Ciencia e Tecnologia

Primer no verão 2026: como segurar a maquiagem na pele oleosa

No verão de 2026, primers que controlam a oleosidade ganham status de item básico na nécessaire de quem tem pele oleosa no Brasil. Dermatologistas e maquiadoras apontam que o produto se torna decisivo para manter a maquiagem no lugar em dias de calor intenso.

Calor, sebo e maquiagem que derrete

As temperaturas acima dos 30 ºC deixam de ser apenas um incômodo e viram um problema direto para a pele. O calor estimula as glândulas sebáceas, aumenta a produção de sebo e derruba a duração da maquiagem em poucas horas. A dermatologista Caroline Cha, médica pela USP, explica que o efeito é visível no espelho. “O calor estimula diretamente as glândulas sebáceas, que ficam mais ativas e aumentam a produção de sebo. Isso explica a pele mais oleosa, o brilho em excesso e a maior tendência a surgir acne nos dias quentes”, afirma.

O resultado aparece rápido: base que abre na zona T, corretivo que acumula, poros mais evidentes e sensação constante de rosto grudando. Hidratantes específicos para peles mistas e oleosas ajudam a regular a produção natural de sebo, mas não dão conta sozinhos da resistência da maquiagem. É nesse ponto que o primer passa de coadjuvante a protagonista da rotina de verão.

Esses produtos criam uma película fina entre a pele e a maquiagem, suavizam poros e prolongam a duração da base, do corretivo e do blush. A maquiadora Amanda Pris resume a função. “Eles contam com ingredientes que regulam a produção de oleosidade, entregam uma textura aveludada e disfarçam a aparência dos poros, sem obstruí-los. Os primers criam uma espécie de película, uma camada entre a pele e a maquiagem que prolongam sua duração”, diz.

Da preparação da pele às blindagens à prova de suor

O movimento começa antes do primeiro pump de primer. Vanessa Rozan, maquiadora e apresentadora do Lab da Beleza, do UOL, insiste na etapa que muitos pulam com pressa. Segundo ela, primer não substitui hidratante. “Embora muitos tenham ativos hidratantes, essa não é sua função principal”, diz. “Então é importante garantir que a pele esteja bem hidratada e, digamos, ‘organizada’ para receber o primer, principalmente se você está fazendo uma maquiagem de alta cobertura, para ir a eventos, por exemplo, porque é a hidratação prévia que vai fazer essa maquiagem se comportar melhor ao longo do dia.”

Na prática, a ordem que domina os bastidores de estúdios e camarins segue uma lógica clara: primeiro o hidratante, que pode ser um sérum mais leve, depois o protetor solar e, em seguida, o primer. A base vem por último. Em peles oleosas, essa sequência reduz o risco de esfarelar, rachaduras ao redor do nariz e acúmulo de produto em linhas finas.

Nem todo primer, porém, se comporta da mesma forma. O mercado oferece versões com brilho, fórmulas coloridas que neutralizam vermelhidão, opções com efeito matificante e tecnologias de soft focus, que difundem a luz e disfarçam imperfeições aos olhos e às câmeras. Produtos com “pore”, “blur” e “velvet” no nome costumam ter acabamento mais seco e textura mais grossa. A maquiadora e professora Stephanie Suero orienta o uso localizado. “Eles não precisam ser aplicados em todo o rosto. Indico aplicar nas regiões que brilham mais, como zona T, ou até mesmo regiões que suam muito, como buço, às vezes embaixo dos olhos, nas pálpebras e nariz”, afirma.

A quantidade também importa. Uma camada fina costuma ser suficiente para segurar a maquiagem por 6 a 8 horas em um dia quente. Exageros podem gerar o efeito oposto, com textura pesada, acúmulo em poros e sensação de máscara. A recomendação é espalhar poucas gotas com a ponta dos dedos ou com um pincel, sempre em movimentos suaves, sem fricção. Em peles muito oleosas, Amanda adapta o passo a passo para manter o viço. “Eu tenho a pele bem oleosa, mas não gosto dela completamente matificada. Então, depois da maquiagem pronta, uso um pincel fofo de tamanho médio e passo uma camada bem fina do primer matte na região da testa, nariz e queixo”, conta.

