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Professora de direito é morta a facadas por aluno em faculdade de RO

A professora de direito Juliana Matos de Lima Santiago, 41, é morta a facadas por um aluno dentro da Faculdade Metropolitana, em Rondônia, em fevereiro de 2026. O principal suspeito é o estudante de direito João Júnior, que ataca a docente com múltiplos golpes de faca em sala de aula. A Polícia Civil abre inquérito e apura a motivação do crime.

Crime em ambiente de aula choca a comunidade acadêmica

O ataque acontece durante o período letivo, em um dos prédios da Faculdade Metropolitana, na capital rondoniense. Alunos e funcionários entram em choque ao perceber a gravidade da agressão contra a professora, conhecida pelo envolvimento com a turma e pela rotina em sala de aula. O clima na instituição muda em questão de minutos, de uma manhã comum de fevereiro para uma cena de desespero e correria.

Juliana leciona no curso de direito e é servidora pública. Naquele dia, deveria cumprir mais uma jornada de aulas, como faz há anos, em contato direto com estudantes que veem nela referência profissional. Em vez disso, colegas de trabalho e alunos presenciam o resultado de um ataque que interrompe de forma abrupta uma trajetória marcada por relatos de dedicação à docência e à formação jurídica.

O autor do crime é identificado como João Júnior, aluno do mesmo curso. A direção da faculdade aciona a polícia e presta apoio inicial às pessoas que testemunham a cena. Agentes da Polícia Civil recolhem depoimentos e iniciam a apuração das circunstâncias do ataque, incluindo o momento em que o estudante se aproxima da professora e desfere as facadas. As autoridades ainda não divulgam detalhes sobre a dinâmica exata dentro da sala, nem sobre eventuais desentendimentos anteriores.

O caso ganha repercussão em Rondônia e em outros estados, impulsionado por relatos de colegas e por manifestações de ex-alunos nas redes sociais. Nas primeiras 24 horas após o crime, mensagens de luto se multiplicam em perfis pessoais e em páginas ligadas ao direito, à educação superior e a entidades da área jurídica, que tratam o episódio como sinal de alerta sobre a segurança em instituições de ensino.

Homenagens, luto e pressão por respostas

Entre as manifestações, uma ex-aluna escreve um relato que sintetiza o impacto da perda para quem convive com Juliana na faculdade. Em uma publicação, ela descreve a professora como “inspiradora e com um amor genuíno pelo que fazia”. A jovem afirma ainda: “Ela me disse coisas tão lindas que levarei para sempre comigo. Obrigado pela honra de ter sido minha professora. Que Deus te receba de braços abertos”.

Na mesma homenagem, a estudante lembra o jeito de Juliana em sala de aula. Segundo o depoimento, a docente será sempre recordada como uma pessoa “tão carinhosa e atenciosa”, além de “um ser humano incrível”. A escolha das palavras ecoa em outros relatos, que descrevem uma professora presente, preocupada com a formação dos alunos e com o ambiente acadêmico como espaço de respeito.

O Centro Universitário Aparício Carvalho, mantenedor da Faculdade Metropolitana, divulga nota em que repudia o ataque e decreta três dias de luto acadêmico. Durante esse período, aulas e atividades presenciais sofrem ajustes, e a instituição informa que presta assistência à família de Juliana, a alunos e a servidores. “A Instituição reafirma seu repúdio absoluto a este crime e informa que as providências já estão sendo adotadas”, diz o comunicado divulgado à imprensa e à comunidade interna.

O impacto do assassinato atinge também o meio político e o sistema de justiça de Rondônia. O deputado estadual Edevaldo Neves se posiciona publicamente e condena a violência em ambientes educacionais. “Reafirmo meu repúdio absoluto a qualquer forma de violência e cobro das autoridades competentes uma investigação rigorosa”, afirma em nota. O tom da manifestação reforça a cobrança por respostas rápidas sobre o que leva um estudante de direito a atacar uma professora dentro da própria faculdade.

O Ministério Público de Rondônia acompanha o caso e também emite comunicado. O órgão lamenta a morte da servidora pública e promete atuação direta na apuração. “Que a memória de Juliana seja honrada com justiça para todas”, registra o texto. A menção ao nome da professora se soma a uma mensagem de solidariedade aos familiares e à comunidade acadêmica, que tenta lidar com o trauma enquanto espera definições do inquérito policial.

Entidades representativas da advocacia se mobilizam. O Conselho Federal da OAB manifesta “profundo pesar” pela morte de Juliana Matos de Lima Santiago e afirma que o crime “causa consternação e mobiliza a advocacia brasileira, que rende homenagem à sua trajetória”. A OAB de Rondônia reforça o luto, presta condolências e se solidariza com amigos, colegas de profissão, alunos e funcionários da faculdade. O gesto sinaliza que o caso ultrapassa os limites do campus e alcança a categoria profissional ligada diretamente ao ensino do direito.

Segurança em faculdades e investigação em curso

O assassinato reacende o debate sobre segurança em instituições de ensino superior no país. Professores e estudantes relatam medo e cobram protocolos mais claros para situações de risco dentro de sala de aula. A morte de uma docente em serviço, dentro de uma faculdade particular, expõe falhas de prevenção e resposta rápida que agora entram no foco de gestores e autoridades estaduais.

Na prática, a direção da Faculdade Metropolitana anuncia cooperação integral com a Polícia Civil. A instituição entrega imagens de câmeras de segurança, registros de entrada e saída e informações sobre a rotina acadêmica do aluno apontado como autor do crime. O histórico de desempenho, eventuais advertências disciplinares e conflitos anteriores passam a ser avaliados por investigadores, que tentam entender se há sinais prévios de comportamento violento.

As autoridades ainda não divulgam a motivação do ataque. A linha oficial é de que todas as hipóteses seguem em análise, incluindo questões pessoais, acadêmicas e eventuais problemas de saúde mental. O inquérito da Polícia Civil deve reunir depoimentos de colegas de turma, de outros professores, de funcionários administrativos e de familiares de Juliana e de João Júnior. A conclusão desse processo vai embasar a atuação do Ministério Público e, em seguida, o eventual julgamento do caso.

O brutal assassinato de uma professora dentro de uma faculdade de direito, em 2026, se insere em um cenário de crescente preocupação com episódios de violência em escolas e universidades brasileiras, registrados nos últimos anos. Especialistas em educação e segurança pública defendem que, além de reforçar estruturas físicas, como controle de acesso e vigilância, instituições precisam investir em apoio psicológico, em canais de denúncia e em mediação de conflitos.

O legado de Juliana, descrita por ex-alunos como dedicada, carinhosa e atenciosa, passa a ser também símbolo dessa discussão. Amigos e colegas defendem que a melhor forma de homenagear a professora é garantir que outros docentes e estudantes possam exercer suas atividades com segurança. A comunidade acadêmica de Rondônia espera que o caso não se resuma a números de um boletim de ocorrência, mas leve a mudanças concretas na proteção de quem ensina e de quem aprende.

O processo de luto ainda está no início, e a investigação corre sob pressão social e institucional. A definição da responsabilidade penal de João Júnior, a apuração das motivações e a eventual adoção de novos protocolos de segurança vão determinar como o crime será lembrado nos próximos anos. A pergunta que permanece, enquanto a faculdade tenta retomar a rotina, é se o sistema educacional vai conseguir transformar essa tragédia em medidas que impeçam que outra professora de direito morra onde deveria estar mais protegida: a sala de aula.

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