Sampaoli negocia com Marrocos, mas acerto para Copa de 2026 fracassa
Jorge Sampaoli negocia, em março de 2026, para assumir a seleção de Marrocos na Copa do Mundo, mas as conversas travam e não há acordo. O cargo fica vago após o pedido de demissão de Walid Regragui, e a federação marroquina se volta a uma solução interna para o Mundial que terá Brasil e marroquinos no mesmo grupo.
Seleção sem técnico às vésperas da Copa
A possibilidade de ver Sampaoli no banco adversário do Brasil, logo na estreia da Copa do Mundo de 2026, mobiliza bastidores na federação marroquina. Marrocos está no mesmo grupo da seleção brasileira e encara o time de Dorival Júnior no primeiro jogo da fase de grupos, um duelo considerado chave para a classificação.
As negociações entre o argentino e a federação avançam o suficiente para que ambas as partes discutam cenários para o Mundial. A rádio Itatiaia confirma as tratativas e relata que Sampaoli surge como favorito para ocupar a vaga aberta com a saída de Walid Regragui. O treinador, que conduz Marrocos ao vice-campeonato da Copa Africana de Nações em janeiro, perde espaço após a derrota para Senegal na final e decide entregar o cargo semanas depois.
O portal francês Footmercato informa que Regragui pede demissão na última semana, movimento que empurra a federação para o mercado em busca de um nome de peso. O órgão ainda não se pronuncia oficialmente sobre o pedido de desligamento, mas o silêncio contrasta com a negativa pública feita em fevereiro, quando rumores de saída já circulavam. A partir dali, a sucessão passa a ser tratada com discrição e pressa.
Por que Sampaoli entra no radar marroquino
Sampaoli chega às conversas com o peso de duas Copas do Mundo no currículo. Em 2014, com o Chile, leva a equipe a um torneio competitivo, com eliminação para o Brasil nos pênaltis, nas oitavas de final, após empate e jogo duro em Belo Horizonte. Em 2018, com a Argentina, conduz uma campanha conturbada, marcada por críticas à organização tática e ao ambiente interno, que termina com queda nas oitavas diante da França, por 4 a 3, em Kazan.
A experiência em torneios curtos, somada ao histórico de trabalhos ofensivos e de forte intensidade, agrada dirigentes marroquinos. A federação vê em Sampaoli um perfil capaz de manter o protagonismo que Marrocos conquista em competições recentes, com presença constante em fases agudas de torneios continentais. O argentino, por sua vez, enxerga a chance de voltar ao palco mundial depois de oito anos e de comandar uma seleção em ascensão no cenário internacional.
O técnico chega ao radar africano livre no mercado após deixar o Atlético em fevereiro de 2026. A saída ocorre depois de um empate por 3 a 3 com o Remo, pelo Campeonato Brasileiro, em reunião com a direção atleticana. Nos números gerais da passagem mais recente, Sampaoli soma 61 jogos, com 28 vitórias, 19 empates e 14 derrotas, desempenho que mantém sua cotação alta entre clubes e seleções fora do Brasil.
As conversas com Marrocos caminham de forma reservada. A federação busca um acordo rápido para evitar que a preparação para a Copa se desgaste ainda mais sem um comando definido. A Itatiaia apura que há troca de propostas, discussão de comissão técnica e de tempo de contrato, mas que as diferenças, sobretudo em termos de projeto esportivo e condições de trabalho, impedem a assinatura. Pessoas próximas às tratativas descrevem um impasse em torno do grau de autonomia que o argentino deseja ter sobre a estrutura da seleção principal e das categorias de base.
Impacto para Marrocos, Brasil e para o mercado
O fracasso das negociações com Sampaoli empurra Marrocos para uma solução caseira. Mohamed Ouahbi, campeão da Copa do Mundo Sub-20 com a seleção marroquina, surge como favorito para assumir o comando no Mundial. A federação entende que o técnico conhece a base que compõe parte importante da atual geração e pode oferecer continuidade, em vez de uma ruptura às vésperas da competição.
A opção por Ouahbi reduz o risco de uma mudança radical de modelo de jogo a poucos meses da estreia. Também preserva o trabalho de integração entre base e time principal, iniciado após a boa campanha continental. A escolha, porém, revela a ambivalência da federação: ao mesmo tempo em que sonda um treinador de projeção internacional, recorre a um nome interno para garantir estabilidade.
Para o Brasil, o desfecho traz um componente estratégico. A comissão técnica nacional passa a se preparar para enfrentar uma seleção dirigida por um técnico de formação marroquina, com ideias já testadas na estrutura local, em vez de um treinador conhecido por surpresas táticas e por mudanças bruscas de rumo durante torneios. A ausência de Sampaoli no banco adversário reduz, em tese, o grau de imprevisibilidade na estreia, embora mantenha o adversário em um patamar competitivo.
No mercado internacional, a não-id a de Sampaoli a Marrocos mantém aberto um espaço relevante. Seleções africanas que buscam técnicos estrangeiros veem o argentino como uma alternativa disponível, com conhecimento de futebol de alto nível e histórico em Copas. Clubes de primeira prateleira na América do Sul e na Europa também seguem atentos, já que o treinador preserva um perfil de trabalho que costuma atrair projetos que aceitam mudanças rápidas e métodos intensos.
O que vem a seguir para Sampaoli e para Marrocos
Marrocos entra na reta final de preparação para a Copa do Mundo pressionado a confirmar Mohamed Ouahbi e a comunicar um plano claro para o Mundial. A definição precisa ocorrer em curto prazo para que o treinador conduza amistosos, defina a lista de convocados e organize o período de treinos antes da estreia contra o Brasil.
Sampaoli observa o cenário à distância e mantém a imagem de técnico de alcance global. A tentativa frustrada de acordo com Marrocos funciona como vitrine involuntária, expõe o interesse de seleções em seu trabalho e reforça sua presença no mercado às vésperas de um torneio que costuma redefinir carreiras. A próxima decisão do argentino, seja em outra seleção ou em um clube, tende a indicar se ele seguirá apostando em projetos de curto prazo e alta exposição ou se buscará uma reconstrução mais longa após a sequência de passagens intensas que marca sua trajetória recente.
