Reação da Bolsa à reeleição de Lula deveria ser estudada por sua excentricidade subversiva
A permanência (pelo voto popular e democrático) de um presidente de esquerda – com sua lógica de mercado – seria, na reta razão, elemento catalisador de expectativas de novos negócios na lógica do próprio mercado. E não de queda da bolsa.

O dilema dos mercados: a queda de 17% nas negociações na Bolsa de Valores e pausa nas negociações, poucas horas após o resultado das urnas no Brasil são emblemáticas.
Lula, de esquerda, reeleito por 64,2 milhões de brasileiros, disputando com um candidato de direita (Flávio Bolsonaro/59,8 milhões de votos),.
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Um presidente reeleito que favoreceu ao Ibovespa neste mandato (até setembro/2026), uma rentabilidade acumulada de 69,96% e um índice de dividendos (IDIV) de 82,78%.
Maiores do que os 24,86% de rentabilidade acumulada e 51,51% de IDIV considerando igual período do governo de direita de Jair Bolsonaro que o antecedeu.
Posto isto, a permanência (pelo voto popular e democrático) de um presidente de esquerda – com sua lógica de mercado – seria, na reta razão, elemento catalisador de expectativas de novos negócios na lógica do próprio mercado.
E não de retração nos negócios que provocasse queda ou fechamento com a confirmação do mesmo esquerdista que os beneficiaria há quase quatro anos.
Isto com uma política monetária que aplica a maior taxa de juros real dentre os países do planeta. Um sistema que possibilitou aos bancos, por exemplo, lucro de R$ 255 bilhões no ano passado.
É incontroverso que Lula tenha vencido nas urnas e, depois disso e por causa disso, tenha sido espetado pelos mercados que sua política monetária e financeira incentiva.
Colocando justapostos seus lucros e a candidatura de esquerda reeleita, deduz-se, com a indução do próprio mercado, que o capital não estaria defendendo apenas pauta fiscal mais apertada do projeto de Lula para segurança de seus negócios.
A prevalecer a tese, os capitalistas estariam querendo abrir mão dos R$ 6,7 trilhões do valor acumulado de negócios da Ibovespa até outubro.
E a vontade política fosse tal que a reeleição daquele que lhes possibilitou essa montanha de dinheiro sem sobressaltos, exigiria, ainda que os prejudicasse, a paralisação dos seus negócios e lucros.
Uma piada estrutural que se dissemina como imperativo moral e econômico.
O capital buscaria, tudo indica, não só acumular riquezas que leva à concentração de renda. Mas reduzir desigualdades de forma espontânea.
Uma revolução capital/socialista subvertando alicerces filosóficos consolidados.
Coisa que nem Karl Marx no século XIX ousou projetar. Dinheiro agora, na verdade, tem cor e ideologia. O capital não quer apenas a força de trabalho mas também engajamento da alma e domínio do cérebro.
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