Savarino estreia como titular, divide torcida e vê Soteldo decidir
Savarino estreia como titular do Fluminense na noite chuvosa de 8 de fevereiro de 2026, contra o Maricá, no Rio. O venezuelano atua aberto pela ponta, participa de jogadas importantes, mas deixa o campo antes do gol da vitória e vê sua atuação virar tema de debate imediato entre tricolores nas redes sociais.
Primeira chance sem pressão e gramado encharcado
O Fluminense entra em campo já campeão da Taça Guanabara. Os resultados da rodada garantem a taça antes do apito inicial, reduzem a pressão e abrem espaço para testes de Luís Zubeldía. A chuva forte sobre o Rio de Janeiro torna o jogo contra o Maricá, no entanto, menos amistoso do que o contexto sugere.
Savarino veste a camisa 11 e começa pela primeira vez entre os titulares. Ele ocupa o lado direito no papel, mas circula também pela esquerda, tentando se aproximar de Ganso e Kevin Serna. A ideia é clara: dar ritmo ao venezuelano e entender como ele se encaixa em um setor de campo cada vez mais disputado.
O primeiro tempo mostra um Fluminense dominante, mas pouco objetivo. O time se instala no campo adversário, especialmente pelo lado esquerdo, com Serna, Ganso e Guilherme Arana, e empurra o Maricá para perto da própria área. A posse de bola é tricolor, o volume também, mas as finalizações não traduzem o controle.
Aos 26 minutos, John Kennedy recebe em profundidade, finaliza cruzado e obriga Yuri a fazer boa defesa. Savarino aparece atento no rebote, pronto para completar a jogada, mas a defesa do Maricá se recupera antes do chute. É o lance mais claro do venezuelano na etapa inicial, um sinal de presença na área, mas sem o desfecho que ele precisa para ganhar confiança.
O Maricá responde como pode. Tenta bolas longas às costas da zaga, aposta em contra-ataques esporádicos, mas esbarra na linha defensiva montada por Zubeldía. O jogo se arrasta em 0 a 0, com o Fluminense melhor, porém previsível. A sensação no intervalo é de que falta alguém para acelerar a partida no terço final do campo.
Atuação dividida e concorrência acirrada pelas pontas
O segundo tempo começa com mais intensidade tricolor. Guga e Ignácio acionam o lado direito, enquanto Savarino aparece com mais frequência pela esquerda. Em menos de 10 minutos, o Fluminense cria três boas oportunidades e prende o Maricá na própria intermediária. O camisa 11 participa de triangulações, busca o fundo, tenta o drible curto, mas ainda não encontra o lance que o destaque exige.
As redes sociais se movimentam em paralelo ao jogo. Parte da torcida vê evolução no venezuelano e aprova a escolha de Zubeldía. Outra parte cobra mais agressividade, questiona o posicionamento aberto na ponta e pede uma função mais próxima da área. “Não é jogador de ficar colado na linha”, escreve um torcedor. “Precisa de mais liberdade por dentro”, insiste outro. Há também quem vá na direção contrária: “Boa estreia como titular, participou bastante, o gol vai sair”.
Aos 22 minutos, Zubeldía mexe. O técnico chama Soteldo e Lucho González para o campo. Savarino e Otávio deixam o gramado. No lance seguinte, Soteldo recebe pela esquerda, levanta a cabeça e cruza na medida. Serna se antecipa, testa firme e marca o gol da vitória sob chuva pesada. O relógio mal registra um minuto entre a substituição e a assistência do camisa 7.
O contraste alimenta o debate. Enquanto Soteldo precisa de um toque na bola para mudar o jogo, Savarino sai sem números decisivos, apesar da participação constante. A discussão não é apenas sobre uma partida isolada, mas sobre hierarquia no elenco e desenho tático para a sequência da temporada. O venezuelano sabe que disputa posição em um corredor onde Soteldo, Serna e até jovens da base oferecem soluções imediatas.
O gol não encerra o domínio do Fluminense. Poucos minutos depois, Ignácio aparece na área e obriga Yuri a outra grande defesa. Na reta final, Matheus Reis infiltra pelo meio, recebe de Soteldo e perde chance clara, travado novamente pelo goleiro do Maricá. O 1 a 0 parece curto pelo volume criado, porém suficiente para coroar a campanha que entrega ao elenco o troféu da Taça Guanabara diante da própria torcida.
Disputa por vaga, paciência da torcida e próximos passos
A estreia de Savarino como titular não altera o título já garantido, mas mexe com o tabuleiro ofensivo de Zubeldía. A performance de Soteldo após entrar em campo, com assistência imediata, reforça a imagem de jogador decisivo em jogos travados. O venezuelano recém-chegado, por sua vez, encara o desafio de justificar o investimento e transformar participação em números concretos de gol e passe.
A pressão não é oficial, mas existe. A torcida do Fluminense acompanha redes sociais minuto a minuto, reage a cada drible, perda de bola e substituição. O ambiente digital amplia elogios e críticas em tempo real. A atuação de Savarino vira um termômetro dessa expectativa. Não há vaia no estádio, não há julgamento definitivo, mas há cobrança clara para que o camisa 11 se firme como peça confiável nas fases decisivas do ano.
Zubeldía ganha, ao menos, uma certeza. O elenco oferece alternativas em praticamente todas as funções ofensivas. Pode montar time com pontas abertos, com meia por dentro, com dupla de atacantes móveis. A chuva contra o Maricá esconde parte das virtudes técnicas de Savarino, mas não apaga a mensagem central da noite: quem entra precisa responder rápido, porque a concorrência não espera.
As próximas semanas devem mostrar se a primeira titularidade abre caminho para uma sequência ou se o venezuelano volta ao papel de opção no banco. O calendário aperta, com clássicos e fases mata-mata no horizonte. Cada minuto em campo passa a valer mais. Para Savarino, o jogo contra o Maricá marca o início de uma disputa silenciosa por espaço em um time que já sabe ganhar sem ele como protagonista. A pergunta que fica é se, na próxima decisão, ele estará em campo para ver o gol da vitória ou para finalmente participar diretamente dele.
