Rafael ironiza GeTV por dizer que Savarino ‘pulou o muro’ para o Flu
O ex-lateral Rafael, ídolo do Botafogo, reage nesta quinta-feira (22) a uma postagem da GeTV que descreve a ida de Savarino ao Fluminense como “pulo de muro”. Em tom bem-humorado, ele cobra correção da informação e expõe os bastidores da negociação que envolve também o jovem Wallace Davi e compensação financeira ao clube alvinegro.
Brincadeira, correção e crise no Botafogo
Rafael escolhe as redes sociais para intervir no noticiário. Ao ver a página oficial da GeTV anunciar que Savarino “pulou o muro” e virou reforço do Fluminense, ele comenta diretamente na publicação. O ex-jogador escreve que existe uma grande diferença entre pular o muro e ser jogado, e pede que o texto seja refeito para refletir a realidade da negociação.
A crítica vem em tom leve, mas mira um ponto sensível: a forma como a imprensa descreve transferências em meio à turbulência dos clubes. O comentário circula entre torcedores de Botafogo e Fluminense poucas horas depois da apresentação do meia venezuelano no CT Carlos Castilho, na Zona Norte do Rio de Janeiro, também nesta quinta-feira, 22 de janeiro de 2026.
Savarino assina contrato de quatro temporadas com o Fluminense, prazo maior do que o Botafogo se dispõe a oferecer. O acordo entre os clubes segue parâmetros semelhantes aos discutidos antes no Nilton Santos. O jovem Wallace Davi passa a defender o Glorioso, que ainda recebe compensação financeira do Tricolor. O venezuelano mantém salário em patamar próximo ao que tem no clube alvinegro.
O movimento acontece enquanto o Botafogo tenta atravessar uma de suas fases mais delicadas desde a chegada da SAF. Muros do centro de treinamento são pichados em protesto contra o acionista John Textor. A crise financeira se agrava e o clube lida com atrasos e dúvidas sobre como quitar a dívida com o Atlanta United, dos Estados Unidos, que gera um transfer ban imposto pela Fifa.
Como a novela Savarino termina no Fluminense
A reação de Rafael não nasce do nada. Savarino é um dos jogadores mais disputados do país no início da janela de 2026. O meia-atacante, camisa 10 do Botafogo desde o começo de 2024, soma 103 jogos, 20 gols e 19 assistências em duas temporadas, com participação direta nas conquistas do Brasileirão e da Libertadores pelo clube de General Severiano.
O desempenho atrai a atenção de outros times da Série A, dentro e fora do Rio. Propostas chegam, mas a mudança de cidade pesa contra. Savarino prefere permanecer no eixo carioca, onde sua família já está adaptada. O Fluminense surge como opção estratégica: mantém o jogador no Rio de Janeiro e oferece um projeto esportivo de médio prazo.
As conversas, porém, se arrastam. O presidente tricolor declara publicamente, em determinado momento, que a negociação está encerrada por desacordo contratual. O impasse envolve tempo de vínculo e ajustes financeiros. O Botafogo observa à distância, preso a sua própria limitação orçamentária. A diretoria alvinegra não iguala o prazo de quatro anos proposto pelo Flu e esbarra na crise de caixa.
O cenário muda quando Savarino volta atrás e aceita a proposta tricolor. As bases que já haviam sido discutidas entre Botafogo e o staff do jogador servem de referência para o desenho final do acordo. A inclusão de Wallace Davi como reforço do Glorioso e a compensação financeira aliviam parte da pressão sobre a novela. Para o Botafogo, fica a sensação de perda técnica importante, em meio a um elenco que tenta se reorganizar sob o comando de Anselmi.
O anúncio da GeTV, com a expressão “pulou o muro”, simplifica a história ao sugerir uma espécie de traição esportiva. O comentário de Rafael, ainda que bem-humorado, funciona como contraponto. Ao dizer que há diferença entre pular o muro e ser jogado, o ex-lateral indica que o contexto da saída de Savarino passa também pela incapacidade financeira do Botafogo de sustentar o pacote completo da renovação.
Disputa de narrativa e lição para o mercado da bola
A troca de farpas veladas evidencia uma disputa silenciosa por narrativa no futebol carioca. O Fluminense se apresenta como porto seguro para um atleta em alta, disposto a investir em contrato longo com um dos destaques recentes da Libertadores. O Botafogo tenta mostrar que não perde o jogador de graça: traz uma promessa, Wallace Davi, e recebe dinheiro em um momento no qual cada real importa para manter a operação em dia.
O episódio envolve mais do que uma expressão infeliz. A publicação da GeTV, seguida da reação de Rafael, expõe a responsabilidade de veículos e perfis oficiais na hora de qualificar transferências. Em meio a torcidas polarizadas e a um mercado inflacionado, uma frase como “pulou o muro” alimenta a ideia de traição e desloca o foco das razões econômicas e contratuais que sustentam cada movimento.
O debate ganha força porque o Botafogo convive com um transfer ban da Fifa e não sabe, neste fim de janeiro, como vai equacionar a dívida com o Atlanta United pela compra de Thiago Almada. O Fluminense, por sua vez, aproveita a fragilidade do rival para se fortalecer em campo e ampliar seu elenco às vésperas de outra temporada com maratona de jogos, incluindo competições continentais e nacionais.
A reação de um ex-jogador, neste contexto, ajuda a reposicionar o tema. O comentário de Rafael cobra precisão de um canal de mídia, alerta para a diferença entre escolha esportiva e necessidade financeira e protege, em alguma medida, a imagem de Savarino diante da torcida alvinegra. Ao pedir que a informação seja refeita, ele reforça a ideia de que negociação de jogador é assunto complexo demais para ser reduzido a um bordão.
O caso tende a servir de referência para próximos movimentos no mercado. Clubes, atletas e comunicadores se veem pressionados a calibrar o discurso, em um ambiente em que qualquer frase viraliza em poucos minutos. A transferência de Savarino, que começou como novela de bastidores, termina como pequena aula pública sobre transparência e responsabilidade na cobertura esportiva.
As próximas semanas indicam até que ponto essa lição será assimilada. A diretoria do Botafogo ainda precisa encontrar saída para a restrição imposta pela Fifa e para a irritação crescente da torcida, que já se manifesta nos muros do centro de treinamento. O Fluminense testa o encaixe de seu novo camisa 10 em campo, enquanto o mercado observa se a criatividade financeira dos clubes cariocas será suficiente para equilibrar ambição esportiva e contas no azul.
