Raphael Veiga prioriza América do México e esfria sonho do Grêmio
Raphael Veiga dá prioridade ao interesse do América do México e esfria a tentativa do Grêmio de tirá-lo do Palmeiras. A movimentação ocorre nos últimos dias de janeiro de 2026, em meio à queda de protagonismo do meia no clube paulista e à indefinição sobre seu futuro contrato.
Grêmio insiste, mas ouve que foco está no México
O Grêmio passa os últimos dias em campanha silenciosa para convencer Raphael Veiga a mudar de rota, mas esbarra em um cenário já definido pelo jogador. A diretoria gremista retoma o contato com o estafe do meia após voltar à tona a possibilidade de saída do Palmeiras, mas recebe uma resposta direta: o foco está no América do México.
O clube gaúcho coloca Veiga no topo da lista de prioridades desde o fim de 2025. As conversas esbarram em valores considerados altos para uma transferência em definitivo e acabam paradas. A reaproximação recente ocorre quando surge a notícia de que o América prepara uma oferta. Em Porto Alegre, a leitura é de que ainda existe espaço para uma virada, especialmente depois da chegada do goleiro Weverton, ex-companheiro do meia no Palmeiras.
Dirigentes gremistas veem em Weverton um possível articulador informal. A aposta é que a adaptação rápida do goleiro a Porto Alegre e ao ambiente do clube possa servir de argumento a favor de Veiga. A tentativa não encontra eco. Pessoas próximas ao jogador indicam que ele se anima com a ideia de atuar no México, num projeto em que teria protagonismo imediato e exposição internacional diferente da vivida hoje no futebol brasileiro.
O América do México ainda não formaliza proposta ao Palmeiras, mas mantém conversas constantes com o estafe do camisa 23. A oferta em elaboração é por empréstimo, com duração até o fim da temporada mexicana, o que permite ao Alviverde planejar um eventual retorno em 2027. O formato agrada ao entorno do atleta, que enxerga uma mudança temporária de ares, sem rompimento definitivo com o clube onde ele constrói a principal parte da carreira.
Palmeiras equilibra gratidão, elenco e contrato curto
O Palmeiras adota tom cauteloso em público. A direção afirma que, até agora, não recebe nenhuma oferta oficial do América do México. Nos bastidores, porém, sabe que a movimentação mexicana é real e que o jogador acena positivamente à saída. Veiga tem contrato até março de 2027, um prazo que já liga o sinal de alerta no departamento de futebol. A possibilidade de perder um dos maiores ídolos recentes sem compensação financeira pesa nas discussões internas.
O clube estuda liberar o meia em caso de renovação de vínculo antes do empréstimo, para evitar que a relação termine de forma silenciosa ao fim do contrato. A equação é delicada. De um lado, estão 384 jogos, 109 gols e 10 títulos, números que colocam Veiga num patamar raro na história recente alviverde. Do outro, está um cenário esportivo em que ele deixa de ser titular absoluto em 2024 e passa a ocupar papel secundário em 2025 e 2026.
Abel Ferreira não esconde a ambivalência. Após vitória sobre o São Paulo, o técnico declara que não deseja perder o meia, mas transfere a decisão para a diretoria. “Não quero que o Veiga saia, mas isso cabe ao clube e ao jogador”, afirma, ao comentar a situação do camisa 23. O discurso contrasta com o desenho tático atual. Na formação com dois atacantes, Veiga disputa apenas uma vaga, hoje ocupada por Flaco López ou Maurício, e aparece como terceira opção.
Os números recentes ajudam a explicar a mudança de status. Em 2025, Veiga entra em campo 53 vezes, marca 7 gols e distribui 11 assistências, a pior temporada dele em produção desde que assume protagonismo no Palmeiras. Em 2026, inicia o ano com três jogos sem participação direta em gols, num time que passa por ajustes e vê novas figuras ganhando espaço. A própria torcida percebe a transição e divide opiniões entre a gratidão e a sensação de ciclo em declínio.
A forma como o clube lida com ídolos também entra na conta. Weverton e Marcos Rocha deixam o Allianz Parque rumo ao Grêmio após pedirem para sair, respaldados pela presidente Leila Pereira e pelo diretor Anderson Barros. A condução dos dois casos gera debate entre conselheiros, mas é vista internamente como um recado: o clube aceita liberar veteranos importantes, desde que a decisão parta dos atletas e não haja quebra de vestiário.
Mercado em alerta e futuro em aberto
A opção de Veiga pelo América do México representa uma frustração imediata para o Grêmio, que trata o meia como peça-chave para qualificar o setor criativo. Com a prioridade dada ao clube mexicano, o departamento de futebol em Porto Alegre precisa redesenhar o plano de mercado. O perfil buscado, porém, não muda: um jogador capaz de decidir jogos, bater bolas paradas e assumir protagonismo em mata-matas nacionais e continentais.
Do lado mexicano, o América enxerga a oportunidade de contratar, por empréstimo, um meio-campista de 30 anos com currículo pesado no futebol brasileiro e experiência em decisões. Veiga carrega gols em finais de Libertadores, Brasileirão e estaduais, repertório que encaixa na ambição do clube da Cidade do México de dominar o cenário local e se fortalecer em competições da Concacaf. A aposta passa por oferecer salário competitivo, ambiente estável e vitrine diferente da vivida no Brasil.
A torcida palmeirense acompanha o movimento com misto de nostalgia antecipada e pragmatismo. Muitos ainda veem o camisa 23 como referência técnica e emocional. Outros enxergam a possível saída como etapa natural de renovação, especialmente depois de duas temporadas abaixo do auge. A diretoria tenta manter o discurso de tranquilidade, mas sabe que uma decisão precipitada pode custar caro, seja em perda esportiva, seja em desgaste político.
Os próximos dias prometem ser decisivos. Se o América do México formaliza a proposta de empréstimo, o Palmeiras terá de definir em quanto avalia a ida temporária de um de seus símbolos recentes e qual contrapartida exige para liberar o jogador agora. O Grêmio, por enquanto, assiste de longe e aguarda uma improvável reviravolta.
O desfecho do caso vai além da troca de camisa de um meia de 30 anos. A decisão de Raphael Veiga indica qual peso ainda tem o futebol brasileiro no mercado continental e qual espaço jogadores consagrados enxergam para prolongar o protagonismo por aqui. O próximo contrato do camisa 23, no México ou em São Paulo, ajuda a contar essa história.
