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São Paulo exerce compra de Djhordney por R$ 1 milhão após destaque na Copinha

O São Paulo decide exercer, em janeiro de 2026, a opção de compra do volante Djhordney, 18, destaque da Copa São Paulo de Futebol Júnior. O clube paga R$ 1 milhão ao Grêmio Novorizontino para adquirir 70% dos direitos econômicos do jogador, emprestado até 1º de fevereiro de 2026.

Da Copinha ao investimento definitivo

Djhordney transforma a Copinha em vitrine e acelera uma decisão que, na diretoria são-paulina, parecia questão de tempo. O volante chega ao CFA de Cotia em 2025, após passagem pela base do Palmeiras, e em poucos meses se firma como titular do time sub-20 comandado por Allan Barcellos. Na campanha da Copa São Paulo de 2026, ele deixa de ser apenas mais um nome promissor e assume papel de protagonista.

O ponto de virada vem na fase mata-mata. Djhordney marca gol decisivo contra a Portuguesa e volta a decidir diante do Botafogo, nas quartas de final, em partida que coloca o São Paulo na semifinal do torneio. Na comemoração, a imagem do volante dando uma voadora na bandeirinha de escanteio, registrada por Miguel Schincariol, corre as redes sociais e ajuda a colar nele o rótulo de talismã da Copinha.

Dirigentes, membros da comissão técnica e analistas de desempenho acompanham de perto a sequência de atuações. O que antes era tratativa para o fim do empréstimo se converte em urgência. A cláusula de compra, prevista em contrato com o Grêmio Novorizontino, prevê o pagamento de R$ 1 milhão por 70% dos direitos econômicos. O São Paulo formaliza ao clube do interior que vai exercer a opção, garantindo a permanência do jogador em definitivo.

A operação respeita o prazo do vínculo atual, que se encerra em 1º de fevereiro de 2026, mas antecipa qualquer risco de disputa futura. Internamente, a leitura é clara: deixar Djhordney voltar ao Novorizontino, depois da exposição nacional na Copinha, abriria espaço para concorrência de outros clubes e elevaria o custo do negócio.

Peça-chave em Cotia e aposta no futuro profissional

No dia a dia de Cotia, Djhordney já não é visto apenas como promessa distante. Ele ocupa lugar fixo entre os titulares do sub-20 e ganha confiança de Allan Barcellos em jogos de pressão, justamente na fase em que muitos jovens oscilam. O volante combina boa leitura de jogo, chegada à área e energia para pressionar a saída de bola rival, características valorizadas no futebol atual e na forma como o São Paulo quer jogar.

O investimento de R$ 1 milhão, em um mercado inflacionado por jovens de base, é considerado moderado pela diretoria. O clube preserva 30% dos direitos com o Novorizontino, que segue parceiro em eventual venda futura, mas passa a ter controle esportivo sobre o jogador. A movimentação se encaixa em uma política que o São Paulo reforça nos últimos anos: apostar em atletas formados ou lapidados em Cotia, transformando desempenho na base em ativo técnico e financeiro no elenco profissional.

Caso confirme a curva de evolução, Djhordney entra na fila de volantes que sobem ao time principal após destaque em Copinha e em competições sub-20. O histórico recente de Cotia, com revelações negociadas para o exterior e utilizadas no elenco principal, serve de referência. A expectativa agora é entender como o jogador vai responder ao salto de exigência, do ambiente protegido da base para a rotina de treinos com profissionais, pressão por resultados e calendário mais pesado.

Dentro do elenco sub-20, a confirmação da compra funciona como recado direto. Garotos veem um colega transformar boas atuações em contrato definitivo e ganham evidência para encarar a Copinha não só como vitrine para o mercado, mas como atalho real para o time principal do São Paulo. Para o Novorizontino, a venda consolida o modelo de captar, formar e negociar jovens com clubes de maior orçamento.

Impacto no São Paulo, na base e no mercado

A decisão de investir R$ 1 milhão em um volante de 18 anos não se esgota no balanço financeiro. O São Paulo reforça a mensagem de que a Copinha segue como laboratório central na montagem do elenco profissional. Cada gol de Djhordney na fase mata-mata pesa tanto no campo quanto nas planilhas da diretoria, que enxerga retorno esportivo imediato e potencial de valorização em médio prazo.

A movimentação também se comunica com a torcida. Em meio à expectativa por contratações caras e nomes mais conhecidos, o clube sinaliza que não abre mão da tradição de revelar e consolidar jogadores em casa. Em um cenário de finanças pressionadas e necessidade de vender atletas para equilibrar contas, transformar um investimento de R$ 1 milhão em peça útil no elenco profissional passa a ser quase obrigação.

O mercado observa. Quando um grande clube paga esse valor por 70% de um jogador que ainda não atua entre os profissionais, reforça o peso da Copinha como vitrine de negociação e aumenta a responsabilidade de quem trabalha na base. Clubes menores, como o próprio Grêmio Novorizontino, enxergam ali um caminho de receita: identificar talentos, emprestá-los a grandes centros, negociar percentuais e participar de futuras vendas para o exterior.

O caso de Djhordney mostra também como a linha entre base e profissional fica cada vez mais tênue. Um lance de voadora na bandeirinha, um gol em quartas de final, alguns meses de bom desempenho em Cotia e o destino do volante muda de forma definitiva. A partir de agora, cada treino, cada jogo e cada erro passam a ser avaliados sob a lupa de quem investiu dinheiro e expectativa em um contrato que pode abrir portas ou travar uma carreira.

Próximos passos e o desafio da transição

Com a confirmação da compra, o São Paulo precisa desenhar o plano de carreira de Djhordney. A tendência é que ele siga no sub-20 em parte de 2026, acumulando minutos em torneios da categoria, enquanto começa a ser integrado aos treinos do elenco profissional em momentos específicos. A comissão técnica principal terá de decidir se a transição será gradual ou se o volante ganha espaço mais rápido, em função de necessidades do elenco.

A Copinha de 2026 ainda está em andamento, e o desempenho do jogador na reta final pode acelerar ou desacelerar decisões. O investimento, porém, já está feito. O que permanece em aberto é até onde Djhordney consegue ir com a camisa tricolor. A resposta não virá dos contratos nem das cifras, mas do que ele entregar em campo quando a oportunidade chegar.

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