Ponte Preta perde do São Bernardo e segue zerada no Paulistão
A Ponte Preta perde por 1 a 0 para o São Bernardo, nesta quarta-feira (21), no Moisés Lucarelli, e segue sem pontuar após quatro rodadas do Paulistão. O gol de Romisson, aos quatro minutos do primeiro tempo, aprofunda a crise alvinegra e mantém o time de Campinas na lanterna do estadual.
Ponte derruba transferban, mas não reage em campo
O ambiente no estádio em Campinas traduz o momento. A diretoria corre para derrubar o transferban, inscreve reforços e tenta reorganizar o elenco, mas o esforço de bastidor ainda não encontra resposta dentro de campo. A quarta derrota seguida mantém a Ponte com zero ponto e coloca o clube, de forma direta, na luta contra o rebaixamento já na primeira metade da fase de grupos.
O São Bernardo chega a Campinas pressionado por dois jogos sem vitória, mas encontra um rival vulnerável e resolve o placar cedo. Aos quatro minutos, Pedro Vitor recebe em velocidade pela direita, cruza rasteiro para a área, e Romisson aparece sozinho, na marca do pênalti, para desviar para o fundo da rede de Diogo Silva. O golpe cedo deixa a Ponte atordoada e dá ao time do ABC o controle emocional da noite.
Aos poucos, a Ponte tenta se recompor. O time de João Brigatti adianta as linhas, pressiona a saída de bola e, aos 17 minutos, chega a celebrar um gol que não vale. Bruno Lopes completa cruzamento pela esquerda, mas o assistente aponta impedimento, e o árbitro Douglas Marques das Flores confirma a anulação, esfriando de novo o impulso da torcida, que registra público pagante de 3.682 pessoas e renda de R$ 88.890,00.
O primeiro tempo termina com a sensação de que a Ponte cresce, mas sem efetividade. A equipe até se organiza melhor, encurta espaços e reduz os contra-ataques do São Bernardo, porém entra no vestiário ainda atrás no placar. O time visitante administra a vantagem com posse de bola segura, ritmo cadenciado e um meio-campo que dita o jogo, com Romisson, João Paulo e Foguinho ocupando bem os espaços.
Crise em Campinas contrasta com reação do São Bernardo
O segundo tempo recomeça com o mesmo roteiro. A Ponte adianta a marcação, empurra o São Bernardo para o próprio campo, mas esbarra em limitações técnicas e, principalmente, na falta de entrosamento. Os reforços recém-inscritos ainda se conhecem em campo, erram passes curtos e pecam na tomada de decisão perto da área. O time sente o peso da sequência negativa e joga sob evidente tensão.
O São Bernardo se protege atrás e aposta em estocadas rápidas. Aos seis minutos, Pará recebe lançamento em profundidade pela esquerda, invade a área com liberdade, mas finaliza mal, desperdiçando chance clara de ampliar. O lance expõe a fragilidade defensiva pontepretana, que apresenta espaços entre zaga e laterais e depende das coberturas de Rodrigo Souza para não se desorganizar de vez.
A melhor oportunidade da Ponte surge aos 13 minutos. Cristiano lança Bruno Lopes na área, Augusto tenta o corte e quase transforma o cruzamento em gol contra. A bola desvia no zagueiro, ganha altura e passa raspando o travessão de Alex Alves. O estádio prende a respiração, parte da torcida chega a esboçar o grito de gol, mas a bola sai. O lance simboliza a noite alvinegra: esforço, pressão, mas nada de efetividade.
O relógio avança, e a ansiedade cresce nas arquibancadas. A cada ataque desperdiçado, surgem murmúrios e olhares desconfiados para o banco de reservas. A comissão técnica promove mudanças em série, com entradas de Júlio, Gustavo Telles, Nikolas, Kaio Ganga e Diego Torres. As trocas aumentam o volume ofensivo, porém deixam o time exposto aos contra-ataques. O São Bernardo, mais maduro, segura a bola quando precisa, prende o jogo nas laterais e, amparado por cartões amarelos distribuídos a Foguinho, Hélder e Rodrigo Ferreira, controla o ritmo até o apito final.
O cenário dos dois clubes se inverte em relação ao início da rodada. A Ponte, multicampeã do interior e referência histórica no estado, se vê no fundo da tabela, sem um ponto sequer, e obrigada a encarar de frente o risco de queda. O São Bernardo, clube jovem na elite paulista, volta a vencer após dois jogos, chega a sete pontos e se firma na quarta colocação dentro do G8, zona que garante vaga no mata-mata.
Risco real de queda e pressão imediata por reação
A derrota desta quarta-feira altera o tom da temporada em Campinas. Com apenas quatro partidas restantes na primeira fase, a Ponte passa a fazer contas para permanecer na elite. Cada ponto perdido agora pesa como decisão. O clube entra na reta final da etapa classificatória sem margem para tropeços contra rivais diretos na parte de baixo da tabela.
A pressão recai sobre todos os lados. A diretoria, que aposta em reforços e na derrubada do transferban como solução, precisa acelerar ajustes no elenco e blindar o vestiário. A comissão técnica lida com a urgência por resultados e com um grupo que ainda busca encaixe tático. A torcida, que empurra o time mesmo em fase ruim, começa a demonstrar impaciência diante de um aproveitamento de 0% após quatro rodadas.
Do outro lado, o São Bernardo transforma a vitória em combustível para mirar objetivos mais ambiciosos. Com sete pontos somados e presença consolidada no G8, o time do ABC ganha fôlego para brigar por vaga nas quartas de final. O triunfo fora de casa, em um estádio tradicional como o Moisés Lucarelli, reforça a confiança de um elenco que mostra organização tática, solidez defensiva e capacidade de decidir cedo as partidas.
Agenda apertada e jogos decisivos pela frente
Os dois times voltam a campo já no sábado (24), em rodada que pode redefinir o rumo da campanha de cada um. Às 16h, o São Bernardo recebe o Mirassol, no estádio Primeiro de Maio, com a chance de confirmar a boa largada e se consolidar entre os líderes do grupo. A partida em casa oferece a oportunidade de somar mais três pontos e se aproximar de forma concreta da vaga no mata-mata.
A Ponte entra em campo às 17h, novamente no Moisés Lucarelli, contra o Noroeste. O duelo assume contornos de decisão precoce. Qualquer novo tropeço aproxima o clube de um cenário dramático na reta final da primeira fase. A reação precisa ser imediata, sob risco de o campeonato se transformar, em poucas semanas, de sonho de classificação em luta angustiante contra o rebaixamento. A pergunta que se impõe em Campinas, após mais uma noite de frustração, é simples e incômoda: ainda há tempo para a Ponte virar esse jogo?
