Polícia investiga denúncia de que irmãos do MA foram vistos em hotel de SP
A Polícia Civil de São Paulo investiga uma denúncia de que Ágata Isabelle, 6, e Allan Michael, 4, desaparecidos há mais de 20 dias no Maranhão, teriam sido vistos em um hotel no centro da capital paulista na tarde de 24 de janeiro de 2026. A informação abre uma nova frente na busca pelas crianças, que mobiliza forças de segurança em dois estados.
Denúncia em hotel na República muda rumo das buscas
A suposta aparição das crianças ocorre por volta das 18h de sábado, em um hotel no bairro da República, região central de São Paulo. A Secretaria de Segurança Pública paulista confirma que recebeu o relato e que a Polícia Civil abre investigação para checar a veracidade do avistamento. A corporação do Maranhão é comunicada imediatamente.
Segundo a SSP-SP, a denúncia descreve a presença dos dois irmãos no estabelecimento, o que indica a possibilidade de deslocamento das crianças a mais de 2 mil quilômetros de Bacabal, no interior maranhense. “A Polícia Civil maranhense já foi notificada sobre o caso e diligências estão em andamento para o esclarecimento dos fatos”, informa a pasta. Equipes em São Paulo e no Maranhão passam a cruzar dados, imagens e registros de hospedagem na tentativa de confirmar quem circula pelo hotel naquele horário.
Vinte dias de buscas intensas na mata e nenhuma pista
Ágata e Allan desaparecem após sair para brincar no povoado de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, área rural cortada por rios e mata fechada. As buscas começam ainda no primeiro dia, com policiais militares e moradores vasculhando as margens do rio Mearim e as trilhas que ligam a comunidade a povoados vizinhos. As horas viram dias, e a operação ganha dimensão inédita na região.
Em pouco mais de duas semanas, o governo maranhense mobiliza até 260 policiais de uma só vez e soma mais de mil homens ao longo da operação, somando forças da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Exército, Marinha e equipes especializadas com cães farejadores e drones. “Chegamos a ter mais de mil homens espalhados nessa mata em busca das crianças”, afirma o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins.
O Exército percorre mais de 200 quilômetros a pé e por embarcação no entorno da comunidade, entrando em áreas alagadas, mata densa e pontos isolados onde voluntários não conseguem chegar. “Fomos a pontos de difícil acesso, locais que voluntários não conseguiam acessar. Isso nos dá a garantia de que essas áreas foram varridas e, ao mesmo tempo, a esperança de que as crianças não estejam nesses locais”, diz o tenente-coronel João Carlos Duque, comandante do 24º Batalhão de Infantaria de Selva.
Os militares usam tecnologia avançada para tentar reduzir a incerteza. Drones sobrevoam áreas de mata fechada e rios, equipamentos de vídeo em 3D fazem varreduras detalhadas do terreno, e a Marinha atua no rio Mearim com aparelhos de varredura subaquática. Mesmo com esse esforço combinado, nenhuma pegada, peça de roupa ou objeto ligado às crianças aparece nas variações de terreno analisadas.
Duque calcula que, em condições extremas de mata, com pouca água e sem alimentação adequada, um ser humano consegue resistir entre oito e doze dias. “Já ultrapassamos essa linha. O fato de não termos encontrado vestígios, pegadas ou qualquer elemento que levasse à localização das crianças nesse terreno amplia a possibilidade de que elas estejam em outro lugar”, afirma o comandante. A avaliação técnica reforça o peso da denúncia surgida em São Paulo.
Mobilização em dois estados e pressão por respostas
A possibilidade de que Ágata e Allan tenham sido levados para outra cidade altera o desenho da investigação e aumenta a angústia da família e da comunidade. O caso deixa de ser apenas uma busca por desaparecidos na mata e passa a envolver a hipótese de deslocamento interestadual, com eventual participação de terceiros. A operação, antes concentrada no entorno de Bacabal, passa a depender também de redes de vigilância urbana, câmeras de segurança, registros de transporte e denúncias anônimas em grandes centros.
Martins afirma que a estrutura de segurança pública do Maranhão segue totalmente empenhada. “Desde o início, as buscas e a investigação caminham juntas. Mantemos o mesmo propósito e não perdemos a esperança, confiando no trabalho técnico da segurança pública”, diz o secretário. Ele destaca que, apesar da intensidade da operação em ambiente hostil, nenhum integrante das equipes sofre ferimentos graves. As equipes seguem em plantão permanente para reagir a qualquer nova pista.
A repercussão do suposto avistamento em São Paulo corre rápido por redes sociais e veículos de imprensa, multiplicando apelos por informações e aumentando a circulação de boatos. A polícia tenta filtrar, entre relatos imprecisos e falsas pistas, os dados que de fato possam ser checados. Em paralelo, a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão cria uma comissão especial de investigação, com dois delegados de São Luís e uma delegada de Bacabal, para centralizar depoimentos, perícias e cruzamento de informações de campo.
Especialistas em segurança ouvidos por bastidores avaliam que o tempo é decisivo. Cada dia a mais após os primeiros 20 dias de sumiço reduz a chance de encontrar as crianças em condições seguras, sobretudo se houver deslocamento forçado. A eventual confirmação da presença de Ágata e Allan em São Paulo pode redesenhar por completo o caso, afastando a hipótese de acidente na mata e abrindo espaço para linhas de investigação ligadas a sequestro, tráfico de pessoas ou exploração infantil.
Força-tarefa em alerta e investigação em aberto
Com o avanço das buscas e o esgotamento das áreas de maior suspeita no Maranhão, o Exército mantém equipes especializadas em rastreamento de prontidão para novas diligências em áreas remotas. “Vamos manter especialistas, o uso de drones e o contato permanente com São Luís, para que qualquer dado novo seja checado rapidamente”, afirma Duque. A orientação é responder de imediato a qualquer informação concreta, seja na zona rural de Bacabal, seja em grandes cidades como São Luís e São Paulo.
A Polícia Civil de São Paulo continua a apurar a denúncia envolvendo o hotel no bairro da República, analisando imagens de câmeras, movimentação de hóspedes e possíveis registros de traslado de crianças. As autoridades evitam antecipar conclusões. Até o momento, não há confirmação oficial de que se trata de Ágata e Allan, mas a informação é tratada como prioridade, dado o tempo de desaparecimento e o desgaste das buscas em ambiente natural.
A comissão especial de delegados, criada no Maranhão, mantém interlocução direta com a polícia paulista e com órgãos federais de controle de fronteiras e transporte. O objetivo é acelerar o fluxo de dados e evitar novas perdas de tempo em um caso em que cada hora pesa. Enquanto isso, a família aguarda notícias, a comunidade de São Sebastião dos Pretos continua em vigília e o país acompanha um desfecho ainda em aberto: onde estão Ágata e Allan e quem responde pelo sumiço das duas crianças.
