Santos desembarca em Curitiba com Moisés, mas sem Gabigol e Neymar
O Santos desembarca em Curitiba nesta quinta-feira (12) reforçado por Moisés para encarar o Athletico-PR, pelo Campeonato Brasileiro. O time, porém, não conta com Gabigol e Neymar, ausências que mexem com a estratégia da equipe e com a expectativa da torcida.
Viagem com reforço e desfalques de peso
A delegação santista chega à capital paranaense no fim da tarde, em voo fretado saindo de São Paulo, com foco total no duelo na Arena da Baixada. A partida vale pontos importantes na parte de cima da tabela e pode recolocar o clube na disputa direta por uma vaga na Libertadores, objetivo assumido pela direção no início da temporada.
Moisés integra o grupo após ser liberado pelo departamento médico e ganhar ritmo em treinos específicos na última semana. O meio-campista, de 28 anos, é visto internamente como peça-chave para aumentar a intensidade no setor de criação e aproximar o time da área adversária. A comissão técnica trabalha com a ideia de utilizá-lo desde o início, explorando sua força física e chegada à frente.
Gabigol e Neymar, por outro lado, ficam fora da viagem. Os dois atacantes, principais referências técnicas do elenco, não reúnem condições de jogo e seguem sob acompanhamento em Santos. A ausência simultânea de ambos obriga o treinador a redesenhar o desenho ofensivo e a apostar em alternativas menos estreladas, mas com maior capacidade de recomposição.
No gramado sintético da Arena da Baixada, onde o Athletico costuma impor ritmo forte desde os primeiros minutos, o Santos tenta evitar o cenário das últimas três visitas, em que somou apenas um ponto em nove possíveis. Em 2024 e 2025, o time saiu derrotado por 2 a 0 e 3 a 1, em atuações que expuseram fragilidades defensivas e dificuldade de adaptação ao piso.
Estratégia ajustada e peso simbólico do jogo
A preparação para o duelo em Curitiba começa ainda na segunda-feira, no CT Rei Pelé, com treinos fechados e ênfase no posicionamento sem a bola. A comissão técnica trabalha com linhas mais compactas e saída rápida em contra-ataques, aproveitando o vigor de Moisés na transição. A ideia é compensar a falta de brilho individual com organização coletiva e disciplina tática.
Internamente, o jogo é tratado como termômetro para a sequência do campeonato. A diretoria lembra que, na edição passada, o Santos perdeu pontos decisivos fora de casa e terminou dois lugares abaixo da zona de classificação para a Libertadores. Um triunfo em Curitiba, agora, pode inverter a curva. “É confronto direto e fora de casa. Se quisermos brigar na parte de cima, jogos assim não permitem desligamento”, comenta um membro da comissão técnica, em condição de anonimato.
A ausência de Neymar tem também um peso simbólico. Desde o retorno ao clube, no fim de 2024, o camisa 10 se torna centro de atenção em viagens, aeroportos e hotéis. Sem ele, o ambiente é menos assediado, mas também perde o magnetismo que costuma atrair olhares e pressão extra. O clube tenta transformar o cenário em vantagem competitiva, reduzindo distrações e mantendo o foco no trabalho.
Gabigol, artilheiro da equipe na temporada passada com 19 gols em 41 partidas, faz falta principalmente na definição das jogadas. Sem o atacante, o Santos depende de maior participação dos meio-campistas para chegar à área e finalizar. Moisés surge justamente como esse elemento surpresa, capaz de romper linhas com condução de bola e de se apresentar para o chute de média distância.
No campo político, o desempenho em Curitiba também interessa à cúpula santista. A direção enfrenta cobranças por investimentos feitos em contratações desde 2024, com cifras que superam R$ 120 milhões em reforços. A resposta em campo, sobretudo em jogos de alto grau de dificuldade, se converte em argumento para sustentar o planejamento diante do conselho e da torcida.
Impacto na tabela e próximos movimentos do Santos
A partida contra o Athletico-PR interfere diretamente na situação do Santos no Brasileiro. A equipe chega à rodada na faixa intermediária da tabela, com pequena diferença de pontos para o bloco que disputa vaga na Libertadores. Uma vitória em Curitiba pode significar salto de duas a três posições, dependendo dos resultados paralelos. Um tropeço, por outro lado, reabre o debate sobre irregularidade como visitante.
O resultado também influencia a confiança do elenco num momento de calendário apertado. Em fevereiro, o Santos disputa ao menos seis partidas em 21 dias, média de um jogo a cada três. A comissão técnica monitora desgaste físico e psicológico e defende a necessidade de rodar o elenco, sobretudo sem contar com Neymar e Gabigol. A atuação de Moisés, neste contexto, serve como espécie de teste de protagonismo em cenário hostil.
Dirigentes avaliam que uma boa apresentação na Arena da Baixada consolida o meio-campista como referência para a sequência do torneio. Caso consiga manter regularidade, o jogador se torna opção recorrente nas partidas fora de casa, em especial nos confrontos diretos com rivais que brigam pela mesma faixa da tabela. Em caso de atuação discreta, o clube volta ao mercado em busca de alternativas para o setor de criação na próxima janela, prevista para abrir em julho.
O comportamento da torcida após o jogo também entra na conta. O Santos leva grupo reduzido de conselheiros e dirigentes a Curitiba, mas acompanha de perto a mobilização de torcedores nas redes sociais. Uma vitória tende a aliviar o ambiente na Vila Belmiro e reforçar a confiança na comissão técnica. Um revés, sobretudo se vier com desempenho fraco, pressiona por mudanças na escalação já na rodada seguinte.
O clube trata o compromisso na Arena da Baixada como peça de um quebra-cabeça maior. A resposta coletiva sem Gabigol e Neymar ajuda a medir até onde o elenco atual consegue ir em 2026. A noite em Curitiba pode não definir o futuro do Santos no campeonato, mas indica com clareza se o time está pronto para sobreviver sem seus principais astros quando a bola rola nos jogos mais duros do ano.
