Regulamento salva São Paulo do Z2 no Paulistão após derrota para o Palmeiras
O São Paulo escapa da zona de rebaixamento do Campeonato Paulista graças ao regulamento, mesmo após perder por 3 a 1 para o Palmeiras neste sábado (24). O Tricolor tem a mesma pontuação do Noroeste, mas se mantém fora do Z2 porque soma uma vitória a mais, primeiro critério de desempate da competição.
Vitória solitária mantém Tricolor fora do Z2
O time de Hernán Crespo vive um início de temporada pressionado dentro e fora de campo. Em cinco partidas pelo Paulistão, o São Paulo acumula uma vitória, um empate e três derrotas. O desempenho rende apenas quatro pontos e a 14ª posição na tabela, a duas casas da lanterna, mas ainda suficiente para respirar fora da zona de rebaixamento.
O Noroeste, primeiro clube dentro do Z2, soma os mesmos quatro pontos, mas chega a eles de outro modo: quatro empates e uma derrota. A equipe do interior perde em número de vitórias, hoje zero, e por isso aparece atrás do São Paulo, mesmo exibindo um saldo de gols menos negativo. Na prática, a única vitória tricolor, contra o São Bernardo na 2ª rodada, vira um escudo estatístico neste momento do torneio.
O regulamento do Campeonato Paulista define que, em caso de igualdade em pontos, o primeiro critério de desempate é o número de vitórias. Só depois entram saldo de gols, gols marcados e outros itens. O desenho atual da tabela expõe de forma didática o peso dessa regra. Com campanha irregular, o São Paulo se apoia em um único resultado positivo para evitar um constrangimento histórico tão cedo em 2026.
O cenário contrasta com a crise que atravessa o clube. Fora de campo, o São Paulo enfrenta questionamentos sobre gestão, finanças e planejamento esportivo. Dentro das quatro linhas, a derrota por 3 a 1 para o Palmeiras, clássico disputado no sábado, reforça a sensação de time vulnerável, sem padrão estável e dependente de lampejos individuais. O atacante Luciano, um dos principais nomes do elenco, simboliza essa oscilação, alternando momentos de intensidade com partidas em que a bola quase não chega.
Critério de desempate muda a leitura da tabela
O detalhe do regulamento, conhecido por dirigentes e comissões técnicas, ganha protagonismo quando a bola rola e a classificação aperta. Num cenário em que São Paulo e Noroeste somam quatro pontos, o senso comum poderia apontar para o saldo de gols como fator decisivo. No Paulistão, porém, vencer uma única vez vale mais do que empatar quatro jogos seguidos.
O regulamento da Federação Paulista não é novidade. A opção por valorizar o número de vitórias busca incentivar times a arriscar mais e a evitar partidas amarradas. Na prática, a norma favorece equipes que alternam bons e maus resultados, em detrimento de campanhas mais estáveis, porém sem triunfos. “A competição quer premiar quem ganha, não quem empata muito”, costuma ser o argumento de dirigentes quando o tema volta à tona.
No Morumbi, o efeito imediato é um pouco de alívio em meio ao ruído. Crespo, contestado pela sequência de atuações irregulares, ganha alguns dias a mais sem a marca simbólica do rebaixamento estampada na tabela. A permanência fora do Z2 reduz, ainda que temporariamente, a pressão institucional e o volume de cobranças públicas. Para a torcida, no entanto, o conforto é relativo: a pontuação modesta e o futebol apresentado alimentam desconfiança e impaciência.
Para o Noroeste, a situação é inversa. O time do interior cumpre campanha de resistência, evita derrotas, mas paga caro por não ter vencido nenhuma vez. Jogadores e comissão técnica convivem com o paradoxo de se sentir competitivos em campo e, ao mesmo tempo, se verem empurrados para a zona de rebaixamento. A sensação de injustiça aparece nas arquibancadas e nas redes sociais, onde torcedores apontam o saldo de gols melhor como argumento para reclamar da regra.
Especialistas em gestão esportiva lembram que esse modelo de desempate não é exclusividade do Paulistão. Competições nacionais e internacionais já adotam ou adotaram esse formato, com variações de ordem entre vitórias, saldo de gols e confronto direto. A discussão reaparece sempre que um caso concreto, como o de São Paulo e Noroeste, escancara a distância entre lógica matemática e percepção de justiça esportiva.
Pressão por vitórias e o que vem pela frente
A sequência do Campeonato Paulista tende a intensificar a corrida por vitórias, mesmo para equipes que hoje se sentem em zona de conforto. Para São Paulo e Noroeste, cada rodada vira um teste de nervos. O Tricolor sabe que não poderá depender por muito tempo de uma única vitória para justificar a permanência fora do Z2. Uma nova série de tropeços recoloca o time na linha de tiro do rebaixamento.
Noroeste, por sua vez, precisa transformar empates em triunfos para sair da parte mais frágil da tabela. Em um campeonato de tiro curto, com datas apertadas em janeiro e fevereiro, uma sequência de dois resultados positivos pode reposicionar completamente qualquer equipe na classificação. A urgência por três pontos muda a abordagem dos jogos, empurra técnicos a arriscar mais nos minutos finais e reduz a tolerância com estratégias excessivamente defensivas.
Nos bastidores, a discussão sobre os critérios de desempate volta a circular entre conselheiros e torcedores. A cada temporada em que um grande clube flerta com o rebaixamento, a leitura do regulamento ganha nova camada de drama. A federação não sinaliza mudanças imediatas, mas o debate sobre o que é mais justo – premiar vitórias ou valorizar o saldo de gols – deve reaparecer em reuniões futuras.
O São Paulo entra nas próximas rodadas com um paradoxo claro: está fora da zona de rebaixamento, mas não controla o próprio discurso. Uma tabela que o protege pelo número de vitórias também expõe o quão curto é esse colchão de segurança. Se o time não responder em campo, o regulamento deixa de ser aliado e volta a ser apenas letra fria, incapaz de segurar o peso de uma campanha ruim.
