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Pressão por crises leva presidente do Louvre a renunciar

O presidente do Museu do Louvre renuncia ao cargo nesta terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, após uma sucessão de crises internas. O pedido é aceito pelo presidente da França, Emmanuel Macron, que assume a tarefa de conduzir a transição em meio à pior turbulência recente da principal instituição cultural do país.

Crises sucessivas expõem fragilidade da gestão

A saída do dirigente encerra semanas de pressão crescente sobre o comando do museu mais visitado do mundo, com mais de 8 milhões de ingressos vendidos por ano antes da pandemia. O roubo de joias de alto valor em uma área de exposição especial, investigado desde o fim de 2025, torna-se símbolo de falhas de segurança e amplia o desgaste político em torno da gestão.

Os problemas não se limitam à segurança. Vazamentos de água em setores históricos do prédio, alguns recorrentes desde o segundo semestre de 2024, afetam salas de visitação e colocam em risco obras e estruturas. Técnicos internos alertam o governo francês, em relatórios reservados, para o risco de danos permanentes caso intervenções mais profundas sejam novamente adiadas.

Greves de funcionários, com paralisações parciais e totais em ao menos quatro ocasiões entre 2024 e 2026, expõem a insatisfação com a gestão de pessoal. Reivindicações por melhores condições de trabalho, reforço de equipes de segurança e manutenção, além de transparência sobre investimentos em infraestrutura, deixam corredores vazios e filas frustradas na entrada da instituição.

No início de 2026, a revelação de um esquema de fraude na venda de ingressos atinge o coração da credibilidade administrativa do Louvre. Investigações internas e da Justiça francesa apuram a manipulação de vendas on-line e físicas, com suspeita de desvios sistemáticos de valores. A direção admite falhas de controle e promete uma “auditoria completa” nos sistemas de bilheteria.

Impacto na imagem do principal museu francês

A sucessão de episódios corrói a aura de eficiência e prestígio construída ao longo de décadas em torno do Louvre. Em 2025, a instituição recebe cerca de 7,5 milhões de visitantes, número ainda distante do recorde de 10,2 milhões registrado em 2018. A expectativa de recuperação plena em 2026 esbarra nas manchetes negativas e na percepção de instabilidade.

Especialistas em patrimônio alertam que o museu vive um ponto de inflexão. “Cada vazamento não resolvido, cada falha de segurança, cada greve prolongada produz uma rachadura na confiança do público”, afirma um pesquisador de políticas culturais ouvido pela reportagem. Segundo ele, a renúncia do presidente funciona como “admissão tardia” de que a estrutura de governança não acompanha a complexidade da instituição.

Funcionários relatam um ambiente de desgaste. Representantes sindicais acusam a direção de ter reagido lentamente a alertas internos sobre as condições do prédio e a sobrecarga de equipes. “Falamos de risco para obras, para visitantes e para nós. Faltou escuta, sobrou improviso”, diz um dirigente sindical, que cita aumento de afastamentos por estresse desde 2024.

No governo, a preocupação não é apenas simbólica. O Louvre é vitrine da França para algo em torno de 70% de visitantes estrangeiros, segundo dados oficiais recentes. Problemas de segurança, fraudes e conflito com funcionários afetam diretamente a imagem do país como guardião de um dos maiores acervos artísticos do mundo, além de pressionar o turismo, responsável por cerca de 8% do PIB francês.

Disputa por sucessão e pressão por reformas

Com a renúncia aceita por Emmanuel Macron, o Palácio do Eliseu se vê diante da necessidade de indicar rapidamente um novo nome para comando do Louvre. A expectativa no setor cultural é de que o sucessor seja anunciado em poucas semanas, com mandato orientado por metas claras de recuperação de imagem, revisão de contratos e reforço de segurança física e digital.

Nos bastidores, dirigentes de outras instituições culturais francesas defendem um modelo de gestão mais transparente, com indicadores públicos de segurança, conservação e atendimento. “Não basta trocar o presidente. É preciso mudar a forma de governar o museu”, diz um ex-diretor de grande instituição parisiense, que vê no caso do Louvre um alerta para todo o sistema cultural do país.

O Ministério da Cultura trabalha com a hipótese de um plano emergencial em três frentes: obras estruturais para conter vazamentos, revisão profunda da bilheteria e recomposição do quadro de funcionários-chave. Interlocutores falam em prazos entre 12 e 18 meses para resultados visíveis, a depender do volume de recursos liberados pelo governo central.

Enquanto a definição do novo comando não sai, o museu tenta seguir a programação regular, entre exposições temporárias e manutenção da visitação à célebre Mona Lisa. A transição ocorre sob olhar atento da imprensa internacional e de um público global que vê no Louvre mais do que um destino turístico. A pergunta que se impõe, em Paris e fora dela, é se a troca de liderança será suficiente para blindar o patrimônio que o museu guarda ou se as falhas recentes revelam um problema mais profundo, que nenhuma nomeação isolada consegue resolver.

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