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Rússia compartilha dados militares com Irã e pressiona EUA no Golfo

Rússia passa a fornecer ao Irã, em 7 de março de 2026, inteligência detalhada sobre tropas e meios dos Estados Unidos no Oriente Médio. China avalia apoio financeiro e tecnológico a Teerã, enquanto Washington mantém mais de 50 mil soldados em operação para destruir os mísseis balísticos iranianos.

Moscou entra no tabuleiro da guerra

Relatórios de inteligência dos EUA indicam que Moscou compartilha com o Irã dados sensíveis sobre posições e movimentações de tropas, navios e aeronaves americanas na região. As informações vêm, em grande parte, de um conjunto avançado de satélites de vigilância russos, capazes de rastrear deslocamentos militares em tempo quase real.

A cooperação marca uma nova fase na relação estratégica entre Moscou e Teerã, construída ao longo de pelo menos três anos de parceria em mísseis e drones. Nesse período, o Irã envia drones Shahed e mísseis balísticos de curto alcance para a Rússia usar na guerra na Ucrânia e ajuda a montar uma grande fábrica de drones em território russo. Em troca, busca apoio russo para fortalecer seu programa nuclear e agora recebe inteligência militar em meio ao confronto direto com os Estados Unidos.

Autoridades americanas ainda não conseguem afirmar se ataques específicos do Irã contra alvos dos EUA derivam diretamente das informações russas. Nas últimas semanas, porém, drones iranianos atingem locais onde tropas americanas estiveram pouco antes. Um desses ataques atinge uma instalação improvisada que abrigava militares dos EUA no Kuwait, no domingo, e mata seis soldados, segundo a CNN.

Uma fonte com acesso aos relatórios de inteligência resume o movimento como um gesto político calculado: “Isso mostra que a Rússia ainda gosta muito do Irã”. O Kremlin e a embaixada russa em Washington não comentam oficialmente o caso.

China equilibra petróleo, mísseis e diplomacia

Enquanto Rússia entra mais fundo na crise, a China se move com cautela. Três fontes ouvidas por autoridades dos EUA afirmam que Pequim avalia oferecer assistência financeira, peças de reposição e componentes de mísseis ao Irã. Não há, até agora, envolvimento direto chinês no campo de batalha, mas o debate interno aumenta a pressão sobre Washington e seus aliados asiáticos.

Pequim depende fortemente do petróleo iraniano para abastecer sua economia e, segundo relatos, pressiona Teerã a garantir a passagem segura de navios comerciais pelo Estreito de Hormuz. Cerca de um quinto do petróleo negociado no mundo passa por essa faixa estreita entre Irã e Omã, o que torna qualquer crise local um risco imediato para os preços globais de energia.

Uma das fontes ouvidas por serviços de inteligência descreve o dilema de Pequim: “A China é mais cautelosa em seu apoio. Ela quer que a guerra termine porque coloca em risco seu fornecimento de energia”. A embaixada chinesa em Washington não se manifesta sobre a possibilidade de ajuda militar ou financeira ao Irã.

Dentro do governo americano, a avaliação oficial tenta reduzir o peso de Moscou e Pequim na escalada atual. Questionado sobre o compartilhamento de inteligência, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirma ao programa 60 Minutes, da CBS, que “estamos monitorando tudo”. Em seguida, tenta transmitir segurança ao público interno: “O povo americano pode ficar tranquilo, pois seu comandante em chefe está plenamente ciente de quem está falando com quem”.

Em conversa posterior com repórteres, Hegseth diz que Rússia e China “não são realmente um fator” na guerra com o Irã, embora o conjunto de sinais aponte para um alinhamento mais sólido entre os três países contra a pressão militar e econômica dos Estados Unidos.

Operação americana mira o arsenal iraniano

No terreno, a guerra cobra uma mobilização inédita dos EUA no Oriente Médio nesta década. A operação contra o Irã envolve mais de 50 mil tropas, mais de 200 caças e dois porta-aviões, segundo o comandante do Comando Central (CENTCOM), almirante Brad Cooper. A Casa Branca não define prazo para o fim da campanha, que consome bilhões de dólares por mês em deslocamentos, munições e apoio logístico.

O objetivo declarado do Pentágono é eliminar a capacidade de mísseis balísticos do Irã, considerada a principal peça do arsenal estratégico de Teerã. O secretário Hegseth afirma que o regime iraniano usa esses mísseis como um “escudo” para avançar em seu programa nuclear, ao criar um custo elevado para qualquer tentativa de ataque preventivo contra instalações atômicas.

A escalada militar altera o cálculo de risco de governos e empresas em todo o mundo. Países europeus, já pressionados pela guerra na Ucrânia desde 2022, veem a possibilidade de um novo choque de energia em plena desaceleração econômica. Grandes importadores asiáticos monitoram a rota do Estreito de Hormuz diariamente e revisam planos de emergência para o caso de bloqueios ou ataques a petroleiros.

O alinhamento entre Rússia, Irã e possivelmente China também redesenha alianças. Fornecedores de armas ocidentais ganham contratos com países do Golfo que temem o avanço iraniano, enquanto Moscou e Pequim testam sua capacidade de sustentar guerras prolongadas por meio de parceiros regionais. Para os EUA, o conflito abre uma frente adicional de desgaste militar e político, em um momento de disputa intensa com a China no Indo-Pacífico.

Pressão sobre mercados e incerteza diplomática

A combinação de satélites russos, drones e mísseis iranianos e possível dinheiro chinês cria um eixo de interesse comum diante das sanções ocidentais. Essa coordenação não apenas fortalece o Irã no campo de batalha, como eleva o custo de qualquer negociação futura sobre o programa nuclear e a segurança no Golfo Pérsico.

Analistas veem um cenário de sanções adicionais contra bancos russos, empresas iranianas e entidades chinesas que, porventura, sejam flagradas apoiando militarmente Teerã. Medidas dessa natureza tendem a encarecer o crédito internacional, sobretudo para países emergentes com forte dependência de combustíveis fósseis e rotas marítimas seguras.

A comunidade internacional tenta manter canais diplomáticos abertos, mas não há, por enquanto, uma iniciativa de mediação com peso suficiente para conter a escalada. Governos europeus discutem novas resoluções na ONU, enquanto países do Golfo calculam quanto podem se afastar de Washington sem comprometer acordos de defesa.

O desfecho da ofensiva americana contra o arsenal de mísseis iraniano deve definir o grau de influência de Rússia e China sobre o conflito. Se Teerã preservar parte significativa de suas capacidades, tende a negociar de posição fortalecida com apoio de Moscou e eventual ajuda de Pequim. Se perder esse trunfo, pode recuar à mesa de negociações, mas à custa de uma região ainda mais fragmentada. A resposta a essa equação, por enquanto, segue em campo aberto, sob o ruído constante de drones e caças sobre o Golfo.

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