Santos estreia na Sul-Americana com desfalques de Rincón e Miguelito
O Santos estreia na Copa Sul-Americana de 2026, nesta quarta-feira (8), contra o Deportivo Cuenca, no Equador, sem Tomás Rincón e Miguelito. O venezuelano fica fora por problemas de visto, enquanto o jovem boliviano desfalca a equipe por extenuação muscular nas duas coxas.
Cuca desembarca em Cuenca com elenco reduzido
A delegação santista chega a Cuenca depois de sair direto do Rio de Janeiro, onde perde para o Flamengo e liga o alerta na temporada. A estreia internacional aparece como chance imediata de reação, mas o técnico Cuca encontra mais obstáculos do que opções quando olha para a lista de relacionados.
O jogo contra o Deportivo Cuenca, marcado para as 19h (de Brasília), no Estádio Alejandro Serrano Aguilar, marca o início da caminhada do Santos no grupo D da Sul-Americana. San Lorenzo, da Argentina, e Deportivo Recoleta, do Paraguai, completam a chave. Em formato de pontos corridos, qualquer tropeço fora de casa pesa na conta final.
Antes de pensar em adversário e altitude, Cuca precisa remendar o próprio time. A ausência de Tomás Rincón não se deve a lesão ou opção técnica, mas a um entrave burocrático. Segundo noticiam Bruno Gutierrez e José Edgar de Matos, do GE, o volante não consegue o visto para entrar no Equador e sequer viaja com a equipe.
No meio-campo, o venezuelano volta a ganhar espaço com a chegada de Cuca, que vê no jogador de 37 anos um termômetro de experiência para um elenco em reformulação. “Rincón é daqueles que organizam o vestiário mesmo quando não entram em campo”, descreve um profissional do clube, em condição de anonimato, ao resumir o peso do atleta nos bastidores.
A baixa de Miguelito acrescenta uma camada de preocupação. O meia-atacante, tratado internamente como peça de desequilíbrio pela capacidade de drible e último passe, sente uma extenuação muscular bilateral nas coxas depois de atuar pela seleção boliviana. De acordo com informação de Lucas Barros, do Diário do Peixe, ele é vetado pelo departamento médico e entra na mesma fila de desfalques que cresce semana a semana.
Desgaste, burocracia e um elenco no limite
O quadro físico de Miguelito acende um sinal amarelo em um calendário que mal entra em abril. A sequência de compromissos por clube e seleção pressiona um atleta ainda em desenvolvimento, que passa a ser acompanhado com mais cautela pelos médicos. O clube evita falar em prazo, mas admite que a prioridade é evitar uma lesão mais grave que o tire por meses.
Rincón, por sua vez, se torna um caso raro de ausência por causa de documentação em uma competição continental. Em torneios da Conmebol, clubes costumam acertar vistos e autorizações com semanas de antecedência. O episódio, revelado às vésperas da partida, gera incômodo interno e expõe a necessidade de maior coordenação fora de campo em um momento em que o Santos tenta se recolocar no cenário internacional.
A lista de problemas de Cuca é mais extensa que o noticiário das últimas 24 horas. O treinador já entra na semana ciente de que não terá Neymar, principal figura técnica do elenco, para o duelo em Cuenca. Logo depois da partida contra o Flamengo, vem a confirmação de que Gabigol também está fora, submetido a uma sessão de PRP, tratamento que acelera a recuperação de uma tendinite no adutor da coxa direita.
No departamento médico, a porta de entrada segue mais movimentada que a de saída. Mayke cumpre suspensão por uso de corticoide, Vinicius Lira trata uma grave lesão no joelho e Gabriel Menino se recupera de contusão no músculo posterior da coxa direita. Cada ausência obriga o treinador a revisar a prancheta, mexer em setor por setor e testar combinações que ainda não tiveram tempo de maturação.
O efeito prático é um Santos com menos alternativas de experiência e criatividade no meio-campo e no ataque justamente no primeiro jogo da fase de grupos. O time que entra em campo em Cuenca tende a ser mais físico, mais atento à proteção defensiva e à administração do desgaste provocado pela altitude, que passa dos 2.500 metros na cidade equatoriana.
O contexto recente cria pressão adicional. A derrota para o Flamengo expõe fragilidades defensivas e uma dificuldade em controlar o ritmo do jogo. A comissão técnica, diante desse cenário, decide priorizar a Sul-Americana como plataforma de reconstrução de confiança e de exposição internacional. Um bom resultado fora de casa, mesmo com elenco desfalcado, pode mudar o ambiente em poucos dias.
Prioridade na Sul-Americana e testes para o restante da temporada
O grupo D não oferece espaço para acomodação. Apenas o líder de cada chave avança diretamente às oitavas de final, enquanto segundos colocados entram em cruzamento com equipes vindas da Libertadores. O Santos sabe que pontos conquistados em Cuenca podem representar a diferença entre classificação tranquila e cálculo de última hora em maio.
Cuca assume a estreia com a missão simultânea de proteger o elenco e responder ao torcedor, que acompanha com desconfiança um início de ano irregular. O treinador precisa encontrar em poucas horas a melhor forma de substituir Rincón e Miguelito, reorganizar a saída de bola e manter algum grau de imprevisibilidade sem dois dos jogadores que criam atalho para o ataque.
O caminho não termina na noite de quarta. Ainda em abril, o Santos tem compromisso pela Copa do Brasil contra o Coritiba, competição que mexe diretamente com as finanças do clube. Cada avanço em mata-mata significa premiação importante em um orçamento apertado. Um tropeço precoce na Sul-Americana, somado a eventual eliminação na Copa do Brasil, tende a aumentar a pressão sobre a comissão técnica e a diretoria.
O calendário comprime decisões que antes se diluíam por meses. A comissão técnica precisa administrar minutos em campo, viagens internacionais e desgastes por seleção em um elenco que não tem a mesma profundidade de outros rivais. Desfalques como os de Rincón e Miguelito deixam de ser pontuais e passam a ser sintoma de um sistema sob estresse permanente.
A estreia em Cuenca, além de marcar a largada santista na Sul-Americana, funciona como laboratório forçado para o restante da temporada. Se o time responde bem, mesmo sem peças importantes, Cuca ganha argumentos para bancar jovens, redistribuir protagonismos e cobrar reforços pontuais. Se o desempenho não acompanha a urgência da tabela, a noite equatoriana pode se tornar o primeiro grande teste político do ano para o clube da Vila Belmiro.
O apito inicial no Alejandro Serrano Aguilar inaugura uma sequência em que desempenho, resultado e gestão de elenco se misturam. A grande dúvida que acompanha o Santos de volta ao cenário continental é se, com tantos desfalques e pouco tempo para ajustes, o time terá fôlego e repertório para transformar a Sul-Americana em oportunidade e não em ameaça.
