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Polícia investiga se corpo esquartejado é de corretora desaparecida em Florianópolis

A Polícia Civil de Santa Catarina investiga se o corpo esquartejado encontrado em Florianópolis é de Luciani Aparecida Estivalet Freitas, corretora de imóveis desaparecida desde o início de março de 2026. A identificação depende de exames periciais, enquanto familiares cobram respostas rápidas e explicações para as mensagens suspeitas enviadas do celular da vítima.

Mensagens com erros acendem alerta da família

O desaparecimento de Luciani, de 42 anos, entra no radar da polícia depois de a família notar mudanças bruscas no jeito de ela escrever. Conhecida por ser detalhista e cuidadosa com o português, a corretora passa a enviar mensagens com erros grosseiros, abreviações estranhas e construções que não fazem parte de seu vocabulário cotidiano. Parentes estranham também o tom distante e respostas fora de contexto.

Nos dias seguintes, a ausência de contato por telefonemas e a falta de postagens nas redes sociais, onde Luciani costuma publicar ofertas de imóveis e rotinas de trabalho, reforçam a desconfiança. A família registra boletim de ocorrência e pressiona por buscas mais amplas. “Não era ela escrevendo. A gente conhece o jeito dela. Ali, algo já estava muito errado”, relata um familiar, sob condição de anonimato, temendo exposição em meio à investigação.

Corpo esquartejado leva caso a outro patamar

O caso muda de escala quando um corpo esquartejado é encontrado em área de mata na região continental de Florianópolis, em data mantida em sigilo para não atrapalhar as diligências. Partes foram levadas ao Instituto Geral de Perícias, que realiza exames de DNA e outras análises de identificação. Peritos falam em prazo de alguns dias para um laudo conclusivo, mas a pressão social encurta a paciência da família e da vizinhança.

Investigadores trabalham com a hipótese de que os restos mortais sejam de Luciani, embora, oficialmente, nenhuma confirmação seja feita antes da perícia. A forma como o corpo é encontrado indica violência extrema e tentativa de ocultação de cadáver, o que abre frente para apuração de homicídio qualificado e feminicídio. Delegados ouvidos reservadamente avaliam que o padrão do crime se aproxima de casos recentes de violência brutal contra mulheres registrados em Santa Catarina nos últimos cinco anos.

Clima de medo e cobrança por respostas em Florianópolis

O desaparecimento de uma profissional conhecida no mercado imobiliário local e a descoberta de um corpo esquartejado expõem um sentimento de vulnerabilidade em Florianópolis. Moradores da região onde Luciani atua relatam medo de circular à noite e desconfiança crescente em relação a contatos feitos por aplicativos de mensagem, muitas vezes usados para agendar visitas a imóveis. Entidades de defesa das mulheres lembram que, no estado, a cada poucos dias uma mulher é vítima de violência letal, segundo dados recentes de segurança pública.

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que sinais como mudança repentina de linguagem em mensagens, silêncio prolongado e interrupção abrupta de rotinas podem ser indicativos de risco e devem ser comunicados às autoridades com rapidez. “A sensação é de que alguém tentou se passar por ela, e isso mexe com todo mundo que vive de atendimento direto a clientes”, afirma uma colega de profissão de Luciani. O caso alimenta discussões sobre protocolos de segurança em atendimentos individuais, uso de geolocalização em visitas e checagem prévia de novos contatos.

Investigação pode influenciar políticas de proteção

Delegacias especializadas e núcleos de atendimento a mulheres passam a acompanhar o caso com atenção. Se a perícia confirmar que o corpo é de Luciani e a investigação apontar violência de gênero, o processo pode virar referência em debates sobre prevenção e resposta rápida a desaparecimentos de mulheres na Grande Florianópolis. Organizações da sociedade civil cobram padronização de procedimentos, com prioridade para casos em que há indícios claros de que a vítima não está mais em posse de seu próprio celular ou de suas contas digitais.

Juristas destacam que episódios de grande repercussão costumam impulsionar mudanças concretas, da criação de protocolos de alerta em até 24 horas ao reforço de delegacias especializadas. Em paralelo, familiares de Luciani articulam redes de apoio, organizam vigílias e pressionam autoridades locais para garantir transparência nas investigações. A expectativa é que, nas próximas semanas, o inquérito traga respostas sobre quem matou, como agiu e se houve participação de mais de uma pessoa. Até lá, a cidade acompanha, em suspense, um caso que expõe não só uma possível tragédia pessoal, mas também as falhas coletivas em proteger mulheres em situação de risco.

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