Ultimas

Reprovação a Trump atinge recorde em meio à guerra contra o Irã

A aprovação de Donald Trump cai a 36% em março de 2026, o pior índice desde o início do atual mandato. A rejeição ao presidente chega a 62%, em meio à alta de preços e à crescente desaprovação da guerra contra o Irã.

Queda acelerada em uma semana de pressão

A nova pesquisa Reuters/Ipsos, realizada entre 20 e 23 de março com 1.272 adultos nos Estados Unidos, registra uma virada brusca no humor do eleitorado. Em apenas uma semana, a aprovação a Trump recua de 40% para 36%, enquanto a desaprovação sobe de 58% para 62%, dentro de uma margem de erro de três pontos percentuais.

Os números chegam em um momento de inflação em alta e de combustíveis mais caros, consequência direta da guerra contra o Irã, deflagrada em 28 de fevereiro por Estados Unidos e Israel. O custo de vida volta ao centro da conversa política americana e corrói a principal credencial que Trump tenta preservar desde a primeira passagem pela Casa Branca: a imagem de gestor eficiente da economia.

O levantamento mostra que só 25% dos norte-americanos aprovam o desempenho do presidente no combate ao aumento dos preços. Para 75% da população, a Casa Branca falha em responder ao aperto no orçamento doméstico. Essa percepção ganha força nas redes sociais e em programas de rádio locais, onde consumidores relatam a dificuldade de encher o tanque ou fazer a compra do mês.

A avaliação geral da economia segue a mesma tendência negativa. Apenas 29% dizem aprovar a gestão econômica de Trump, o índice mais baixo somando os dois mandatos iniciados em 2017 e retomados em 2025. O dado atinge o coração da narrativa republicana, calcada na ideia de prosperidade e crescimento sob liderança conservadora.

Guerra impopular amplia desgaste político

O conflito com o Irã aprofunda o desgaste do governo. Segundo a pesquisa, só 35% dos americanos apoiam os ataques norte-americanos contra o país persa, ante 37% na semana anterior. A rejeição à guerra alcança 61%, ante 59% no levantamento anterior. A tendência aponta uma erosão gradual do respaldo à ofensiva militar, à medida que o conflito se arrasta e pressiona os preços internos.

No debate público, cresce a associação entre a escalada no Oriente Médio e a vida cotidiana nos Estados Unidos. Especialistas ouvidos por veículos locais relacionam a alta dos combustíveis ao risco de interrupções no fornecimento de petróleo e às sanções cruzadas entre Washington e Teerã. Em reuniões com doadores, Trump insiste que a operação militar “protege a segurança americana” e diz que o país enfrenta um “inimigo implacável”, mas as falas não impedem o aumento da fadiga entre os eleitores.

A experiência recente pesa. Parte do eleitorado compara o atual engajamento no Irã às intervenções prolongadas no Iraque e no Afeganistão. Democratas exploram esse paralelo em discursos no Congresso, afirmando que o governo “repete erros do passado” ao entrar em um conflito sem um plano claro de saída. Republicanos aliados ao presidente defendem que a demonstração de força é necessária para conter Teerã e seus aliados na região.

O cenário eleitoral se complica para Trump. A menos de um ano da disputa pela Casa Branca, índices de 36% de aprovação e 62% de rejeição limitam o espaço para ampliar apoios fora da base fiel. Em estados decisivos, como Pensilvânia, Michigan e Wisconsin, democratas já citam a pesquisa Reuters/Ipsos em discursos e peças publicitárias, apresentando o presidente como responsável direto pela alta de preços e pela instabilidade internacional.

Analistas em Washington avaliam que a combinação de inflação, guerra impopular e fadiga com um segundo mandato torna o ambiente mais hostil ao governo. A Casa Branca tenta reagir com anúncios de pacotes de estímulo e promessas de acelerar negociações diplomáticas, mas enfrenta desconfiança crescente entre independentes e moderados.

Economia em xeque e riscos para a campanha

A pesquisa não mede só sensações abstratas. Os números apontam quem paga a conta da atual estratégia política e militar. Famílias de baixa e média renda sentem de forma mais aguda o encarecimento dos combustíveis e dos alimentos. Empresas de transporte e do setor agrícola reclamam de margens comprimidas, enquanto economistas alertam para o risco de desaceleração caso o conflito se prolongue.

Dentro do Partido Republicano, o levantamento alimenta o desconforto de parlamentares em distritos competitivos, preocupados em herdar o desgaste do presidente. Parte deles começa a defender, em reuniões fechadas, uma “correção de rota” na política externa e uma agenda econômica mais focada em aliviar o custo de vida. A ala trumpista reage e acusa críticos internos de falta de lealdade em um momento de guerra.

A oposição democrata enxerga na combinação de guerra e inflação uma oportunidade para reverter derrotas recentes em estados do Meio-Oeste e do Sul. Líderes do partido insistem em conectar cada centavo a mais na bomba de gasolina às decisões de Trump em relação ao Irã. “Os americanos estão pagando a guerra no caixa do supermercado”, resume um estrategista democrata em off.

No exterior, aliados europeus observam o enfraquecimento político do presidente com atenção. A queda na popularidade pode limitar a disposição de Trump em manter uma frente prolongada contra Teerã ou em ampliar sanções que atinjam também economias parceiras. Governos da região calculam se o atual desenho da guerra resiste a um eventual recuo da Casa Branca.

Pressão por resultados rápidos e eleições no horizonte

O governo tenta ganhar tempo. Assessores de Trump insistem que a operação militar entra em uma “fase decisiva” e prometem, nos bastidores, uma solução em poucas semanas. Até agora, porém, não há sinal claro de desescalada nem de acordo político com o Irã. Cada novo episódio do conflito tende a repercutir diretamente nos índices de popularidade.

As próximas pesquisas nacionais e estaduais vão indicar se a queda atual marca um ponto de inflexão duradouro ou se o governo consegue recuperar parte do terreno perdido. A trajetória recente, com piora em sete dias, acende o alerta nas campanhas e nas bolsas. Trump aposta que uma eventual melhora da economia e um fim controlado da ofensiva contra o Irã podem reverter o humor do eleitorado. O relógio eleitoral corre em sentido contrário e deixa em aberto uma questão central: até quando a sociedade americana aceitará pagar o custo político e econômico de mais uma guerra no Oriente Médio?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *