Projeto de R$ 6 bilhões de Tarcísio começa pelo Centro de SP; veja o que vai mudar na região da Luz
Novo terminal de ônibus substituirá o Princesa Isabel e será integrado à estação da Luz; complexo administrativo prevê sete edifícios, dez torres e concentração de cerca de 22 mil servidores estaduais.

O projeto de R$ 6 bilhões para transferir a sede do Governo de São Paulo para a região central da capital começa a ganhar forma com a construção de um novo terminal de ônibus nas proximidades da estação da Luz. A estrutura substituirá o atual Terminal Princesa Isabel e será uma das primeiras intervenções do futuro Centro Administrativo Campos Elíseos.
A iniciativa integra uma ampla transformação urbana planejada para o centro de São Paulo, com a construção de prédios públicos, espaços comerciais, equipamentos culturais e recuperação de imóveis históricos. A proposta é concentrar aproximadamente 22 mil servidores estaduais em um único complexo, atualmente distribuídos em cerca de 40 endereços.
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O contrato da parceria público-privada (PPP) foi assinado pelo governo estadual em outubro de 2026. O empreendimento será conduzido pelo consórcio MEZ-RZK Novo Centro, responsável pelas obras e pela manutenção do complexo durante o período de concessão.
Novo terminal da Luz substituirá o Princesa Isabel
A primeira etapa de destaque do projeto será a implantação do Terminal Luz, que ficará próximo à estação ferroviária da Luz, em uma área atualmente utilizada como estacionamento da Polícia Civil.
O investimento estimado na construção é de R$ 41,7 milhões. O equipamento terá três plataformas para embarque de passageiros e uma plataforma operacional, além de acesso pela Avenida Cásper Líbero e ligação com a Rua Brigadeiro Tobias.
A localização foi escolhida para facilitar a integração entre os ônibus, o metrô e os trens metropolitanos. A proximidade com a estação da Luz também deverá facilitar os deslocamentos de passageiros que utilizam diferentes modalidades de transporte público.
O novo terminal ocupará uma área de aproximadamente 6 mil metros quadrados, menor que a estrutura atual do Princesa Isabel. Por isso, nem todas as linhas serão transferidas para o mesmo endereço.
Segundo o planejamento divulgado, dez das 16 linhas que operam atualmente no Terminal Princesa Isabel deverão passar para o Terminal Luz. As demais serão redistribuídas entre o Terminal Amaral Gurgel e a região da Praça da Luz.
Obra permitirá transformação da Praça Princesa Isabel
A transferência das operações de ônibus permitirá a retirada do atual Terminal Princesa Isabel, localizado na praça de mesmo nome, nos Campos Elíseos.
A área deverá ser incorporada ao projeto do Centro Administrativo e transformada em uma esplanada central, com ampliação dos espaços destinados à circulação de pedestres e convivência da população.
O planejamento também prevê intervenções nas ruas do entorno, incluindo mudanças na circulação de veículos e ampliação das áreas destinadas aos pedestres.
Entre as propostas está a incorporação de um trecho da Rua Guaianases à área de convivência da praça. Já a Avenida Rio Branco deverá passar por requalificação urbana, com melhorias nas calçadas e no espaço de circulação.
A retirada do terminal é considerada necessária para liberar o terreno onde serão realizadas outras etapas do empreendimento.
Centro Administrativo terá sete edifícios e dez torres
O projeto completo prevê a construção de sete edifícios e dez torres administrativas, com capacidade para reunir aproximadamente 22 mil servidores públicos estaduais.
Atualmente, diferentes secretarias e órgãos do governo funcionam em cerca de 40 endereços espalhados pela capital paulista. A concentração das estruturas busca reorganizar a administração estadual e aproximar os serviços públicos.
O complexo também contará com áreas comerciais, restaurantes, espaços culturais e serviços abertos à população. A proposta arquitetônica prevê aproximadamente 25 mil metros quadrados de fachadas ativas, destinadas a atividades comerciais e de convivência.
Outro destaque é a construção de um centro de convenções e de um teatro com capacidade para 817 pessoas, além de salas multiuso que poderão funcionar como auditórios.
O projeto também prevê a recuperação de 17 imóveis históricos tombados, além da ampliação das áreas verdes do Parque Princesa Isabel.
Investimento de R$ 6 bilhões será realizado por PPP
O empreendimento será executado por meio de uma parceria público-privada, modelo em que o governo estadual divide responsabilidades de investimento e operação com uma concessionária privada.
O contrato tem duração de 30 anos e prevê investimentos estimados em R$ 6 bilhões. Desse total, aproximadamente R$ 3,4 bilhões serão aportados pelo poder público ao longo da implantação, enquanto o consórcio privado deverá investir cerca de R$ 2,7 bilhões.
Além de construir os edifícios, a concessionária ficará responsável pela manutenção e operação de diferentes estruturas, incluindo limpeza, segurança, paisagismo e serviços de apoio.
O contrato também prevê receitas provenientes de atividades comerciais, estacionamento, publicidade e exploração de espaços do complexo.
Quando o novo terminal e o complexo ficarão prontos?
O cronograma prevê que o novo Terminal Luz seja uma das primeiras estruturas entregues, com conclusão estimada em até dois anos após o início da concessão.
As obras dos edifícios administrativos deverão avançar em etapas, com previsão de conclusão do conjunto principal até o fim de 2030, podendo haver ajustes conforme o andamento dos projetos, licenças e intervenções necessárias.
Antes da construção de todas as estruturas, o empreendimento ainda depende de etapas técnicas, aprovações e processos relacionados às áreas necessárias para a implantação.
Com a transferência da sede administrativa para os Campos Elíseos, o governo estadual pretende modificar a dinâmica de funcionamento do centro da capital, combinando atividades administrativas, comércio, serviços e espaços públicos.
A mudança, entretanto, também envolve desafios relacionados à mobilidade, à preservação do patrimônio histórico e aos impactos sobre moradores e comerciantes da região.
O avanço das obras e o cumprimento do cronograma serão fundamentais para avaliar como o projeto de R$ 6 bilhões poderá transformar a região central de São Paulo nos próximos anos.


