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Pós-clássico, Andreas acende debate tático no Palmeiras

A vitória do Palmeiras por 3 a 1 sobre o São Paulo, em 24 de janeiro de 2026, não encerra a noite na Arena Barueri. O resultado mantém o time na liderança provisória do Paulistão, mas abre um novo foco de discussão: o papel de Andreas Pereira no meio-campo e a pressão por um primeiro volante de ofício.

Clássico decidido em campo, escalação discutida online

O Choque-Rei começa intenso. Aos poucos minutos, Maurício recebe livre na entrada da área e coloca o Palmeiras em vantagem, sem chance para Rafael. O São Paulo reage rápido: Enzo Díaz cruza com precisão, Arboleda desvia para o meio e Bobadilla aproveita a falha da defesa alviverde para empatar por entre as pernas de Carlos Miguel.

O ritmo segue alto, com o time de Crespo acumulando chances para virar. No entanto, é do Palmeiras a jogada que muda o clima do jogo e, mais tarde, das redes sociais. Ramón Sosa recupera a bola na lateral, aciona Marlon Freitas, que encontra Andreas Pereira por dentro. O camisa 8 rompe as linhas tricolores e acha Flaco López entre os zagueiros. O argentino finaliza de cavadinha e faz 2 a 1.

Flaco ainda participa do terceiro gol. No início do segundo tempo, Khellven inicia a construção, Piquerez cruza e o centroavante escora para o próprio lateral-direito empurrar para as redes e fechar o placar em 3 a 1. Com a vantagem, o Palmeiras reduz o ritmo, alterna posse de bola com ataques pelos lados e vê a Arena Barueri explodir quando Vitor Roque entra e quase marca em chute cruzado.

Dentro de campo, o roteiro é de controle. Fora dele, a noite se torna um laboratório de tática. Logo após o apito final, as redes sociais se enchem de análises de torcedores, que deixam o placar em segundo plano para mirar a estrutura do meio-campo. A figura central é Andreas Pereira, novidade na escalação, utilizado mais recuado, próximo dos volantes.

Pressão por primeiro volante expõe dilema no meio-campo

O debate sobre Andreas não gira em torno da qualidade técnica. A discussão é sobre endereço em campo. Entre palmeirenses, se fixa a leitura de que o camisa 8 rende mais perto da área adversária, como meia atacante, e não na função de primeiro volante responsável por cobrir a defesa. “Andreas é para pisar na área, não para marcar o contra-ataque”, escreve um torcedor em rede social. Outro resume o sentimento de parte da arquibancada: “Sem um 5 de origem, vamos sofrer contra times mais fortes”.

A vitória por dois gols de diferença não suaviza o incômodo. O São Paulo cria chances, especialmente após o empate de Bobadilla, e pressiona a saída de bola alviverde. O cenário alimenta a percepção de que falta um jogador mais fixo à frente da zaga. A discussão se conecta rapidamente a outro nome citado durante a noite: Marlon Freitas. O volante, que participa do lance do segundo gol, vira tema imediato de especulação. “Não tenho dúvidas”, postam torcedores, em referência à necessidade de reforço para a posição.

O incômodo atual carrega memória recente. O Palmeiras convive há temporadas com o desafio de renovar o meio-campo sem perder solidez defensiva, marca das campanhas vitoriosas dos últimos anos. A presença de Andreas aprofunda o dilema. Quando se aproxima da área, oferece passe decisivo, clareza na construção e chute de média distância. Recuado, divide atenção entre criação, combate e cobertura, o que aumenta o risco de buracos entre linhas.

O clássico contra o São Paulo expõe essa tensão em 90 minutos. A jogada do segundo gol nasce justamente da leitura de espaço de Andreas atuando mais adiantado. Ao mesmo tempo, os momentos de pressão tricolor alimentam o argumento de quem cobra um primeiro volante clássico, capaz de proteger zagueiros, cortar contra-ataques e liberar o camisa 8 para ocupar o terço final do campo com mais frequência.

A repercussão pós-jogo também reforça a mudança na forma como torcida e elenco convivem. Comentários, cortes de vídeo e análises táticas circulam em tempo real. A participação de Andreas no gol de Flaco vira trunfo de quem defende sua presença como meia mais ofensivo. Os sustos sofridos na defesa são usados por quem insiste na contratação urgente de um jogador de marcação.

Mercado, tática e a pressão por respostas rápidas

A diretoria do Palmeiras acompanha o debate em um ambiente de pressão crescente. A liderança provisória do Paulistão, confirmada com os 3 a 1 em 24 de janeiro de 2026, não reduz a urgência por ajustes. O calendário é apertado, com estadual, Copa do Brasil, Brasileirão e competições continentais condensados em menos de dez meses. Cada janela de transferência ganha peso estratégico.

O clamor por um primeiro volante influencia esse cálculo. A comissão técnica precisa decidir se adapta o desenho tático para acomodar Andreas mais à frente, confiando em soluções internas na proteção da defesa, ou se pressiona a diretoria por um nome específico para a posição. Uma contratação de impacto significaria investimento alto e mudança de hierarquia no elenco, com reflexos diretos na minutagem de atletas formados na base.

O São Paulo também sente os efeitos do clássico. Do lado tricolor, torcedores apontam culpados pela derrota e reclamam de gol perdido que poderia alterar o rumo do jogo. Comentários como “Não dá” e “Inacreditável” se espalham, criando ambiente de cobrança semelhante ao palmeirense, embora com foco oposto: menos em estrutura tática, mais em falhas de execução e tomadas de decisão individuais.

A noite na Arena Barueri deixa, assim, duas leituras distintas. Para o Palmeiras, a vitória confirma capacidade de decidir jogos grandes, mas expõe a necessidade de calibrar o equilíbrio entre criatividade e segurança. Para o São Paulo, o placar de 3 a 1 escancara a dificuldade em transformar bons momentos em resultado concreto contra um rival direto.

Andreas no tabuleiro e a pergunta que fica

As próximas rodadas do Paulistão servirão como teste para as escolhas feitas agora. Se Andreas seguir escalado mais recuado, a comissão técnica assume o risco calculado de mantê-lo participando da saída de bola, enquanto a torcida seguirá cobrando proteção maior à frente da zaga. Caso seja adiantado para atuar como meia atacante, a responsabilidade pela sustentação defensiva recairá sobre outro nome, seja ele do elenco atual ou de eventual reforço.

A diretoria terá de combinar leitura técnica e sensibilidade política. Ignorar o barulho das arquibancadas digitais pode ser perigoso em uma temporada longa, marcada por estádios cheios e cobrança permanente por títulos. Atender de forma precipitada a cada clamor também traz riscos, especialmente em negociações de mercado que envolvem cifras milionárias e contratos longos. Entre o gol de cavadinha de Flaco López e os comentários em cascata nas redes, o Palmeiras volta para casa com três pontos e uma dúvida central: onde, exatamente, Andreas Pereira deve jogar para que o time encontre o melhor equilíbrio possível?

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