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Rompimento de reservatório da Sabesp mata trabalhador e fere 7 em Mairiporã

Um reservatório de água em construção pela Sabesp rompe na manhã desta quarta-feira (11) em Mairiporã, na Grande São Paulo. Um trabalhador terceirizado morre e sete moradores ficam feridos, um em estado grave, depois que a enxurrada invade casas e arrasta veículos na Rua Jacarandá, no bairro Capoavinha.

Enxurrada surpreende bairro residencial

A rotina do Capoavinha muda em poucos minutos, por volta das 11h. A estrutura que deveria reforçar o abastecimento de água na região se rompe durante a fase de testes e libera um grande volume de água sobre a parte baixa do bairro. A enxurrada invade pelo menos quatro casas de forma direta e atinge outras construções na sequência, enquanto moradores tentam sair às pressas.

O colaborador da empresa terceirizada, que trabalhava na obra do reservatório, é atingido no canteiro e não resiste. Na rua estreita, cercada por casas simples, móveis, eletrodomésticos e entulho se acumulam rapidamente. O Corpo de Bombeiros informa que dez veículos sofrem danos diretos, alguns arrastados, outros parcialmente soterrados pelo material que vem junto com a água.

A Defesa Civil estadual é acionada para uma ocorrência de inundação e desabamento na Rua Jacarandá. Técnicos percorrem o trecho mais afetado e interditam imóveis com risco estrutural. A Secretaria de Segurança Pública e a prefeitura de Mairiporã montam um ponto de apoio para cadastrar as famílias, organizar abrigos e fazer o primeiro levantamento de danos.

Moradores relatam que o barulho do rompimento se confunde com uma explosão. A força da água derruba muros, rompe portões e arranca portões de garagem. Em poucos minutos, a rua se transforma em um corredor de lama, com paredes rachadas e carros empilhados. A cena contrasta com a promessa de melhoria no fornecimento de água, usada para justificar a obra iniciada meses antes.

Sabesp promete ressarcir prejuízos e abre investigação

A Sabesp confirma que o reservatório ainda está em construção e afirma que 25 famílias têm seus imóveis impactados de alguma forma. Nove são encaminhadas para hotéis, custeados pela companhia, e 16 vão para casas de parentes que moram perto, com apoio para alimentação e estadia. Um grupo de 20 técnicos da empresa inicia visitas casa a casa para avaliar perdas e danos materiais.

Em nota, a companhia lamenta a morte do trabalhador terceirizado e se solidariza com moradores. “A Sabesp lamenta profundamente o falecimento de um colaborador da empresa contratada (…) e se solidariza com sua família, amigos e colegas de trabalho neste momento de imensa dor”, diz o texto. A empresa afirma que vai ressarcir todos os prejuízos e que dá “prioridade total ao atendimento das vítimas e dos moradores afetados”.

O Governo do Estado de São Paulo também divulga posicionamento e reforça o discurso de assistência. “O Estado está focado em cuidar de todos e garantir prioridade neste momento para o atendimento às pessoas atingidas e ressarcimento dos prejuízos, tanto para os afetados quanto para o município”, afirma a nota oficial. Equipes da Defesa Civil estadual permanecem no local ao longo da tarde para apoiar o trabalho dos bombeiros e da prefeitura.

A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) acompanha o caso desde as primeiras horas após o acidente. O diretor-presidente, Daniel Narzetti, e técnicos da agência vão a Mairiporã para iniciar os procedimentos de apuração. A Arsesp, responsável por fiscalizar o serviço de saneamento, quer entender em que condições a estrutura é testada e quais protocolos de segurança são adotados.

A Sabesp, por sua vez, diz que aciona “imediatamente as autoridades competentes” e abre uma investigação interna. A companhia promete uma apuração “rigorosa” para identificar as causas do rompimento do reservatório. O resultado dessa análise será decisivo para definir responsabilidades, desde a concepção do projeto até a execução da obra pela empresa contratada.

Tragédia acende alerta sobre segurança em obras de infraestrutura

O rompimento em Mairiporã volta a expor a fragilidade de obras de grande porte em áreas urbanas e de encosta na Grande São Paulo. Reservatórios, barragens e caixas-d’água em construção exigem cálculos de engenharia e controles de qualidade rigorosos exatamente para evitar o que se vê nesta quarta-feira: morte, feridos, desabamentos e um bairro inteiro paralisado. A investigação técnica precisa esclarecer se há falha de projeto, erro de execução, problema em materiais ou irregularidade no processo de teste.

Enquanto as respostas não chegam, moradores contam prejuízos imediatos. Geladeiras, móveis, documentos, roupas e ferramentas de trabalho se perdem na inundação. Famílias inteiras saem de casa apenas com a roupa do corpo. A Sabesp assume o custeio temporário de hospedagem e alimentação, mas o retorno à normalidade depende de laudos estruturais e de um cronograma claro de reparos e indenizações.

O governo estadual enfatiza que as apurações serão conduzidas “com rigor” e promete transparência na divulgação dos resultados. Técnicos da Arsesp e de órgãos de fiscalização devem analisar se o licenciamento da obra prevê planos de contingência, rotas de fuga e estudos de impacto sobre o entorno. A prefeitura de Mairiporã também passa a pressionar por prazos e garantias para que episódios semelhantes não se repitam.

Próximos passos e pressão por transparência

Nos próximos dias, o centro da crise migra do resgate e atendimento emergencial para a disputa por responsabilidades e valores de indenização. Moradores devem recorrer ao Ministério Público, à Defensoria Pública e a ações coletivas para garantir que o compromisso de ressarcimento se traduza em pagamentos efetivos e rápidos. A Sabesp, como maior companhia de saneamento do país, enfrenta mais uma prova de confiança junto à população e aos órgãos de controle.

As investigações técnicas e criminais vão precisar detalhar o passo a passo da obra e do teste que antecede o rompimento desta quarta-feira. O resultado não interessa apenas às famílias da Rua Jacarandá, mas a todas as cidades que recebem grandes obras de infraestrutura em áreas habitadas. A forma como o caso de Mairiporã é esclarecido e reparado definirá se a tragédia será tratada como um acidente isolado ou como um alerta definitivo sobre a segurança de projetos públicos no Estado de São Paulo.

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