O avanço recente fica por conta das chamadas blindagens, produtos híbridos lançados nos últimos anos que combinam primer e prolongador de maquiagem em um frasco só. São fórmulas com concentração maior de silicones, que formam um filme quase invisível e à prova d’água sobre a pele. “São produtos que têm uma concentração maior de silicones e isso faz um ‘filme’ no rosto, criando uma barreira à prova d’água, suor, atrito e oleosidade”, explica Vanessa, que recomenda o uso pontual, reservado para ocasiões específicas.

Impacto na rotina, no mercado e na autoestima

Casamentos ao ar livre, bloquinhos de carnaval e festas que atravessam a madrugada se tornam o principal laboratório dessas blindagens. Em eventos que duram de 4 a 10 horas, a diferença aparece nas fotos e na confiança de quem está maquiado. Para peles oleosas, a possibilidade de reduzir o brilho sem ressecar a pele impacta diretamente a autoestima e a relação com a própria imagem em público.

Stephanie Suero sugere um método quase cirúrgico de aplicação para evitar desperdício. Ela orienta misturar três gotas da blindagem em uma superfície de acrílico ou no dorso da mão e aplicar direto na pele com pincel língua de gato, que imita o toque dos dedos. Depois, é preciso esperar secar antes da base. O cuidado é ainda maior quando se combina produtos diferentes. Blindagens costumam funcionar melhor com bases de acabamento matte, que compartilham ingredientes de fórmulas semelhantes. A mistura com bases mais cremosas ou muito luminosas, por outro lado, pode fazer corretivo esfarelar ou abrir no nariz depois de poucas horas.

Na formulação, a tendência é clara. Ingredientes como niacinamida, ácido hialurônico, extratos de alecrim, aloe vera, chá verde, probióticos e vitamina E aparecem com frequência nos rótulos. A promessa une duas frentes que movimentam bilhões de reais por ano no país: maquiagem de longa duração e skincare. O objetivo é controlar o brilho sem comprometer a saúde da pele, mantendo hidratação e barreira cutânea minimamente preservadas, mesmo em uso repetido.

No dia a dia, a disputa se dá entre conforto e resistência. Usuárias com pele oleosa buscam primers em textura gel, séruns leves ou bastões práticos, que permitem retoques rápidos ao longo do dia de trabalho. A orientação de especialistas é testar a combinação primer, blindagem e base pelo menos 24 horas antes de um evento importante, em condições reais de calor e umidade. Esse ensaio reduz o risco de surpresa desagradável ao vivo, diante de câmeras ou luz forte.

Próximos verões e o papel da educação em beleza

O fortalecimento dos primers e blindagens no verão de 2026 aponta um caminho para a indústria de beleza brasileira nos próximos anos. A procura por fórmulas mais responsáveis com peles oleosas tende a pressionar marcas a investir em pesquisas, reduzir ingredientes oclusivos e ampliar a oferta de produtos que controlem o brilho sem sufocar a pele. A combinação de ativos reguladores de oleosidade, como a niacinamida, com hidratantes leves, como o ácido hialurônico, deve se tornar ainda mais comum em lançamentos.

As especialistas ouvidas reforçam que o primer não resolve sozinho problemas estruturais, como acne inflamada ou desequilíbrios hormonais, que exigem acompanhamento médico. O produto, porém, altera a experiência diária de quem convive com brilho excessivo no rosto, especialmente no verão brasileiro, que vem registrando ondas de calor mais frequentes nesta década. O próximo passo depende tanto da indústria quanto da informação disponível. À medida que tutoriais, consultorias e reportagens aprofundam o tema, o consumidor ganha ferramentas para escolher com mais critério e evitar modismos vazios. A pergunta que fica para os próximos verões é simples: até onde a tecnologia dos primers consegue ir sem abrir mão da saúde da pele?

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