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São Paulo vence a Chape, segue invicto e assume a liderança

O São Paulo derrota a Chapecoense por 2 a 0 nesta quinta-feira (12), no Canindé, pela quinta rodada do Campeonato Brasileiro. Com gols de Luciano e Calleri no segundo tempo, o time estreia o técnico Roger Machado com vitória e assume a liderança isolada da competição.

Chuva, estreia no banco e mudança no topo da tabela

A noite começa com o Canindé encharcado e um São Paulo pressionado por contexto, não por resultados. O time soma 10 pontos em quatro jogos e está invicto, mas a troca de comando coloca holofotes sobre cada movimento de Roger Machado à beira do gramado. A derrota do Palmeiras para o Vasco, pouco antes, abre um corredor raro: vitória simples coloca o Tricolor no topo da tabela, com 13 pontos em 15 possíveis.

O primeiro tempo ignora o roteiro esperado. A partida nasce travada, com toques curtos, muitos escorregões e pouca imaginação. Luciano arrisca em cobrança de falta, para fora. Calleri cria a primeira grande jogada ao invadir a área pela esquerda e rolar para o meio, onde Bobadilla e Lucas se atiram na bola, mas a defesa da Chape consegue o corte. A torcida acompanha com impaciência, quase mais atenta aos movimentos de Roger, que gesticula na área técnica e cobra aproximação entre meio-campo e ataque.

O jogo só ganha corpo depois dos 30 minutos. Lucas Ramon aparece como opção pela direita e arrisca chute forte de fora da área, obrigando Léo Vieira a se esticar e mandar a escanteio. Luciano responde com finalização dentro da área após cruzamento de Calleri, de novo parada pelo goleiro catarinense. O São Paulo passa a rondar a área adversária, empurra a Chapecoense para trás, mas falha na definição. Em dois ou três contra-ataques, o time verde abre o campo e testa a atenção da defesa tricolor.

Nos minutos finais da etapa, a Chapecoense cresce. Everton aproveita sobra pela direita, avança sem marcação e solta o pé, rente à trave de Rafael. É o lance mais perigoso da equipe de Santa Catarina e um aviso de que o jogo não está sob total controle. O intervalo chega sem gols, com o placar em 0 a 0 e uma sensação clara: o novo líder do Brasileiro ainda não parece pronto para o cargo.

Luciano destrava o jogo e Calleri consolida a vitória

A conversa no vestiário muda o roteiro em 60 segundos. No primeiro minuto do segundo tempo, Marcos Antônio recebe pela esquerda, ergue a cabeça e vê Luciano infiltrando na área. O cruzamento sai preciso, na medida. O atacante se antecipa à marcação, testa firme e abre o placar no Canindé. O gol tem efeito imediato na arquibancada e no banco: Roger vibra com o estafe, enquanto o estádio explode em gritos de alívio e confiança.

A vantagem reorganiza o São Paulo. O time passa a trocar passes com mais calma, empurra a marcação da Chapecoense para trás e encontra espaços entre as linhas. Aos 14 minutos, a superioridade se transforma em placar mais confortável. De novo com participação de Marcos Antônio, a jogada começa no meio, passa por Luciano, que ajeita para trás e encontra Bobadilla. O paraguaio parte para cima da marcação e, já dentro da área, rola para o meio. Calleri aparece livre, de frente para o gol, e apenas desvia para fazer 2 a 0.

O duelo, a partir daí, deixa de ser nervoso e passa a ser controlado. A Chapecoense tenta se reorganizar com as entradas de João Vitor, Rubens, Giovanni Augusto, Ítalo e Neto Pessoa, mas esbarra em um São Paulo compacto, com boa proteção à frente da área. Arboleda e Alan Franco jogam simples, sem se expor, enquanto Wendell e Lucas Ramon equilibram a subida ao ataque.

O terceiro gol parece questão de tempo. Aos 26 minutos, Marcos Antônio recebe lançamento longo de Lucas, faz tabela rápida com Bobadilla e invade a área para ampliar. O Canindé comemora por alguns segundos, até a arbitragem anular o lance por impedimento. O VAR confirma a marcação, e o placar segue em 2 a 0. O susto não muda o desenho do jogo: o São Paulo continua mais próximo de ampliar do que a Chape de descontar.

Roger aproveita a reta final para testar alternativas. Tira Luciano, aplaudido, para a entrada de André Silva. Aciona Cauly, Nícolas e Pablo Maia para ajustar intensidade e fechar espaços. A Chapecoense, com apenas cinco pontos em cinco rodadas e 12ª colocação na tabela, se limita a bolas alçadas e chutes de média distância. Rafael, no gol tricolor, participa pouco, mas se mantém seguro quando acionado.

Liderança isolada aumenta pressão por regularidade

O apito final confirma o novo cenário do Brasileiro. O São Paulo chega a 13 pontos em cinco partidas, mantém a invencibilidade e assume a liderança isolada, beneficiado pela derrota do Palmeiras para o Vasco. Em uma competição de 38 rodadas, abrir vantagem cedo não garante nada, mas muda o humor do vestiário e da arquibancada. O clube volta a se enxergar no bloco de cima com mais naturalidade, algo que nas últimas temporadas aparece apenas em momentos isolados.

A estreia vitoriosa também recoloca Roger Machado no centro do debate sobre técnicos brasileiros em grandes clubes. O treinador, de 51 anos, chega com a missão de dar consistência a um elenco que alterna boas atuações com quedas bruscas de desempenho. Uma liderança construída com 86,6% de aproveitamento neste início de campeonato dá argumentos a quem defende trabalhos mais longos e planejamento menos imediatista. Mesmo sem declaração pública após a partida no gramado, a leitura no clube é óbvia: a vitória dá lastro para ajustes mais profundos na forma de jogar.

Do outro lado, a Chapecoense deixa o Canindé com um recado claro da tabela. Com cinco pontos em cinco jogos e 33,3% de aproveitamento, o time permanece no meio da classificação, mas começa a flertar com a parte de baixo. A atuação firme no primeiro tempo contrasta com a queda de intensidade após sofrer o gol de Luciano. Gilmar Dal Pozzo sabe que precisa encontrar equilíbrio entre a postura cautelosa fora de casa e a urgência por pontuar com mais frequência.

A sequência imediata não oferece muito espaço para respiro. O São Paulo volta a campo no domingo (15), às 20h30, para enfrentar o RB Bragantino fora de casa, no estádio Cícero Souza Marques, em Bragança Paulista. A partida vale mais que três pontos: funciona como teste da solidez desse início de era com Roger, em um duelo contra um adversário que costuma impor ritmo alto e marcação agressiva.

A Chapecoense recebe o Grêmio na segunda-feira (16), às 20h, na Arena Condá, em Chapecó. A pressão local deve crescer, não apenas pelo resultado no Canindé, mas pela necessidade de transformar boas sequências de minutos em partidas completas. A noite chuvosa em São Paulo deixa duas certezas: o Tricolor volta a olhar o campeonato de cima para baixo e a equipe catarinense precisa reagir rápido para não se ver, em poucas rodadas, lutando apenas para escapar do rebaixamento.

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