Santos libera Oliva no BID e espera Veríssimo para reação no Brasileirão
O Santos regulariza o volante uruguaio Christian Oliva no BID da CBF e garante a estreia do reforço no dia 10 de março, contra o Mirassol, pelo Brasileirão. Ao mesmo tempo, aguarda a liberação logística do zagueiro Lucas Veríssimo, já registrado, mas ainda preso a questões envolvendo sua saída do Catar.
Fim do transfer ban e alívio imediato na Vila
A confirmação do nome de Christian Oliva no Boletim Informativo Diário, nesta primeira semana de março de 2026, encerra um capítulo incômodo na vida recente do Santos. O clube passa semanas impedido de registrar contratações por causa de dívidas com o Arouca, de Portugal, ligadas à negociação do zagueiro João Basso, e vive sob transferência bloqueada pela Fifa.
A diretoria se movimenta nos bastidores, fecha acordos, quita pendências e, só depois de garantir o pagamento, vê a Fifa suspender o transfer ban. A liberação da documentação abre caminho para que o registro de Oliva seja concluído na CBF e permite a inscrição de outros reforços já contratados. Em campo, a consequência é imediata: Juan Pablo Vojvoda ganha uma peça nova para um meio-campo pressionado por desempenho e por desgaste físico em início de temporada.
Oliva chega por 1,5 milhão de dólares, vindo do Nacional, do Uruguai, e assina contrato até 2028. Tem perfil de volante de marcação forte, de combate curto, e pode atuar como primeiro homem à frente da zaga ou dividindo a saída de bola com outro meio-campista. Ele entra em um setor que já conta com Tomás Rincón, João Schmidt, Willian Arão, Gabriel Bontempo, Gabriel Menino e Zé Rafael, e tende a aumentar a concorrência por minutos em jogos grandes.
A estreia está marcada para o dia 10 de março, contra o Mirassol, fora de casa, pela quinta rodada do Brasileirão. O Santos chega ao compromisso com quatro pontos em quatro partidas, na 13ª colocação, com uma vitória, um empate e duas derrotas. A presença de um volante recém-chegado não resolve sozinha a oscilação, mas oferece a Vojvoda alternativas táticas que faltaram em rodadas anteriores.
Reforços caros, retorno esportivo em aberto
A regularização de Oliva não acontece isolada. Ela marca também a virada de chave administrativa que permite ao Santos registrar um pacote de reforços planejado desde o início do ano. A diretoria já fecha com seis nomes para a temporada 2026: Gabriel Barbosa, Rony, Moisés, Gabriel Menino, Christian Oliva e Lucas Veríssimo. O investimento, distribuído em diferentes prazos e formatos, indica disposição do clube em acelerar a reconstrução esportiva depois do período de punição internacional.
Entre esses reforços, a novela mais sensível gira em torno de Lucas Veríssimo. O zagueiro, revelado na Vila Belmiro e vice-campeão da Libertadores pelo clube, retorna aos 30 anos, contratado por 4 milhões de dólares, cerca de R$ 20 milhões. O pagamento é fatiado em quatro parcelas, com a primeira prevista apenas para dezembro, o que alivia o caixa no curto prazo, mas cria uma obrigação relevante para os próximos anos.
Veríssimo também já aparece regularizado no BID, mas ainda não sabe quando estreia. O defensor tenta viabilizar a saída do Catar, país que vive cenário de guerra, e depende de questões de segurança e de logística para desembarcar no Brasil. Na prática, o Santos tem um reforço caro confirmado no papel, mas ainda distante do gramado. Até que o jogador chegue e recupere ritmo, Vojvoda segue com as opções atuais para a zaga, em um Brasileirão que tende a ser longo e equilibrado.
O contexto recente ajuda a entender o tamanho da aposta. Nos últimos anos, o Santos convive com problemas de gestão, atrasos, ações na Fifa e perda de protagonismo em campo. O transfer ban é o ponto mais visível dessa sequência, porque impede a inscrição de atletas e expõe o clube internacionalmente. A quitação da dívida com o Arouca, que derruba a punição, funciona como um sinal de reorganização mínima, ainda longe de resolver toda a herança de passivos.
No vestiário, o efeito é outro. Jogadores e comissão técnica enxergam na chegada de reforços um recado de ambição. O elenco passa a ter mais alternativas para enfrentar uma sequência que, depois do Mirassol, inclui dois jogos na Vila Belmiro contra Corinthians e Internacional. Em um campeonato de pontos corridos, a capacidade de rodar o grupo sem perder competitividade costuma separar quem briga em cima de quem se protege apenas da zona de rebaixamento.
Pressão esportiva e teste de gestão para 2026
A próxima semana se desenha como um teste duplo para o Santos. Dentro de campo, Vojvoda estreia Oliva em um duelo fora de casa que pode reposicionar o time na tabela. Fora dele, a diretoria precisa concluir a operação de saída de Lucas Veríssimo do Catar e administrar prazos de pagamento combinados em dólar, em meio à oscilação cambial e à necessidade de manter salários em dia.
O desempenho nos próximos jogos tende a influenciar não só o humor da torcida, mas também a percepção de patrocinadores e investidores sobre a nova fase do clube. A superação do transfer ban remove uma barreira institucional e abre espaço para negociações futuras em outro patamar. O retorno técnico de Oliva e, adiante, de Veríssimo, vai dizer se o Santos transformará esse alívio administrativo em pontos, estabilidade e protagonismo ou se continuará refém de decisões que chegam sempre com atraso em relação ao campo.
