Queda de árvore derruba postes e fecha MG-030 em Nova Lima
Uma árvore de grande porte cai, derruba três postes de energia e atinge um carro na MG-030, em Nova Lima, na manhã de sábado (7/2/2026). A motorista sai ilesa, mas a rodovia enfrenta horas de interdição parcial e lentidão.
Queda repentina transforma rotina em transtorno
O fim de semana de pré-carnaval começa com susto para quem depende da MG-030, um dos principais acessos entre Belo Horizonte e Nova Lima. Por volta das 11h15, uma árvore antiga cede de repente, arrasta três postes de energia e espalha cabos pela pista. Um dos postes desaba sobre um veículo que passava pela rodovia, assusta motoristas e interrompe o fluxo no sentido Nova Lima.
Imagens enviadas por motoristas ao jornal registram o momento em que a estrutura cede e atinge o asfalto. No vídeo, o poste quebra, cai sobre a via e provoca uma pequena explosão, seguida de fumaça. Um carro aparece atravessado no acostamento, com a frente voltada para o barranco, como se o motorista tivesse tentado fugir da queda.
O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais confirma que a motorista do veículo atingido sai do carro sem ferimentos. Segundo a corporação, ela já está fora do automóvel quando as equipes chegam ao local. O relato dos militares reforça a sensação de alívio entre quem acompanha a cena: apesar da violência da queda e da explosão, ninguém se fere.
O trecho atingido, nas proximidades de centros comerciais como o Serena Mall e da base da Polícia Rodoviária de Nova Lima, torna o impacto ainda maior. O fluxo intenso de veículos, reforçado por foliões rumo a festas na região metropolitana, encontra um corredor estreito, com pista parcialmente bloqueada, postes tombados e equipes de emergência disputando espaço com carros e ônibus.
Energia cortada, trânsito travado e dia perdido
Minutos depois da queda, a MG-030 começa a acumular filas nos dois sentidos. A rodovia, que já convive com congestionamentos diários, passa a operar em ritmo de marcha lenta. A partir das 11h30, motoristas relatam demora de mais de 40 minutos para percorrer pequenos trechos e desvios improvisados por dentro de bairros próximos.
Os bombeiros isolam a área e acionam a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), responsável pela rede de energia derrubada. A orientação é clara: ninguém se aproxima dos cabos, mesmo que pareçam desligados. O risco de choque elétrico ainda preocupa enquanto técnicos não confirmam o corte total da energia. A corporação informa que a via permanece fechada no sentido Nova Lima pelo menos até 19h36, mais de oito horas após a queda da árvore.
Moradores relatam instabilidade no fornecimento de luz em endereços próximos ao trecho, embora a Cemig não detalhe, até a noite de sábado, a extensão da área afetada. A empresa é acionada, mas não responde aos questionamentos da reportagem até o fechamento deste texto. O silêncio amplia o desconforto de quem enfrenta o calor, a incerteza e a falta de informações sobre prazo para normalização.
A partir de 20h30, o cenário muda de caos total para operação controlada. A Polícia Rodoviária e equipes de trânsito implantam o sistema de “pare e siga” em dois pontos estratégicos: na altura do Serena Mall e próximo ao posto da Polícia Rodoviária de Nova Lima. Os motoristas passam a avançar em blocos, alternando sentidos, em um esquema que reduz o risco de acidentes, mas mantém a lentidão. Quem tenta voltar para Belo Horizonte depois das 21h ainda enfrenta longos períodos parado.
O episódio reacende a discussão sobre o manejo de árvores em áreas críticas da MG-030. A rodovia corta regiões de mata preservada e condomínios de alto padrão, onde o convívio entre natureza e asfalto nem sempre recebe a manutenção preventiva necessária. Especialistas em mobilidade e meio ambiente, ouvidos em outras ocasiões, já alertam que chuvas intensas, solo encharcado e ventos fortes aumentam o risco de queda de árvores de grande porte, sobretudo as mais antigas ou mal podadas.
Riscos recorrentes e perguntas ainda sem resposta
O incidente deste sábado soma-se a uma série de ocorrências similares na Região Metropolitana de Belo Horizonte em períodos de chuva. Árvores tombadas sobre fiações e pistas provocam não só prejuízos materiais, mas também um efeito dominó: interrupção de energia, bloqueio de rodovias, atrasos no transporte público e impacto direto na rotina de trabalhadores que dependem da MG-030 para chegar a Belo Horizonte.
O ponto positivo, desta vez, está na ausência de vítimas. A motorista que tem o carro atingido por um dos postes consegue sair a tempo e não precisa de atendimento médico. Ainda assim, a imagem de um poste de concreto desabando sobre um veículo serve como alerta visual potente sobre o que poderia ter acontecido em um dia de maior movimento, com ônibus lotados ou veículos em alta velocidade.
A Prefeitura de Nova Lima é acionada para informar se há plano específico de poda, monitoramento e substituição de árvores com risco de queda ao longo da MG-030. Até a manhã de domingo, a administração municipal não responde aos questionamentos. A indefinição reforça uma sensação de improviso que costuma marcar a gestão de emergências em rodovias urbanas: age-se depois do problema, não antes.
Enquanto a Cemig trabalha nos reparos da rede e na substituição dos três postes derrubados, motoristas ainda lidam com o trânsito intermitente. Técnicos precisam remover a árvore, retirar as estruturas danificadas e reerguer novos postes, serviço que costuma se estender por muitas horas. A normalização do fluxo e do fornecimento de energia depende da conclusão dessa etapa, que não tem prazo divulgado oficialmente.
A sequência de quedas de árvores em vias movimentadas da Grande BH cobra uma resposta mais estruturada do poder público. A combinação entre infraestrutura antiga, rede elétrica exposta e mudanças no regime de chuvas pressiona prefeituras e concessionárias a reverem critérios de manutenção. Sem diagnóstico preciso sobre o estado das árvores, novos episódios como o deste sábado deixam de ser acidente isolado e passam a compor um padrão preocupante.
O sábado termina com a MG-030 ainda sob controle de cones, viaturas e equipes de campo, enquanto foliões e trabalhadores reorganizam trajetos. O desfecho imediato é conhecido: trânsito lento, energia instável e prejuízo para quem depende da rodovia. A dúvida que permanece é se o poder público vai tratar o caso como mais um contratempo de verão ou como oportunidade para, enfim, prevenir a próxima árvore de cair sobre a pista.
