Polícia bloqueia R$280 mil em criptomoedas durante operação contra bets ilegais
Investigação aponta esquema de lavagem de dinheiro que movimentou cerca de R$ 1 bilhão; Justiça também autorizou bloqueio bilionário de bens e contas

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) bloqueou R$ 280 mil em criptomoedas durante a Operação Azzardo, realizada nesta quinta-feira (5), contra uma organização suspeita de explorar plataformas de apostas clandestinas e lavar dinheiro. A ofensiva também resultou na apreensão de 35 celulares e de um veículo de luxo em Curitiba, no Paraná.
A investigação revelou que parte dos recursos movimentados pelo grupo era convertida em moedas digitais para dificultar a identificação da origem do dinheiro. Segundo os investigadores, o esquema utilizava empresas de fachada, contas bancárias e instituições financeiras para receber e distribuir valores provenientes de sites de apostas que operavam sem autorização federal.
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Além dos R$280 mil em criptoativos efetivamente bloqueados, a Justiça autorizou o bloqueio de contas e bens dos investigados até o limite de R$3,483 bilhões. Esse valor representa o teto das medidas judiciais, e não necessariamente o montante já localizado ou apreendido.
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Fintech de São Paulo movimentou cerca de R$1 bilhão
As apurações identificaram movimentações financeiras de aproximadamente R$ 1 bilhão envolvendo uma fintech localizada na região da Faria Lima, em São Paulo, e empresas ligadas ao mesmo grupo.
A instituição investigada é a A55 Sociedade de Crédito Direto, que teria sido utilizada para movimentar recursos de plataformas clandestinas. Os pagamentos chegavam às contas por diferentes caminhos: diretamente por transferências Pix realizadas por apostadores ou por meio de empresas intermediárias.
Segundo a polícia, a estrutura financeira permitia concentrar valores recebidos de diferentes usuários e posteriormente distribuí-los entre contas e pessoas vinculadas ao esquema. Parte desses recursos teria sido transformada em criptomoedas, tornando mais complexo o trabalho de rastreamento.
Empresas de fachada escondiam movimentações
A investigação também encontrou empresas registradas em atividades aparentemente sem ligação com apostas esportivas, incluindo serviços de assistência psicossocial e comércio de artigos de tarô.
Os endereços cadastrados por algumas dessas empresas não correspondiam às atividades informadas nos registros oficiais. Em uma das diligências, os investigadores localizaram uma padaria no endereço atribuído a uma empresa suspeita. O gerente do estabelecimento afirmou desconhecer qualquer negócio relacionado ao cadastro investigado.
Outro ponto identificado foi o possível recrutamento de pessoas para a abertura de empresas e contas bancárias utilizadas pelo grupo. Durante as buscas, uma mulher relatou aos policiais que seus dados pessoais haviam sido utilizados para criar um CNPJ e abrir uma conta.
A suspeita é de que esse mecanismo permitisse pulverizar os recursos por diferentes titulares, dificultando a identificação dos responsáveis pelas operações financeiras.
Operação cumpriu 52 mandados em seis unidades da federação
A Operação Azzardo cumpriu 52 mandados de busca e apreensão, sendo 26 no Distrito Federal e outros 26 distribuídos entre São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte.
A ofensiva mobilizou aproximadamente 200 policiais civis e também atingiu empresas vinculadas aos investigados, com medidas de restrição de atividades e bloqueio de cadastros empresariais.
A investigação começou após informações encaminhadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, que identificou plataformas de apostas funcionando sem a autorização exigida pela legislação federal.


