Santos estreia no Brasileirão sem Neymar contra a Chapecoense
Santos e Chapecoense abrem a caminhada no Campeonato Brasileiro nesta quarta-feira (28), às 20h, na Arena Condá, em Chapecó. O Peixe estreia pressionado, sem Neymar, mas com o retorno de Álvaro Barreal para tentar reagir após início irregular de temporada.
Santos chega sob desconfiança e com elenco remendado
A estreia em Chapecó encontra um Santos em reconstrução, ainda longe de empolgar. Em cinco partidas pelo Campeonato Paulista, o time vence apenas uma e desperdiça pontos que aumentam a cobrança sobre elenco e comissão técnica. O Brasileirão passa a ser, já na primeira rodada, um termômetro de força real para o ano.
O principal nome do elenco segue fora. Neymar se recupera de artroscopia no joelho esquerdo, iniciada no fim de 2025, e só volta a campo, na melhor das hipóteses, na próxima semana. O camisa 10 começa a transição física para o gramado na terça-feira (26) e ainda depende da evolução clínica antes de ser liberado para competir. A ausência prolongada alimenta a apreensão na torcida, que já classifica o cenário como “perda trágica” para o início do Brasileirão.
O técnico Juan Pablo Vojvoda também perde outras duas peças importantes. O centroavante Tiquinho Soares está lesionado, liberado pela diretoria para buscar um novo clube, e não entra mais nos planos. O zagueiro Gustavo Henrique continua em recuperação de lesão muscular no adutor da coxa direita e fica em tratamento, sem previsão firme de retorno. O quadro reduz opções de experiência em setores centrais do campo.
A boa notícia para o torcedor vem do departamento médico. O atacante Álvaro Barreal está de volta após se recuperar de um trauma na região do quadril. Gabriel Bontempo, que sofre com edema muscular na coxa esquerda, também é liberado. Ambos treinam normalmente na atividade tática desta terça-feira (27), no CT, e viajam com a delegação para Santa Catarina logo depois. A expectativa interna é que Barreal recupere mobilidade ofensiva e impacto no um contra um, algo que faz falta nas últimas rodadas.
Estreia vale ritmo, confiança e ajustes para a temporada
A partida na Arena Condá tem peso maior que os três pontos inaugurais. Para o Santos, significa a chance de virar a página de um começo de 2026 claudicante, marcado por atuações irregulares e queda de rendimento físico no segundo tempo. Para a Chapecoense, representa a oportunidade de se impor em casa e tentar repetir campanhas em que faz da Arena um campo hostil para clubes de maior orçamento.
O time de Vojvoda deve ir a campo com Gabriel Brazão; Igor Vinicius, Adonis Frías, Luan Peres e Vinicius Lira; João Schmidt, Zé Rafael e Gabriel Menino; Rollheiser, Barreal e Gabigol. A escalação indica uma aposta clara na experiência do meio-campo, combinada com movimentação intensa do trio ofensivo. Sem um centroavante de referência, Gabigol volta a atuar mais solto, saindo da área para abrir espaço para infiltrações de Barreal e Rollheiser.
O argentino Barreal surge como peça-chave nessa engrenagem. Recuperado do problema no quadril, o ponta tem liberdade para atacar diagonais e explorar a defesa da Chapecoense pelas costas. A comissão técnica vê no jogador um ponto de desequilíbrio, sobretudo em transições rápidas. A volta de Bontempo, ainda que provável opção no banco, amplia as alternativas de velocidade pelos lados.
A Chapecoense encara a estreia com roteiro invertido. Sem o peso de um astro mundial e com orçamento mais modesto, o clube constrói todo o plano de jogo em cima da própria intensidade em casa. A Arena Condá volta a receber o Brasileirão como cenário em que vitórias contra grandes historicamente redefinem metas da temporada. Um bom resultado logo na largada permite à Chape respirar em um campeonato longo, de 38 rodadas, em que cada ponto vira munição contra o rebaixamento.
A arbitragem fica a cargo de Savio Pereira Sampaio, do Distrito Federal, com os assistentes Victor Hugo Imazu dos Santos, do Paraná, e Luis Carlos de Franca Costa, do Rio Grande do Norte. O árbitro de vídeo é Pablo Ramon Goncalves Pinheiro, também do Rio Grande do Norte. O jogo tem transmissão exclusiva do canal pay-per-view Premiere, às 20h, no horário de Brasília.
Calendário apertado e pressão por resposta imediata
O duelo em Chapecó se encaixa em um calendário que quase não permite respiro. Depois da viagem a Santa Catarina, o Santos enfrenta dois clássicos seguidos contra o São Paulo. No sábado (31), o encontro é no Morumbis, pelo Campeonato Paulista. Na quarta-feira seguinte, 4 de fevereiro, as equipes voltam a se encontrar, dessa vez na Vila Belmiro. A sequência de três jogos decisivos em oito dias obriga Vojvoda a dosar esforço físico sem abrir mão de resultados.
A forma como o treinador administra os desfalques agora pode influenciar todo o planejamento da temporada. Uma estreia sólida, mesmo sem Neymar e sem Tiquinho, tende a reduzir o barulho externo, dar confiança ao elenco e aliviar a pressão da arquibancada. Um tropeço, sobretudo se acompanhado de atuação fraca, alimenta questionamentos sobre escolhas táticas, montagem do elenco e até o ritmo de retorno do camisa 10.
O início sem o principal jogador também serve de laboratório prático para testar o grau de dependência de Neymar no modelo de jogo. Se o Santos se mostra competitivo com Barreal e Gabigol à frente, ganha margem para preservar o astro quando necessário e evitar novas sobrecargas físicas. Se a queda de desempenho é nítida, a diretoria volta a ser cobrada por reforços rápidos, mesmo após a chegada de nomes como Rony, contratado junto ao Atlético-MG em 27 de janeiro.
O Brasileirão de 2026 nasce, para Santos e Chapecoense, como mais que um simples campeonato de pontos corridos. A primeira rodada já coloca em campo dúvidas acumuladas ao longo de janeiro e antecipa decisões que podem redesenhar o ano. A resposta que vier da Arena Condá ajuda a explicar se o Peixe decola ou continua patinando e se a Chape volta a transformar seu estádio em barreira para os grandes. O pontapé inicial, hoje à noite, talvez não resolva nada, mas certamente muda o tamanho das perguntas que virão na sequência.
