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São Paulo vence a Chape sob chuva e assume liderança do Brasileirão

O São Paulo de Roger Machado vence a Chapecoense por 2 a 0, nesta quinta-feira (12), no Canindé, mantém a invencibilidade e assume a liderança do Brasileirão. Luciano e Calleri marcam sob forte chuva e embalam a estreia do novo técnico diante de uma torcida desconfiada, mas ruidosa.

Estreia sob chuva e desconfiança

A noite em São Paulo começa pesada, com céu carregado e gramado escorregadio no estádio do Canindé. Em campo, o clima reflete a tensão da primeira partida de Roger Machado à frente do Tricolor. Depois de uma chegada cercada por dúvidas e comparações com o trabalho de Hernán Crespo, o treinador sabe que precisa de uma resposta rápida para ganhar tempo e confiança.

Os primeiros minutos ajudam pouco. A chuva forte trava o ritmo, a bola prende em poças e as duas equipes criam pouco. Luciano arrisca em cobrança de falta, mas manda para fora. Calleri tenta resolver sozinho em jogada pela esquerda, invade a área e rola para o meio. Bobadilla e Lucas se lançam na bola, porém a defesa da Chapecoense afasta e esvazia o lance.

O jogo só ganha corpo depois dos 30 minutos. Lucas Ramon testa de longe, obriga Léo Vieira a esticar o corpo e mandar para escanteio. O São Paulo passa a rondar a área catarinense com mais frequência. Em cruzamento preciso de Calleri, Luciano aparece livre e finaliza forte, mas o goleiro da Chape reage rápido e evita o gol, em sua melhor defesa na noite.

A resposta da Chapecoense surge no fim do primeiro tempo. Everton aproveita sobra após inversão para a direita, ajeita o corpo e bate cruzado, com muito perigo. Rafael, que até então pouco trabalhara, acompanha com os olhos enquanto a bola passa rente à trave. O intervalo chega sem gols, mas com o alerta ligado para os dois lados.

Gols, liderança e um novo ciclo

O segundo tempo começa com o São Paulo em outra rotação. Logo no primeiro minuto, Marcos Antônio recebe pela direita e levanta na medida. Luciano se antecipa à marcação, testa firme e abre o placar no Canindé. O 1 a 0 muda o jogo, o ambiente e a relação da arquibancada com o novo técnico.

A equipe de Roger passa a controlar o meio-campo com mais segurança. Marcos Antônio distribui o jogo, Bobadilla ganha confiança para conduzir a bola e Lucas encontra espaços entre as linhas da Chapecoense. Aos 14 minutos, o trio participa do lance que define o placar. Marcos Antônio encontra Luciano por dentro, o camisa 10 ajeita de primeira e aciona Bobadilla. O volante parte para cima da marcação e serve Calleri, livre na área, para empurrar e fazer 2 a 0.

A partir daí, o São Paulo administra a vantagem com maturidade, mesmo com o campo pesado. Roger, que na véspera afirmara que “bastou um telefonema” para aceitar o convite e que confiava em conquistar a torcida com trabalho, vê em campo um time mais parecido com seu discurso. A equipe sobe a 13 pontos em cinco rodadas, com quatro vitórias e um empate, e mantém a invencibilidade no Brasileirão de 2026.

A Chapecoense sente o golpe. Com apenas cinco pontos e na 12ª colocação, o time de Gilmar Dal Pozzo tenta reagir em bolas esticadas para Bolasie e em avanços de Jean Carlos, mas para na boa atuação da zaga tricolor. Quando encontra espaço, esbarra em Rafael, seguro nas saídas pelo alto em uma noite de muitos cruzamentos e escanteios.

O São Paulo ainda chega ao terceiro gol, em bela trama pela direita. Marcos Antônio recebe lançamento de Lucas, tabela com Bobadilla e finaliza para as redes. A comemoração dura pouco. O bandeira aponta impedimento, o VAR confirma a posição irregular e o placar volta a marcar 2 a 0. O lance, no entanto, reforça a sensação de superioridade tricolor no segundo tempo.

Pressão, confiança e próximos testes

A vitória na estreia de Roger Machado tem efeito imediato na tabela e no ambiente. Com 13 pontos em cinco jogos, o São Paulo assume a liderança e aumenta a pressão sobre rivais diretos, que agora precisam responder no fim de semana para não perder contato. O desempenho sólido em um gramado encharcado, com controle emocional e poucos sustos depois do intervalo, alimenta a ideia de que o time pode sustentar a briga pelo topo nas próximas rodadas.

Para Roger, o resultado funciona como escudo e senha de acesso ao vestiário. Depois de um início cercado por questionamentos sobre o modelo de jogo e a comparação com Crespo, ele ganha margem para implementar suas ideias com mais calma. A presença de Marcos Antônio como articulador, a liberdade de Lucas para flutuar entre as linhas e a parceria afinada de Luciano e Calleri à frente indicam o esboço de um padrão que pode se repetir.

A Chapecoense deixa o Canindé com mais dúvidas que certezas. A equipe soma apenas cinco pontos em cinco partidas e vê a zona de baixo da tabela se aproximar. O time demonstra organização defensiva em boa parte do primeiro tempo, mas carece de consistência ofensiva e sofre quando precisa correr atrás do placar em campo pesado. O alerta acende antes da sequência contra adversários mais fortes.

O calendário oferece pouco descanso. No domingo, dia 15, o São Paulo volta a campo para enfrentar o RB Bragantino, às 20h30 (de Brasília), fora de casa, pela sexta rodada. Será o primeiro teste de Roger longe da capital paulista, diante de um adversário que costuma impor intensidade alta e linha de marcação adiantada.

Na segunda-feira, 16, às 20h, a Chapecoense recebe o Grêmio na Arena Condá em um jogo que ganha contornos de reação obrigatória. Um novo tropeço pode empurrar o time para a parte de baixo da tabela logo no primeiro terço do campeonato. A rodada seguinte dirá se a noite chuvosa no Canindé marca apenas o início tranquilo de um novo ciclo tricolor ou se foi o primeiro passo de uma arrancada mais longa rumo ao título.

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