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Rizek vê convocação de Neymar em 2026 improvável, mas não impossível

O jornalista André Rizek afirma que a convocação de Neymar para a Copa do Mundo de 2026 é improvável neste momento, mas recusa cravar a ausência do camisa 10. A cinco meses do Mundial, ele recorre ao exemplo de Ronaldo Fenômeno em 2002 para defender que ainda é cedo para sentenças definitivas.

Comparação com Ronaldo reacende debate sobre Neymar

Rizek publica a análise em fevereiro de 2026, quando o Mundial se aproxima e a Seleção Brasileira ainda não tem lista definida. O comentário atinge em cheio um torcedor dividido entre a preocupação com a forma física de Neymar, hoje com 34 anos, e a memória de reviravoltas históricas em Copas.

Na postagem, o apresentador do SporTV organiza o raciocínio em torno de três pontos. Primeiro, admite que, no cenário atual, imaginar Neymar nos Estados Unidos, Canadá e México parece fora da realidade. Em seguida, relembra que, em janeiro de 2002, a apenas cinco meses da Copa da Coreia do Sul e do Japão, poucos acreditam que Ronaldo teria condições de disputar o Mundial depois de quase 600 dias afastado por uma lesão gravíssima no joelho. Por fim, faz o contraponto que sustenta toda a reflexão: “Neymar não é Ronaldo – nem tentem comparar, por favor. Mas o caso do Fenômeno mostra como é bobagem decretar qualquer coisa hoje”.

O paralelo não busca igualar trajetórias, mas questionar o tom definitivo de parte do debate atual. Em 2002, Ronaldo chega à Copa cercado de dúvidas, depois de uma sequência de cirurgias e longos períodos de fisioterapia. Aos 25 anos, responde em campo com oito gols e o protagonismo absoluto da conquista do pentacampeonato, em Yokohama, em 30 de junho daquele ano.

Neymar vive hoje um roteiro menos linear. Desde a temporada 2022/2023, a carreira do atacante entra em espiral de lesões musculares e problemas no joelho, somando longos períodos fora dos gramados. Em 2026, já de volta ao Santos, ele participa de apenas dois jogos oficiais no ano, número que alimenta ceticismo sobre sua presença em uma competição que exige nível físico máximo durante sete partidas em 30 dias.

Ancelotti, elenco sob pressão e esperança calculada

A análise de Rizek mira também o ambiente em torno do técnico Carlo Ancelotti, responsável por anunciar a convocação final. O italiano lida com a necessidade de montar uma equipe competitiva para tentar recolocar o Brasil entre os protagonistas após campanhas frustrantes em 2018 e 2022, ao mesmo tempo em que administra a expectativa em torno de uma geração em transição.

Nesse cenário, Neymar surge como um dilema. De um lado, ainda é o jogador mais talentoso da sua geração, com 79 gols em 128 jogos pela Seleção principal, marca alcançada ao longo de 13 anos de serviço. Do outro, enfrenta sequência de tratamentos médicos, limitação de minutos e a pressão para não ser convocado apenas pelo nome. A cada nova lesão, a dúvida se repete: vale arriscar uma vaga em um atleta que talvez não alcance 100% da forma física até junho?

A lembrança de Ronaldo em 2002 funciona como espécie de antídoto contra decisões precipitadas. Rizek não promete um novo milagre médico, mas pede cautela. “Hoje, parece loucura imaginar Neymar na Copa”, escreve, para em seguida lembrar que, há duas décadas, “ninguém achava viável Ronaldo jogar”. O recado atinge dirigentes, comissão técnica e torcedores: convocações para Copa não se decidem em fevereiro.

Para os fãs de Neymar, o discurso oferece um respiro. A mensagem de que a porta segue entreaberta alimenta uma esperança calculada, sustentada na experiência de que recuperações surpreendentes já ocorreram em ciclos anteriores. Para críticos e defensores de uma renovação imediata, o argumento funciona como alerta de que decisões técnicas não podem ser substituídas por julgamentos emocionais nas redes sociais.

Calendário curto, decisões adiadas e a Copa no horizonte

Os próximos meses se tornam decisivos tanto para Neymar quanto para Ancelotti. O atacante precisa transformar a recuperação clínica em minutos em campo, sequência de jogos e sinais claros de evolução física. A comissão técnica, por sua vez, acompanha exames, relatórios médicos, dados de desempenho e resposta em treinos de alta intensidade antes de qualquer definição.

O Brasil tem, pela frente, amistosos e período de preparação que funcionam como último filtro. Cada convocação parcial, cada treino com bola, cada teste em jogo oficial pesa na balança. Uma convocação arriscada pode significar abrir mão de um jovem em ascensão; uma ausência precipitada pode significar desperdiçar o talento de um atleta decisivo em mata-mata, ainda que por 30 minutos.

O comentário de Rizek não encerra o debate, mas redefine o tom. Em vez de discutir se Neymar está “acabado” ou se deve ser titular indiscutível, a discussão passa a girar em torno de prazos, informações médicas confiáveis e critérios técnicos. A pergunta deixa de ser apenas “vai ou não vai” e se torna “em quais condições ele pode ir”.

A Copa de 2026 se aproxima com o Brasil em busca de identidade e de referências dentro e fora de campo. Ronaldo, em 2002, prova que histórias improváveis podem mudar o rumo de um Mundial. Neymar, em 2026, ainda escreve o capítulo final do seu ciclo na Seleção. A escolha caberá a Ancelotti, aos médicos e ao próprio jogador, mas também será moldada pelo clima que se constrói agora, quando ainda é tempo de esperar antes de decretar sentenças definitivas.

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