São Paulo vence a Chapecoense e assume liderança do Brasileirão
O São Paulo vence a Chapecoense por 2 a 0 nesta quinta-feira, 12 de março de 2026, no Canindé, e assume a liderança do Campeonato Brasileiro. A vitória marca a estreia de Roger Machado no comando tricolor e reforça o início promissor da equipe na competição.
Chuva, pressão e estreia com peso de liderança
O cenário no Canindé ajuda a contar a história da noite. Sob chuva constante e gramado encharcado, o São Paulo entra em campo sabendo que a liderança está ao alcance. A combinação de resultado próprio e tropeço do Palmeiras, derrotado pelo Vasco no Rio e estacionado nos 10 pontos, abre a porta para o time tricolor, que chega aos 13 pontos e assume o topo da tabela na quinta rodada.
A estreia de Roger Machado adiciona tensão ao ambiente. O treinador encontra um elenco em formação, pressionado por anos de oscilação no Brasileiro, mas disposto a usar 2026 como ponto de virada. A resposta vem rápido. Desde o apito inicial, o São Paulo ocupa o campo defensivo da Chapecoense, adianta as linhas e tenta acelerar a troca de passes, mesmo com a bola presa em poças d’água.
O domínio territorial, porém, não se traduz de imediato em chances claras. O time catarinense se fecha, encurta o espaço entre defesa e meio e aposta em saídas rápidas. A chuva piora o gramado e transforma o jogo em batalha física. A partir dos 15 minutos, jogadores escorregam, passes morrem nas poças e o chutão ganha espaço como saída de segurança. O São Paulo insiste, mas precisa ajustar a forma de atacar.
A primeira grande oportunidade vem aos 27 minutos, com Bobadilla aparecendo na área. O chute é travado na hora certa pela zaga da Chapecoense, que resiste sob pressão. O lance desperta o time tricolor. O ritmo aumenta. Aos 36, Lucas Ramon arrisca pelo lado direito, obriga Léo Oliveira a boa defesa e expõe a dificuldade do São Paulo em transformar o controle em vantagem no placar.
As arquibancadas respondem ao crescimento da equipe. O volume ofensivo aumenta. Aos 39, Luciano testa firme e para de novo em Léo Oliveira. Aos 47, é a vez de Calleri subir sozinho. A cabeçada parece gol certo, mas o goleiro catarinense segura mais uma. A Chapecoense, mesmo acuada, quase muda a narrativa no último lance da etapa inicial. Aos 48, Everton acerta chute potente de fora da área, e Rafael aparece atento para evitar o castigo.
Luciano entra para a história e Calleri amplia a vantagem
O intervalo não esfria o São Paulo. A conversa no vestiário dá resultado imediato. A equipe volta mais agressiva, com linhas ainda mais adiantadas e disposição para acelerar em bolas longas. Aos dois minutos do segundo tempo, Marcos Antonio enxerga a brecha nas costas da zaga. O lançamento cai na medida para Luciano, que completa de cabeça e faz 1 a 0.
O gol tem peso que vai além da tabela. É o 106º de Luciano com a camisa tricolor, número que o coloca como o 17º maior artilheiro da história do clube. O atacante vibra, aponta para o escudo e é cercado pelos companheiros. O estádio explode. A marca ajuda a explicar a relevância do momento: um líder técnico e emocional coloca o São Paulo na frente justamente no jogo que vale a liderança nacional.
Em desvantagem, a Chapecoense não tem alternativa a não ser se expor. O time adianta a marcação, tenta sair mais com a bola no chão e busca o empate. O movimento, porém, abre o campo que o São Paulo queria desde o início. Aos 14 minutos, a estratégia se converte em placar. Calleri recebe na área e conclui com a eficiência que o torcedor conhece. O 2 a 0 não apenas amplia a vantagem, como praticamente define o rumo da partida.
A partir daí, o domínio tricolor se torna total. O time administra a posse, gira o jogo de um lado para o outro e encontra espaços em um rival desgastado. Bobadilla tem duas boas chances. Em uma delas, solta uma bomba da intermediária que explode na trave, arrancando um uníssono lamento das arquibancadas. A sensação é de que o placar poderia ser ainda mais largo.
O roteiro só sofre uma interrupção inesperada aos 31 minutos, durante a parada para hidratação. Uma das torres de iluminação do Canindé apaga e cria um hiato de alguns minutos na partida. A pausa não muda o panorama. Quando a luz volta, aos 35, o São Paulo retoma o controle com naturalidade. A Chapecoense tenta reagir no fim, empurra a equipe para frente e busca ao menos um gol para amenizar o prejuízo, mas esbarra na defesa bem postada e na falta de força ofensiva.
Liderança, moral em alta e pressão renovada
A vitória por 2 a 0 recoloca o São Paulo em um lugar que o torcedor cobra há anos: a parte de cima da tabela do Brasileiro. Com 13 pontos em cinco jogos, o time lidera a competição e deixa para trás o rival Palmeiras, que estaciona nos 10 após a derrota para o Vasco. A diferença de três pontos ainda é curta, mas suficiente para mudar o clima no clube e no entorno.
O resultado também redesenha a geografia da parte intermediária da classificação. A Chapecoense, que soma quatro pontos em cinco jogos, permanece longe da zona de rebaixamento, mas vê crescer o risco de ser empurrada para baixo se não reagir nas próximas rodadas. A atuação em São Paulo mostra organização tática e capacidade de competir sob pressão, mas evidencia limitações no último terço do campo.
Para Roger Machado, a estreia com vitória e liderança funciona como aval imediato ao seu trabalho. O técnico herda um elenco acostumado a alternar bons momentos com queda brusca de rendimento ao longo dos campeonatos. A primeira impressão, contudo, é de um time intenso, com bloco alto e claro entendimento de espaços, mesmo em condições adversas de gramado. “O mais importante é ver a equipe se impondo, não abrindo mão de jogar e entendendo o momento do jogo”, afirma, em tom sereno, após deixar o gramado sob aplausos.
A confiança nas arquibancadas também muda de patamar. A liderança logo na quinta rodada alimenta a sensação de que 2026 pode ser diferente dos últimos anos, marcados por campanhas irregulares e flertes com a parte baixa da tabela. O torcedor não fala em título abertamente, mas celebra o início consistente, a solidez defensiva e a capacidade de decidir com seus principais nomes, como Luciano e Calleri.
Próximos desafios e a prova de fogo do novo líder
O calendário não oferece tempo para celebrações prolongadas. O São Paulo volta a campo no fim de semana, pela sexta rodada, já com o rótulo de líder nacional. A posição em cima da tabela aumenta a responsabilidade e transforma cada jogo em exame de maturidade. Adversários passam a estudar com mais atenção o modelo de Roger Machado, que agora precisa mostrar variações para quando o rival se fecha ainda mais ou pressiona alto desde o início.
Para a Chapecoense, o desafio é psicológico e tático. A derrota em São Paulo não altera de forma drástica a situação na tabela, mas serve de alerta sobre a necessidade de pontuar contra rivais diretos na parte intermediária. A equipe catarinense tenta preservar os aspectos positivos da atuação, como a organização defensiva no primeiro tempo, e encontrar alternativas ofensivas para não depender apenas de lampejos individuais.
O novo líder do Brasileiro encerra a noite com a sensação de missão cumprida, mas com uma pergunta que acompanha qualquer candidato ao título desde cedo: o futebol apresentado sob chuva no Canindé é ponto de partida ou o melhor que este São Paulo consegue entregar?
