Ronaldo Caiado deixa União Brasil e se filia ao PSD de olho em 2026
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, deixa o União Brasil e se filia ao PSD em janeiro de 2026 para viabilizar a candidatura à Presidência. O movimento reposiciona o tabuleiro eleitoral e dá novo peso ao partido de Gilberto Kassab nas articulações para o Planalto.
Cálculo eleitoral e mudança de rota
A filiação ao PSD encerra uma etapa da trajetória de Caiado, que nos últimos anos tenta transformar a projeção regional em capital nacional. Aos 76 anos e no segundo mandato em Goiás, ele aposta na estrutura e na capilaridade do PSD para chegar competitivo à corrida de 2026. A decisão é negociada nos bastidores há meses e amadurece à medida que o União Brasil se mostra dividido e pouco disposto a bancar um candidato próprio à Presidência.
O PSD, fundado por Kassab em 2011, soma hoje dezenas de prefeitos e governadores, além de bancadas expressivas na Câmara e no Senado. Essa rede interessa diretamente ao projeto de Caiado, que precisa furar a bolha regional e ampliar presença em colégios eleitorais decisivos como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Nordeste. Aliados próximos avaliam que, sem a mudança, a candidatura presidencial corria o risco de morrer na largada, restrita ao Centro-Oeste e a nichos do eleitorado conservador.
Impacto no União Brasil e redesenho das alianças
A saída de Caiado expõe fragilidades do União Brasil, sigla criada em 2022 a partir da fusão de DEM e PSL. O partido controla tempo expressivo de televisão e fundo eleitoral bilionário, mas sofre com disputas internas e falta de unidade em temas centrais, como a eleição presidencial. Dirigentes ouvidos reservadamente admitem o incômodo com a perda de um governador bem avaliado e com ambição nacional. “O União perde um quadro com voto e visibilidade, mas já vinha deixando claro que não teria um projeto presidencial coeso”, diz um integrante da cúpula partidária.
O PSD, por sua vez, ganha fôlego e discurso. A chegada de um governador do porte de Caiado reforça a narrativa de partido preparado para liderar um projeto nacional, não apenas para compor alianças. Kassab se movimenta para transformar a filiação em ativo político imediato, oferecendo ao novo correligionário palanques regionais, estrutura de comunicação e presença em estados estratégicos. Com isso, mexe também nos planos de outras legendas do centro e da direita, que contavam com o governador goiano como aliado ou potencial vice em 2026.
Disputa pelo centro e teste de viabilidade
A movimentação de Caiado ocorre em um cenário de disputa intensa pelo eleitorado de centro e de direita. Desde 2018, esse campo político se fragmenta em diferentes candidaturas e siglas, sem um nome de consenso. A filiação ao PSD sinaliza que o governador pretende ocupar esse espaço com discurso de segurança, gestão fiscal conservadora e defesa do agronegócio, setor responsável por mais de 25% do PIB goiano e peça-chave na articulação nacional de sua campanha.
Pesquisas internas de aliados apontam que Caiado ainda é pouco conhecido fora do Centro-Oeste, mas tem margem para crescer entre eleitores que rejeitam tanto o governo federal atual quanto a volta de adversários tradicionais. A aposta do PSD é usar 2026 como janela para apresentar o governador ao país, com viagens programadas já para o primeiro semestre e intensificação da presença em redes sociais e programas de rádio e TV locais. “Ele chega com governo nas mãos, resultados econômicos para mostrar e um partido com musculatura. O teste agora é transformar isso em voto”, avalia um estrategista político que acompanha as negociações.
Goiás como vitrine e riscos calculados
O desempenho de Goiás se torna peça central no discurso presidencial de Caiado. O governo estadual explora indicadores como a expansão do agronegócio, a atração de novas indústrias e o reforço na área de segurança, com aumento do efetivo policial e queda em determinados índices criminais nos últimos anos. Esses dados alimentam a narrativa de gestor firme, capaz de combinar endurecimento contra o crime com estímulos à atividade econômica.
A ambição nacional, contudo, não vem sem riscos. A saída do União Brasil pode provocar fissuras locais, especialmente entre prefeitos e deputados que permanecem na antiga sigla e controlam bases eleitorais importantes. Em ano pré-eleitoral, cada mudança de legenda pressiona o tabuleiro municipal e exige novos acordos para 2026. Em Goiás, aliados admitem reservadamente que haverá tensão na montagem das chapas proporcionais, área sensível em qualquer rearranjo partidário.
O papel de Kassab e o tabuleiro de 2026
Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo e presidente nacional do PSD, volta ao centro do xadrez político com a filiação de Caiado. Conhecido pela capacidade de transitar entre governos de diferentes espectros ideológicos, Kassab enxerga na eleição de 2026 mais uma chance de colocar o partido em posição de protagonismo. A entrada do governador goiano oferece um nome competitivo, com mandato e estrutura própria, condição rara em um cenário de candidaturas ainda em formação.
As próximas semanas serão decisivas para medir o alcance real do movimento. Caiado precisará provar capacidade de unificar o PSD em torno de seu nome, fechar alianças regionais e, sobretudo, se apresentar ao eleitorado nacional como alternativa viável. Do outro lado, União Brasil, partidos do centro político e siglas à direita recalculam rotas, pesam perdas e ganhos e reavaliam cenários de alianças e eventuais segundas voltas em 2026. A filiação ao PSD responde a uma pergunta imediata sobre onde estará Ronaldo Caiado na disputa presidencial; ainda está em aberto se o novo endereço partidário será suficiente para levá-lo até o segundo turno.
