Santos faz treino tático, integra Neymar e mira reação no clássico
O Santos realiza na tarde desta sexta-feira, no CT Rei Pelé, o treino tático que começa a desenhar o time para enfrentar o Corinthians neste domingo, às 16h, na Vila Belmiro, pela 6ª rodada do Campeonato Brasileiro. Juan Pablo Vojvoda trabalha sob pressão por resultados e aposta na volta de Neymar ao time titular para tentar mudar o clima no clube.
Vojvoda testa time e recoloca Neymar no centro do projeto
O trabalho no CT Rei Pelé expõe o momento de urgência do Santos. Com apenas cinco pontos somados até aqui e vindo de empate por 2 a 2 com o Mirassol, a equipe precisa dar uma resposta imediata no Brasileirão. O clássico contra o Corinthians, em casa, vira ponto de virada ou novo foco de crise.
Vojvoda conduz um treino tático completo, com presença dos principais jogadores e atenção especial às jogadas de bola parada ofensivas e defensivas. O técnico busca corrigir falhas de posicionamento e aproximação entre os setores, que aparecem nas últimas partidas, e tenta acelerar a adaptação de reforços e de quem volta de desgaste físico.
Neymar, camisa 10 e referência técnica, treina normalmente com o elenco. Ele havia sido poupado na rodada anterior, na terça-feira, diante do Mirassol, por conta da sequência de jogos e do controle de carga física. A presença dele entre os titulares neste domingo é tratada internamente como certa, e o planejamento tático gira em boa parte em torno de como potencializar sua participação entre linhas, recebendo a bola mais próximo da área.
A montagem inicial testada em campo inclui Gabriel Brazão no gol; linha defensiva com Igor Vinícius, Adonis Frías, Luan Peres e Vinícius Lira, com Escobar como alternativa pelo lado esquerdo; meio de campo formado por Willian Arão, Gabriel Bontempo e Barreal, com Gabriel Menino brigando por espaço; e ataque com Neymar, Rony e Gabigol, com Moisés como opção de profundidade. A base muda pouco, mas a função de cada peça é ajustada, sobretudo na recomposição sem a bola e na saída desde a defesa.
O único desfalque certo continua sendo o volante Zé Rafael, em tratamento no departamento médico por causa de um edema no músculo semimembranoso da coxa direita. A ausência dele limita as alternativas para controlar o meio e obriga Vojvoda a buscar outra solução de equilíbrio entre marcação e construção.
Neymar em foco e defesa em xeque com chegada de Lucas Veríssimo
A volta de Neymar ao time titular muda o ambiente no CT e na Vila Belmiro. O astro não é apenas um reforço técnico: concentra expectativas da torcida, da diretoria e de um elenco que ainda procura um padrão consistente. A forma como o camisa 10 entra em campo no clássico pode reposicionar a narrativa do Santos no campeonato, hoje marcada por oscilação e desconfiança.
Vojvoda insiste em aproximar Neymar de Gabigol e dos meias, com liberdade para flutuar entre o centro e o lado esquerdo, mas com maior responsabilidade na pressão pós-perda. O treinador sabe que o rendimento defensivo do time passa também por como os atacantes reagem quando perdem a bola. A ideia é reduzir espaços para o contra-ataque corintiano, um problema recorrente em clássicos recentes.
Ao mesmo tempo em que trabalha o setor ofensivo, a comissão técnica observa com atenção a defesa. A presença de Lucas Veríssimo no CT, recém-chegado ao Brasil após atuar no Catar, adiciona um elemento novo à equação. O zagueiro passa por avaliações físicas e faz apenas um treino leve em campo, sem contato com o grupo, por causa da longa viagem e do protocolo de readaptação.
Mesmo sem garantia de estreia imediata, Veríssimo surge como peça capaz de elevar o nível da linha defensiva no curto prazo. O defensor mantém a forma física no Oriente Médio, apesar da suspensão da liga local em meio ao cenário de guerra na região, e chega com status de titular potencial. A dúvida para domingo está menos no aspecto técnico e mais na condição física para suportar 90 minutos de um clássico intenso.
Internamente, a comissão evita cravar a participação. A avaliação é diária e leva em conta testes de força, resistência e resposta pós-treino. Se não inicia a partida, Veríssimo ao menos se aproxima de uma estreia ainda em abril, o que mexe na hierarquia da zaga e pressiona quem hoje ocupa a função.
O contexto amplia a pressão sobre Vojvoda. A diretoria monitora o desempenho rodada a rodada, e o clássico contra o Corinthians ganha contornos de jogo-chave. Um resultado positivo preserva o trabalho e dá lastro para mais ajustes ao longo da competição. Um tropeço em casa, diante de rival direto e com Neymar em campo, reforça questionamentos sobre o comando e a capacidade de reação do grupo.
Clássico como termômetro e próximos passos no Brasileirão
O duelo deste domingo funciona como termômetro para medir onde o Santos está na temporada. Com cinco pontos em cinco jogos, o time ainda tenta se afastar da parte de baixo da tabela e se aproximar da zona de classificação para competições continentais. A vitória em clássico vale mais do que os três pontos: afeta confiança, ambiente interno e relação com a torcida.
A preparação detalhada, com foco em bolas paradas e equilíbrio entre setores, revela a dimensão do jogo para o clube. O Santos precisa mostrar evolução clara, não apenas na atuação individual de Neymar, mas no funcionamento coletivo ao longo dos 90 minutos. Uma equipe mais compacta, agressiva sem a bola e objetiva na frente é o objetivo traçado pela comissão técnica para este fim de semana.
O elenco ainda tem mais um treino neste sábado, novamente no CT Rei Pelé, antes da definição final da escalação. A atividade deve apontar se Lucas Veríssimo reúne condições de ao menos integrar a lista de relacionados e confirmar quem acompanha Neymar e Gabigol no setor ofensivo. Ajustes finos de posicionamento e ensaios de jogadas específicas para explorar fragilidades do Corinthians entram no roteiro.
O clássico se desenha como um divisor de águas: consolida uma reação e dá fôlego ao projeto de Vojvoda ou aprofunda a pressão sobre o treinador argentino. A resposta virá dentro de campo, na Vila Belmiro lotada, sob o olhar de uma torcida que volta a ver Neymar como protagonista e espera que, desta vez, o brilho individual se traduza em pontos e em um caminho mais estável no Campeonato Brasileiro.
