Sagrada Família se torna edifício mais alto de Barcelona em 2026
A Basílica da Sagrada Família atinge, em fevereiro de 2026, um novo recorde de altura e se torna o edifício mais alto de Barcelona. Com a conclusão da torre principal, o templo também se consolida como a igreja mais alta do mundo, reforçando o peso simbólico do projeto de Antoni Gaudí para a cidade e para a Espanha.
Uma nova linha no horizonte de Barcelona
O horizonte de Barcelona muda de forma definitiva quando a torre central da Sagrada Família ultrapassa todos os prédios da cidade. A estrutura principal, dedicada a Jesus Cristo, chega a 172,5 metros, superando os 154 metros da Torre Glòries e os 142 metros do Hotel Arts, antigos marcos da paisagem urbana catalã. A cidade que já se vende ao mundo como capital da arquitetura modernista agora tem, no seu cartão-postal mais célebre, também o ponto mais alto construído pelo homem em solo barcelonês.
A conquista ocorre em um canteiro de obras que segue ativo mais de 140 anos depois do início da construção, em 1882. Pedreiros, engenheiros e restauradores trabalham em turnos diários para conciliar um fluxo anual de mais de 4,5 milhões de visitantes com a montagem de peças monumentais de pedra e aço. A torre central, desenhada por Gaudí no início do século 20, avança seguindo o projeto original, reinterpretado com tecnologia de cálculo estrutural e materiais contemporâneos, mas preservando a lógica geométrica e simbólica do arquiteto.
O avanço não é apenas técnico. A cada metro adicionado, a Sagrada Família reabre o debate sobre o equilíbrio entre devoção, turismo e negócios urbanos. Desde a década de 2010, o templo figura de forma estável entre as atrações pagas mais visitadas da Europa, com impacto direto em hotéis, bares, lojas e no sistema de transporte de Barcelona. Em 2025, a fundação responsável pela gestão do templo registra receita superior a 100 milhões de euros, boa parte reinvestida nas obras e em programas de preservação.
Patrimônio em ascensão e pressão turística
A nova altura reforça a posição da Sagrada Família como orgulho da arquitetura catalã e motor da economia local. Autoridades de turismo da Catalunha projetam aumento imediato de 10% no número de visitantes em 2026, impulsionado pela repercussão do marco e pela expectativa em torno da etapa final de construção. “Cada avanço visível nas torres gera um novo ciclo de curiosidade global”, afirma, em nota, um porta-voz do consórcio turístico da cidade. A basílica, que já atrai visitantes de mais de 150 países por ano, consolida-se como eixo central do turismo cultural de Barcelona.
O recorde também tem efeito simbólico mais amplo. Em uma Europa marcada pela tensão entre preservação do patrimônio e pressão imobiliária, o fato de o edifício mais alto de Barcelona ser um templo em obras, iniciado no século 19, serve como resposta política e urbanística. A prefeitura, que há anos tenta conter o avanço de arranha-céus na orla e nos bairros de negócios, ganha um argumento extra em defesa de uma paisagem em que o valor histórico pesa tanto quanto o potencial de lucro por metro quadrado.
O reconhecimento como igreja mais alta do mundo faz da Sagrada Família referência obrigatória em debates sobre conservação de monumentos religiosos. Universidades europeias já programam, para o segundo semestre de 2026, seminários e cursos específicos sobre o canteiro de Barcelona, com foco em técnicas de restauração digital, monitoramento estrutural em tempo real e gestão de fluxo turístico em espaços devocionais. “É um laboratório vivo de engenharia, história da arte e economia urbana”, resume um pesquisador de arquitetura modernista da Universidade Politécnica da Catalunha.
Nem todos comemoram com o mesmo entusiasmo. Moradores do entorno relatam aumento contínuo de aluguéis desde a década passada e temem novo salto de preços com a onda de interesse gerada pelo recorde. Associações de bairro cobram limites mais rígidos para apartamentos de temporada e circuitos turísticos em ruas estreitas, hoje saturadas por ônibus, guias e filas constantes. O debate sobre quem ganha e quem perde com o sucesso do monumento volta ao centro da agenda municipal.
Legado de Gaudí e próximos passos da obra
O avanço da torre principal recoloca o legado de Antoni Gaudí em primeiro plano. O arquiteto, morto em 1926 após ser atropelado por um bonde, deixa desenhos, maquetes e instruções detalhadas que guiam a equipe atual. Engenheiros utilizam modelos tridimensionais e impressão em 3D para traduzir curvas complexas em peças de pedra cortadas com precisão milimétrica. Cada segmento instalado passa por análises de vento e peso que Gaudí só podia intuir, mas que hoje se confirmam em softwares de simulação.
A obra, interrompida por guerras, crises econômicas e pela pandemia de covid-19, retoma ritmo acelerado nos últimos anos. A fundação responsável pelo templo trabalha com horizonte de conclusão estrutural na virada desta década, entre 2029 e 2030, quando se completam cerca de 150 anos desde o início dos trabalhos. Restará, depois disso, uma etapa prolongada de acabamento, restauração de detalhes e adaptação dos espaços internos à demanda de fiéis e turistas, que não dá sinais de recuo.
O recorde de altura impulsiona novas iniciativas culturais em Barcelona. Projetos de iluminação cênica, exposições sobre Gaudí e circuitos que conectam a Sagrada Família a outros ícones modernistas, como a Casa Batlló e o Parque Güell, ganham prioridade em agendas públicas e privadas. A cidade tenta distribuir melhor o fluxo de visitantes e estimular permanências mais longas, que aumentam o gasto médio por turista e aliviam a pressão sobre bairros específicos.
O efeito vai além das fronteiras espanholas. Cidades com monumentos icônicos, de Paris a Istambul, observam o caso de Barcelona para calibrar políticas de valorização do patrimônio. Governos locais avaliam a possibilidade de integrar mais firmemente turismo cultural, conservação histórica e inovação tecnológica, inspirados no modelo de financiamento e gestão da Sagrada Família. A pergunta que se impõe, para Barcelona e para o mundo, é como manter vivo um monumento que nunca deixa de se transformar sem esvaziar o cotidiano de quem vive em seu entorno.
