Ciencia e Tecnologia

Prime Video lança 2ª temporada de O gerente noturno em 2026

A segunda temporada de “O gerente noturno” estreia em 2026 no Prime Video e recoloca Tom Hiddleston, Hugh Laurie e Olivia Colman no centro do tabuleiro da espionagem. A plataforma aposta que o retorno da adaptação de John Le Carré consolida a série como uma de suas vitrines globais de suspense.

Retorno de um sucesso de 2016 em novo tabuleiro geopolítico

O novo ano chega dez anos depois da primeira temporada, exibida em 2016, mas mantém o mesmo fio de tensão: um ex-soldado transformado em gerente de hotel que se infiltra no círculo de um traficante de armas. Jonathan Pine continua nas mãos de Tom Hiddleston, premiado com o Globo de Ouro de melhor ator em minissérie pelo papel, enquanto Hugh Laurie retoma o magnata Jonathan Roper em aparições calculadas. Olivia Colman, hoje vencedora de Oscar e múltiplos BAFTAs, volta a viver a obstinada agente Angela Burr.

A série, baseada no romance publicado em 1993 por John Le Carré, atualiza mais uma vez o cenário internacional. Se a primeira temporada se apoiava em cenas no Cairo durante a Primavera Árabe e em locações geladas em Zermatt, nos Alpes suíços, a nova leva de episódios desloca o jogo para Londres, arredores e paisagens da Colômbia. O contraste entre a rigidez britânica e a exuberância latino-americana vira parte da narrativa, que explora rotas de dinheiro, armas e informação que atravessam continentes em questão de horas.

Espionagem elegante, elenco de prestígio e disputa por audiência

A aposta da Amazon passa pela ideia de continuidade. A produção preserva o visual elegante de hotéis de luxo, clubes discretos e salas de reunião envidraçadas, mas injeta novos pontos de fricção no roteiro. Londres aparece não apenas como cartão-postal, mas como centro nervoso de um mercado cinzento que movimenta bilhões de dólares em contratos opacos. Na Colômbia, câmeras descem dos mirantes de cidades históricas para estradas de terra e portos discretos, onde acordos são fechados longe de câmeras de vigilância oficiais.

O gênero de espionagem, por natureza denso e às vezes hermético, ganha aqui uma embalagem pensada para o grande público. Episódios com cerca de 50 minutos misturam perseguições, reuniões de gabinete e cenas íntimas que expõem o custo psicológico da vida dupla. Hiddleston interpreta um Pine mais marcado pelo passado, o que reforça a sensação de continuidade real de pelo menos uma década na trajetória do personagem. Laurie, por sua vez, transita entre o anfitrião sedutor e o empresário ameaçador, sustentando a aura de vilão sofisticado que marcou a primeira parte da história.

Impacto no Prime Video e no mercado de séries de espionagem

O retorno de “O gerente noturno” entra numa disputa acirrada. Em 2025, o Prime Video fecha o ano com dezenas de produções originais, mas ainda busca um título que ocupe, no suspense, o lugar que “The Crown” já teve na Netflix ou que “Succession” representou para a HBO. A plataforma mira justamente esse público que gosta de intriga política, drama de personagens e produção de alto padrão. Ao trazer de volta um elenco com três nomes que somam mais de dez grandes prêmios internacionais e indicados, a empresa reforça a mensagem de que está disposta a competir pelo topo da conversa global.

A ambientação em Londres e na Colômbia também mira a audiência internacional. O Reino Unido segue entre os cinco principais mercados de streaming na Europa, enquanto a América Latina, com cerca de 110 milhões de assinaturas de vídeo sob demanda em 2025, continua em expansão. Colocar o enredo em território latino-americano, ainda que de forma estilizada, ajuda a aproximar o público regional da trama e oferece novas camadas visuais a uma história já conhecida. O resultado é uma temporada que conversa tanto com fãs antigos do romance quanto com espectadores que chegam à marca sem ter lido uma linha de Le Carré.

Adaptação literária, futuro da série e o lugar de Le Carré na TV

Le Carré morre em 2020, aos 89 anos, mas continua a ditar boa parte do tom da espionagem na televisão. O autor já inspira séries como “O espião que sabia demais” e “The Little Drummer Girl”, todas com a mesma combinação de política, cinismo e humanidade ferida. A segunda temporada de “O gerente noturno” amplia esse legado num formato que hoje domina a conversa cultural: a série de streaming de alto orçamento, lançada globalmente em poucos dias.

O novo ano não fecha apenas arcos abertos em 2016; recoloca algumas perguntas no centro da tela. Quem controla, de fato, as engrenagens do comércio internacional de armas? Até onde vai a responsabilidade de quem apenas “organiza” transações? E quanto custa, em termos pessoais, atravessar a linha entre observador e agente? Ao fim dos episódios, o Prime Video deixa aberta a possibilidade de continuar a parceria com o universo de Le Carré, seja em uma eventual terceira temporada, seja em novas adaptações. A resposta virá na combinação de audiência, repercussão crítica e, sobretudo, na disposição do público em seguir Jonathan Pine por mais uma rodada nesse jogo em que quase ninguém é, de fato, apenas gerente.

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