratégia americana cobra um preço imediato. “Então, sim, é preciso passar por um sofrimento de curto prazo para resolver um problema de longo prazo”, diz. O “sofrimento” ao qual ele se refere inclui frete marítimo mais caro, seguros elevados para navios que se aproximam do estreito e custos extras para países que dependem de importações de petróleo do Golfo, entre eles grandes economias da Ásia e da Europa.
Especialistas em energia calculam que, se Ormuz permanecer bloqueado por semanas, a oferta global de petróleo pode encolher em milhões de barris por dia, mesmo com o uso de rotas alternativas. Países produtores tentam redirecionar parte dos embarques por oleodutos internos ou portos secundários, mas nenhuma solução compensa totalmente a perda de uma passagem por onde circulam, em média, dezenas de superpetroleiros por dia.
No Brasil, companhias de combustíveis acompanham o desenrolar da crise. Uma escalada prolongada tende a chegar às bombas em forma de aumento de gasolina e diesel, com efeito em cascata sobre transporte de cargas, alimentos e inflação. Bancos e gestores de fundos voltados a energia reavaliam projeções para 2026, ano em que o crescimento global já enfrenta incertezas políticas e fiscais.
Cooperação internacional e próximos passos
Wright sinaliza que a solução passa por coordenação com aliados. “Vocês verão os Estados Unidos trabalhando com outras nações para permitir o retorno do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz”, afirma. O recado mira parceiros da Europa, do Golfo e da Ásia, que dependem diretamente da rota e pressionam por garantias de segurança para suas frotas civis.
Segundo o secretário, as Forças Armadas americanas concentram esforços em enfraquecer a capacidade iraniana de ameaçar navios comerciais. Isso inclui vigilância aérea e naval, operações de dissuasão e apoio a coalizões internacionais de escolta. A ideia é reduzir o risco de ataques, minas ou bloqueios que impeçam o livre trânsito na região.
A ofensiva, no entanto, tem custo político. Ações mais incisivas dos EUA podem levar Teerã a responder com testes de mísseis, incidentes com embarcações ou avanços no programa nuclear, aprofundando o impasse. Países europeus tentam abrir espaço para negociações, em paralelo ao reforço militar, para evitar que o estreito se torne palco de confronto direto.
A reabertura plena de Ormuz, se confirmada nos próximos meses, tende a aliviar a pressão sobre o preço do petróleo e a reduzir a volatilidade nos mercados financeiros. Também pode redefinir a arquitetura de segurança marítima na região, com novas regras de cooperação, compartilhamento de informações e patrulhas conjuntas.
A entrevista de Wright deixa claro que, para Washington, a crise atual não se limita ao estreito em si, mas ao futuro da capacidade iraniana de chantagear o mundo com a rota. A pergunta que permanece é se será possível neutralizar essa ameaça sem desencadear uma escalada regional que torne a própria reabertura de Ormuz ainda mais distante.
