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Pressionado, Fernando Diniz rebate pergunta sobre números e sustenta permanência no Vasco

Fernando Diniz reage com irritação a uma pergunta sobre seu aproveitamento após a derrota do Vasco para o Bahia, em São Januário, na noite de 11 de fevereiro de 2026. Sob vaias da torcida e alvo de críticas pelos resultados no Brasileiro, o técnico admite a pressão, mas diz confiar na virada dos números.

Coletiva tensa em São Januário

O clima na sala de imprensa acompanha o ambiente pesado das arquibancadas. Minutos depois de ouvir vaias ao deixar o gramado, Diniz encara a bateria de perguntas com semblante fechado. A derrota para o Bahia, em pleno São Januário, amplia a sequência negativa no Campeonato Brasileiro e faz a paciência do torcedor diminuir ainda mais.

Quando o repórter Joel Silva menciona o retrospecto de 52 jogos e 21 derrotas no comando do Vasco, o técnico perde a paciência. Ele vê na exposição do dado uma tentativa de aprofundar a crise. “Quando a gente quer trazer os números, e é conveniente para colocar mais pressão como você está fazendo, aí você traz, né? Não é a primeira vez que você faz isso”, dispara, olhando diretamente para o jornalista.

O questionamento inclui a reação das arquibancadas e o peso da diretoria sobre o trabalho. Diniz, em vez de recuar, dobra a aposta. “Eu estou aqui para ser pressionado mesmo. Os números são esses, mas você sabe que o rendimento não era para ter esses números desde o ano passado”, afirma. A resposta expõe a linha de defesa do treinador: desempenho acima do que a tabela mostra.

O treinador insiste que não se sente abalado internamente, embora evite falar em garantias no cargo. “Da diretoria, eu não conversei nada, mas eu sou seguro daquilo que eu faço”, diz. Em seguida, acusa o repórter de repetir o mesmo tipo de abordagem. “Já é a terceira ou quarta vez que você traz. Eu não vou discutir, eu estou respondendo, está tudo certo, tá? Você está ganhando hoje, comemora.”

Pressão crescente e números em queda

A irritação de Diniz não surge do nada. A derrota para o Bahia amplia uma série incômoda no Brasileiro: são 9 derrotas, 1 empate e apenas 1 vitória nos últimos 11 jogos pela competição. O recorte ajuda a explicar a impaciência da arquibancada e o tom mais duro das perguntas na coletiva.

Os números gerais, levantados pelo perfil estatístico OptaJoao, também alimentam o debate sobre a permanência do técnico. Na Série A, Diniz passa a somar mais resultados negativos do que positivos na carreira: 85 derrotas contra 84 vitórias. O simbolismo do desequilíbrio pesa justamente em um momento em que o Vasco tenta se afastar da zona de risco e estruturar um projeto estável no comando técnico.

Em campo, a atuação contra o Bahia oferece munição tanto para os críticos quanto para os defensores do treinador. Diniz destaca que o Vasco finaliza 20 vezes, contra 7 do adversário, e entra 51 vezes no último terço, a faixa mais próxima do gol. “A equipe produziu para ganhar”, sustenta. A leitura, porém, esbarra no placar e na sensação de desperdício de chances em casa.

As vaias ecoam forte quando o árbitro apita o fim do jogo. Diniz evita confrontar a torcida e assume a linha de frente da crise. “Sentimento de frustração total. O torcedor tem que estar bravo, chateado, tem que ter alguém para xingar, e o treinador é o maior responsável quando a equipe não ganha”, admite. Em seguida, se coloca como alvo preferencial. “Se tem alguém para vaiar, eu que sou o cara para vaiar mesmo. Estou aqui para sustentar isso, dar a resposta mais positiva e o time começar a ganhar.”

O gol do Bahia sai em um lance que o próprio Diniz classifica como improvável no estudo prévio. A jogada ensaiada em escanteio, concluída por Juba após cobrança rápida de Everton Ribeiro, não aparece nos últimos dez jogos analisados pela comissão técnica, segundo o treinador. “A gente falhou na marcação no escanteio, eles fizeram uma jogada ensaiada e a gente tomou na hora, de maneira improvisada”, explica.

Futuro de Diniz e próximos desafios do Vasco

A reação de Diniz em São Januário alimenta o debate sobre o futuro do técnico no Vasco. A sequência de resultados ruins no Brasileiro, somada ao histórico pessoal na Série A, fortalece o discurso de parte da torcida que pede mudança imediata no comando. No clube, a cúpula passa a lidar com um dilema conhecido: preservar o projeto ou ceder à pressão das arquibancadas e do ambiente político.

No vestiário, a leitura do treinador é de que a correção passa menos por ruptura e mais por eficiência. Ele insiste que o problema central está na falta de precisão na hora de finalizar. “O time tem que conseguir converter as oportunidades em gol. Não é de hoje”, reconhece. O diagnóstico mira diretamente o ataque, setor que cria mas não transforma volume em pontos na tabela.

O calendário oferece pouco tempo para reflexão. O Vasco volta a campo no sábado, dia 14, às 21h30, em São Januário, para enfrentar o Volta Redonda pelo Campeonato Carioca. O jogo se torna vitrine imediata para medir o ambiente entre time e torcida depois da explosão na coletiva. Qualquer novo tropeço tende a intensificar a pressão externa e a discussão interna sobre a continuidade de Diniz.

No Brasileirão, o próximo compromisso é contra o Santos, na Vila Belmiro, no dia 26, às 19h. A partida, fora de casa, representa mais um teste pesado para um time que ainda não encontra equilíbrio na competição. Entre a necessidade de resultado e a defesa do próprio trabalho, Diniz caminha sobre uma linha cada vez mais fina. A resposta, agora, deixa a sala de imprensa e volta para o gramado, onde cada finalização perdida pode reabrir a mesma pergunta que o irrita tanto.

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