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São Paulo pede R$ 175 milhões à BYD por nome do Morumbi

O São Paulo tenta vender os naming rights do Morumbi para a montadora chinesa BYD por cerca de R$ 175 milhões em cinco anos. As conversas, conduzidas pelo então presidente Julio Casares no fim de 2025, travam em meio à crise política que termina com sua renúncia em 2026.

Negócio que renomeia o estádio e mira o centenário

O plano do clube prevê rebatizar o Morumbis como MorumBYD em um acordo de pelo menos cinco temporadas. A proposta sobre a mesa fixa pagamento médio de R$ 35 milhões por ano, 40% acima dos R$ 25 milhões anuais do contrato atual com a Mondelez, assinado no fim de 2023 e válido até dezembro de 2026. O pacote total, estimado em R$ 175 milhões pelos cinco anos mínimos, seria um dos maiores acordos de naming rights já firmados por um clube brasileiro.

A negociação acontece em um momento simbólico. O São Paulo se aproxima de seu centenário e tenta transformar a data em alavanca financeira. No desenho original, o acordo com a BYD atravessa o aniversário do clube, garantindo receita extra em um período de maior exposição de marca, jogos festivos e campanhas de marketing. A mudança do nome do estádio, de Morumbis para MorumBYD, entra nesse pacote como vitrine principal.

Crise política freia avanço com montadora chinesa

As conversas entre São Paulo e BYD ganham corpo no fim de 2025, em reuniões presenciais e encontros reservados entre Julio Casares e Alexandre Baldy, vice-presidente da marca no Brasil. Os dois mantêm relação próxima, e um dos encontros decisivos ocorre em um almoço em São Paulo, quando o clube apresenta o valor pretendido e o desenho de um contrato de longo prazo. A BYD se compromete a avaliar o modelo de exposição no estádio e nos uniformes antes de dar a resposta final.

Poucas semanas depois, a crise explode no Morumbi. Conselheiros pressionam a diretoria, as denúncias crescem e o processo de impeachment contra Casares é aberto. A disputa política ocupa o centro da agenda do clube, esvazia a interlocução com potenciais patrocinadores e derruba o timing da negociação com a montadora. A BYD avisa que só retorna à mesa quando o cenário estiver estável. Casares renuncia em 2026, e o dossiê do MorumBYD segue parado na gaveta.

Nos últimos meses de gestão, Casares tenta deixar uma herança financeira menos frágil. O presidente acelera reajustes de contratos, renova com Ademicon e Superbet e, como revelou o UOL, fecha nova parceria com a fornecedora de material esportivo New Balance. O acordo de naming rights, no entanto, fica no meio do caminho. Sem definição de comando e com conselheiros divididos sobre a estratégia, o São Paulo não consegue retomar o diálogo com a montadora chinesa.

O contrato com a Mondelez, que batiza o estádio como Morumbis, continua valendo até dezembro de 2026 e rende cerca de R$ 25 milhões por temporada, total estimado em R$ 75 milhões. Em dezembro do ano passado, a diretoria planeja reabrir conversas com a empresa para discutir renovação ou aumento de valores. O processo de impeachment trava o cronograma, e o clube entra em 2026 sem saber se terá, a partir de 2027, o mesmo parceiro ou um novo nome na fachada do estádio.

Impacto financeiro e risco institucional no Morumbi

Os números mostram o tamanho da oportunidade em jogo. O salto de R$ 25 milhões para R$ 35 milhões por ano representaria aumento imediato de 40% na principal receita de exposição do estádio. Em cinco anos, a diferença acumulada em relação ao contrato atual supera R$ 50 milhões. Em um orçamento pressionado por dívidas, reforços caros e folha salarial alta, esse volume pode significar a distância entre investir em elenco competitivo ou apenas cobrir buracos do balanço.

O acordo com a BYD também teria valor simbólico. A montadora chinesa investe pesado em mobilidade elétrica no Brasil e busca associar sua imagem a grandes arenas esportivas, shows e transmissão de TV. Colar o nome da marca ao Morumbi, um dos estádios mais conhecidos do país, seria atalho de exposição nacional. Para o São Paulo, seria chance de se posicionar como clube alinhado a novas tecnologias e à agenda de sustentabilidade, tema que ganha relevância entre patrocinadores globais.

A crise institucional, porém, cobra preço alto. A renúncia de um presidente em meio a processo de impeachment assusta conselhos de administração e departamentos de marketing de grandes empresas. A incerteza sobre quem vai comandar o clube e que política de patrocínios será adotada aumenta o risco percebido. Em situações assim, patrocinadores tendem a travar decisões e buscar alternativas com menos ruído político, mesmo que a exposição de marca seja menor.

O torcedor sente o efeito de forma indireta. Sem novas receitas robustas, a diretoria tem menos margem para manter jogadores, disputar contratações no topo do mercado e bancar ingressos populares em jogos-chave. Projetos de modernização do Morumbi, como melhorias em acessibilidade, áreas de hospitalidade e tecnologia de transmissão, também dependem de fôlego financeiro que acordos de naming rights podem oferecer.

Próximos passos e o futuro do nome do Morumbi

O São Paulo busca reorganizar a casa após a saída de Casares e tenta reconstruir pontes com o mercado publicitário. A nova gestão herda um tabuleiro complexo: precisa decidir se retoma as conversas com a BYD, se reabre a negociação com a Mondelez em outros termos ou se parte em busca de um terceiro player disposto a pagar próximo dos R$ 35 milhões por ano desejados. Cada caminho envolve riscos políticos, resistência interna e avaliação de imagem junto à torcida.

No curto prazo, o mais provável é que o Morumbi siga atendendo por Morumbis até o fim do contrato atual, enquanto o clube tenta reduzir o ruído institucional e recuperar credibilidade para voltar a discutir cifras altas. O dossiê do MorumBYD permanece como símbolo de um negócio que poderia elevar a receita em cerca de R$ 175 milhões, mas também como alerta de como crises internas podem engavetar acordos estratégicos. A próxima diretoria terá de responder se o centenário do clube será lembrado por um salto de investimentos ou por oportunidades perdidas.

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