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Receita aponta R$ 80 mi do Banco Master a escritório de mulher de Moraes

Documentos da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado indicam transferências de cerca de R$ 80 milhões do Banco Master ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes em 2024 e 2025. As operações, agora sob análise de parlamentares e técnicos, colocam sob escrutínio a relação financeira envolvendo a mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

Dados fiscais levam caso ao centro da crise política

Os registros, obtidos a partir de cruzamento de informações fiscais e bancárias, chegam à CPI em um momento de tensão entre poderes. Deputados veem nas transações um possível elo entre o banco, alvo de questionamentos no mercado, e o núcleo familiar de um dos ministros mais influentes do Supremo. A Receita detalha mês a mês a entrada de recursos do Banco Master nas contas do escritório de Viviane, o que alimenta suspeitas sobre a origem e a finalidade do dinheiro.

Integrantes da comissão afirmam que o total movimentado, próximo de R$ 80 milhões em pouco mais de um ano, destoa do padrão de contratos comuns de prestação de serviços jurídicos. Um membro da CPI resume, sob reserva: “Não se está criminalizando a advocacia, mas o volume e o timing dessas operações exigem explicação detalhada”. A defesa do banco e do escritório ainda não apresenta publicamente contratos que justifiquem, ponto a ponto, cada repasse.

Transferências ampliam pressão sobre Supremo e CPI

As revelações alimentam uma disputa de narrativas em Brasília. Aliados de Alexandre de Moraes acusam setores políticos de tentar atingir o ministro por intermédio de sua mulher, explorando um caso ainda em apuração. Críticos, por outro lado, afirmam que a proximidade entre o escritório e um grande banco, com repasses milionários, pode configurar conflito de interesses e comprometer a imagem de independência da Corte. A tensão se reflete em discursos mais duros na própria CPI.

Parlamentares avaliam pedir a quebra de sigilos bancário e fiscal de pessoas físicas e jurídicas ligadas às movimentações, o que ampliaria o raio da investigação. Técnicos consultados pela comissão defendem a comparação das transferências com notas fiscais, contratos de honorários e eventuais pareceres jurídicos emitidos. “Se houver contraprestação compatível, a questão é tributária; se não houver, entra-se em outra esfera, que pode ser criminal”, afirma um auditor ouvido pela reportagem.

Alcance jurídico e político ainda em aberto

O caso repercute no sistema político-judiciário porque toca na confiança nas instituições. A CPI pretende ouvir dirigentes do Banco Master e representantes da Receita nos próximos meses, em audiências previstas para o segundo semestre de 2025. A depender das explicações, o relatório final poderá recomendar abertura de inquéritos no Ministério Público, representação a órgãos de controle e mudanças na regulação sobre serviços prestados por escritórios ligados a familiares de autoridades de alto escalão.

A controvérsia reacende o debate sobre transparência e limites éticos em relações empresariais que envolvem parentes de magistrados. A investigação ainda caminha em fase inicial e depende da consolidação de provas e depoimentos para avançar além da suspeita. Até lá, o impacto político já se faz sentir, com o Supremo mais uma vez no centro de disputas parlamentares e a CPI pressionada a mostrar se conseguirá separar responsabilidade pessoal, atuação profissional legítima e eventual uso de conexões de poder em benefício privado.

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