Esportes

Rojões, confronto e Choque da PM marcam empate da Ponte em Campinas

Rojões, correria e o Pelotão de Choque da PM transformam a saída do Moisés Lucarelli em cenário de tensão na noite de 24 de janeiro de 2026, em Campinas. Torcedores da Ponte Preta protestam após o empate por 2 a 2 com o Noroeste, que mantém o time na lanterna do Paulistão, sem vitória após cinco rodadas.

Protesto após novo tropeço leva Choque da PM ao Majestoso

O apito final mal soa e uma parte da torcida da Ponte Preta não espera entrevistas ou coletivas. O grupo deixa as arquibancadas, cerca a área externa do estádio Moisés Lucarelli e se concentra perto dos vestiários do time. São torcedores comuns, sem faixas de organizadas, que transformam frustração acumulada em protesto ruidoso.

Rojões começam a estourar em sequência, alguns deles próximos à entrada dos vestiários da Macaca. O barulho ecoa pelos corredores estreitos do Majestoso e atrai reforço imediato da Polícia Militar, já posicionada no entorno do estádio por causa do jogo válido pela quinta rodada do Campeonato Paulista de 2026.

O clima muda de reclamação para confronto em poucos minutos. Há empurra-empurra, correria e gritos enquanto policiais tentam dispersar o grupo. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram bombas estourando e torcedores correndo pelas ruas ao redor do estádio, em meio a fumaça e sirenes ligadas. A PM responde acionando o Pelotão de Choque, que se posiciona em linha na frente do Moisés Lucarelli para conter novos avanços.

Com o reforço, a situação começa a se normalizar. As imagens registram policiais de escudo em punho, capacete e armamento não letal à mostra, em formação típica de controle de distúrbios. Do outro lado, torcedores ainda xingam dirigentes e jogadores, mas a tensão perde intensidade à medida que a tropa de choque ocupa a área e os rojões cessam.

Internamente, a direção da Ponte tenta acalmar o ambiente e garante, em conversas reservadas, que acompanha a movimentação com preocupação. A cena de um estádio cercado por choque, após um empate em fase inicial de estadual, acende um alerta em um clube que já convive com cobranças desde o rebaixamento recente no futebol paulista.

Lanterna, jejum de vitórias e Dérbi decisivo na sequência

O conflito do lado de fora contrasta com um sinal tímido de melhora em campo. A Ponte Preta marca seus primeiros dois gols no Paulistão justamente nesta partida diante do Noroeste, depois de quatro jogos em branco. Ainda assim, o empate por 2 a 2 não basta para tirar o time da lanterna do grupo: são apenas 1 ponto somado em 15 possíveis, aproveitamento de 6,6%.

A sequência pesa na paciência do torcedor. Desde a estreia, a equipe não consegue transformar posse de bola e volume em vitórias. A cada rodada sem triunfo, cresce a sensação de que a Ponte entra em nova espiral de risco, com possibilidade concreta de brigar contra o rebaixamento na reta final da fase de grupos, que termina em três rodadas.

A tabela não oferece respiro. No próximo sábado, dia 31, a Ponte disputa o Dérbi 213 contra o Guarani, no Brinco de Ouro, em um dos clássicos mais carregados de rivalidade do país. O duelo ganha peso extra: a campanha ruim transforma o clássico em jogo de sobrevivência esportiva e política. Uma nova atuação sem vitória pode ampliar a pressão sobre comissão técnica, elenco e diretoria.

Depois do Dérbi, a Ponte encara a Portuguesa, no Canindé, e fecha a primeira fase em casa, contra o São Paulo, adversário de peso em reta final de classificação. Em 3 jogos, o clube tenta reverter uma campanha que começa a deixar cicatrizes. Dirigentes avaliam possibilidades de reforços pontuais e mudanças táticas, mas esbarram nas limitações de orçamento típicas de um início de temporada.

Especialistas ouvidos por comentaristas de TV e rádio apontam que a pressão exercida fora de campo, como a registrada nesta noite em Campinas, costuma impactar o ambiente interno. Jogadores passam a conviver com receio de novas cenas de hostilidade em saídas de estádio e treinos abertos, enquanto treinadores encaram questionamentos diários sobre comando, esquema e escolha de titulares.

Segurança em debate e relação com a torcida em xeque

O uso de rojões nas imediações dos vestiários reacende uma discussão conhecida no futebol paulista: o limite entre protesto legítimo e risco à integridade de atletas, funcionários e torcedores. A presença do Pelotão de Choque, em uma partida de fase classificatória, indica que as autoridades tratam o episódio como alerta para jogos futuros, sobretudo em clássicos de grande apelo como o Dérbi 213.

A Polícia Militar não divulga balanço com número de detidos ou feridos até o fechamento desta edição, mas sinaliza, por meio da mobilização de efetivo, que não pretende reduzir o nível de prontidão. A direção da Ponte, por sua vez, sabe que uma nova noite de tensão pode afastar famílias do estádio, prejudicar a bilheteria e manchar ainda mais a imagem de um clube que busca reconstrução dentro e fora de campo.

Nas redes sociais, torcedores dividem posição. Uma parte vê o protesto como resposta inevitável à campanha fraca e cobra “atitude” de jogadores e dirigentes. Outra critica a escalada do confronto e afirma que rojões e bombas afastam o torcedor comum e ampliam o risco de punições esportivas, como perda de mando de campo ou restrições de público impostas pela Federação Paulista.

O episódio também pressiona o clube a rever canais de diálogo com a torcida. Conselheiros defendem reuniões abertas, prestação de contas mais frequente e ações de aproximação que incluam planos de sócio torcedor, transparência financeira e participação em decisões simbólicas, como escolha de uniformes e campanhas de marketing. Sem isso, a arquibancada tende a enxergar a diretoria como distante e surda a cobranças.

As próximas três partidas vão dizer se a noite de rojões e choque fica registrada como um ponto fora da curva em um início instável ou como marco de uma crise mais profunda. Em Campinas, a pergunta que ecoa após o empate com o Noroeste é direta: a Ponte Preta ainda tem tempo e fôlego para virar o jogo dentro de campo antes que a pressão de fora ultrapasse o limite do suportável?

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