Esportes

Santos fecha exclusividade com grupo dos EUA para virar SAF

O Santos firma, em fevereiro de 2026, um acordo de exclusividade com o grupo americano SDC Sports LLC para negociar sua transformação em Sociedade Anônima do Futebol. O clube abre um período de 90 dias para diligência, etapa em que os investidores vão vasculhar finanças, contratos e estrutura administrativa antes de decidir pelo aporte.

Santos tenta virar a página e buscar fôlego financeiro

O movimento marca uma tentativa de ruptura com um histórico recente de crises políticas, atrasos salariais e perda de protagonismo esportivo. O acordo de exclusividade garante à SDC Sports o direito de conduzir, com prioridade, todas as conversas sobre a futura SAF santista durante três meses. Nesse intervalo, o comitê gestor do clube se compromete a abrir livros contábeis, detalhar dívidas e projetar receitas, numa espécie de raio-x completo da saúde financeira.

O formato segue o roteiro adotado por outros clubes brasileiros que já migraram para o modelo empresarial. A diligência funciona como um teste de estresse: os americanos avaliam fluxo de caixa, passivos trabalhistas, acordos com credores, contratos de mídia, patrocínios e até a estrutura da base. A partir desses dados, calculam quanto precisam investir para equilibrar as contas e montar um time competitivo. A expectativa interna é de um compromisso de longo prazo, com desembolsos escalonados em alguns anos, em vez de uma injeção única de capital.

Clube mira modernização e competitividade no cenário nacional

A diretoria trata a negociação como ponto de inflexão. O objetivo declarado é modernizar a gestão, profissionalizar áreas-chave e tornar o Santos sustentável sem depender de adiantamentos de TV ou vendas emergenciais de jogadores. A SAF permitiria separar o futebol da associação civil, criando uma empresa com CNPJ próprio, responsável por contratos, direitos econômicos de atletas e receitas de bilheteria, TV e patrocínio.

Nos bastidores, dirigentes repetem que o clube precisa evitar a armadilha de trocar uma crise por outra. A preocupação é não vender o controle por um valor baixo nem aceitar um parceiro sem fôlego para ciclos de investimento de cinco a dez anos. A fala recorrente é de que “o Santos não pode ser apenas um ativo financeiro, precisa continuar sendo um projeto esportivo”. O desafio passa por garantir participação relevante da associação nas decisões estratégicas, com cláusulas que blindem o patrimônio histórico e o uso do estádio.

A SDC Sports entra na mesa com o discurso de gestão moderna, uso intensivo de dados e atenção à formação de atletas. O grupo vê na marca Santos, tricampeã da Libertadores e berço de Pelé e Neymar, um ativo global subaproveitado. O raciocínio é simples: um clube com potencial de receita internacional, mas estrangulado por dívidas e por uma estrutura pesada, pode se valorizar de forma acelerada com governança rígida e plano claro de investimentos em elenco e infraestrutura.

Impacto direto em torcida, mercado e bastidores da bola

A exclusividade de 90 dias não muda a vida do torcedor de imediato, mas altera o tabuleiro político e econômico ao redor do Santos. Em caso de acordo definitivo, a SAF assume obrigações financeiras, renegocia prazos de pagamento e pode concentrar parte dos recursos na montagem do elenco. A expectativa é de investimentos em estrutura de treinamento, departamentos de análise de desempenho e captação internacional de talentos, além de uma política menos errática de contratações.

O movimento também mexe com o mercado de transferências. Um Santos capitalizado volta a disputar jogadores de nível mais alto no Brasil e na América do Sul. Potenciais patrocinadores e parceiros de mídia observam com atenção, já que uma gestão mais previsível tende a reduzir riscos comerciais. No outro lado, credores acompanham as tratativas de perto. A formatação do negócio vai definir quanto da dívida atual será assumida pela SAF, quanto ficará com a associação e em que prazos os pagamentos serão feitos.

O futebol brasileiro entra em uma nova etapa de competição entre modelos de clube-empresa. A possível entrada da SDC Sports no Santos aumenta a presença de capital estrangeiro na Série A e na Série B, acirrando a disputa por talentos, treinadores e executivos. Adversários diretos enxergam no processo uma ameaça e, ao mesmo tempo, um espelho. A forma como o Santos conduzir a transição pode encorajar outros grandes a acelerar estudos sobre SAF ou buscar associações com fundos internacionais.

Próximos passos e dúvidas que ainda cercam a negociação

O cronômetro já corre. Nas próximas 12 semanas, executivos do grupo americano devem circular pela Vila Belmiro e pelos centros de treinamento para reuniões técnicas. O período inclui análises jurídicas dos últimos contratos relevantes, cálculos de projeção de receita de bilheteria e TV para os próximos cinco anos e um diagnóstico da base, considerada a joia da coroa santista. Qualquer proposta final precisa convencer não só a diretoria, mas também o Conselho Deliberativo e os sócios, responsáveis por chancelar a mudança de modelo.

A negociação avança sob pressão esportiva. O desempenho em campo influencia receitas de TV, premiações e até o apetite do investidor. Uma eventual queda de divisão reduz o valor do negócio; uma campanha sólida, por outro lado, fortalece a posição do clube na mesa. O Santos corre contra o tempo para equilibrar urgência esportiva e responsabilidade na venda de seu futuro. Ao fim dos 90 dias de diligência, a resposta que a SAF prometer entregar não é apenas quanto vale o clube hoje, mas que tipo de Santos o torcedor verá na próxima década.

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